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LegislativoFalta legislarEleições municipais acirraram ainda mais a ineficiência do Congresso: temas importantes para o país tramitam anos na casa até que sejam (ou não) votados
Texto: Iracema Barreto e Rafael Paixão | Fotos: Arte: Paulo Werner - Wilson Dias e José Cruz/Abr
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Presidente da Frente Parlamentar da Saúde, Guerra lembra que projetos 8 importantes da área levam anos para serem aprovados. No caso dos consórcios da saúde, que ele implantou como secretário do governo Eduardo Azeredo em Minas, foram necessários sete anos para sua aprovação. E, desde 2003, a frente luta pela regulamentação da Emenda 29, que define como União, estados e municípios devem aplicar os recursos do setor. Para concluir a votação da proposta, falta apenas votar o destaque que cria a Contribuição Social da Saúde (CSS), que substituiria a extinta CPMF (o imposto do cheque). "O governo não coloca em votação porque tem medo de perder", diz Guerra. Já a base governista prefere colocar a culpa nas medidas provisórias (MPs). "O Arlindo Chinaglia (presidente da Câmara) até imprimiu um ritmo intenso de votação, fazendo sessões na 2ª e na 5ª (dias que geralmente não têm votação), até desagradando alguns parlamentares, mas as MPs impedem o Congresso de votar qualquer assunto. Isso começou no governo Itamar Franco, passou pela gestão de Fernando Henrique Cardoso e não é diferente agora", admite o deputado federal Geraldo Magela (PT-DF). No entanto, o petista também responsabiliza a oposição pela demora nas votações. "Eles fazem obstrução por muito pouca coisa. Se as MPs tivessem votação mais ágil a pauta seria desobstruída e poderíamos votar outros projetos", reclama. A lista das matérias engavetadas no Congresso inclui ainda a PEC que acaba com o voto secreto nas sessões legislativas, como a dos processos de cassação. A PEC foi aprovada em primeiro turno na Câmara em setembro de 2006, com 383 votos a favor e nenhum contrário, mas até hoje os deputados não votaram o texto em segundo turno, mais de dois anos depois, o que reforça a idéia de que o Congresso só age depois de casos rumorosos. O fim do voto secreto foi aprovado por causa da repercussão da absolvição de vários deputados envolvidos no escândalo do mensalão. Via de regra, esfriado o debate, o assunto cai no esquecimento. Foi o que aconteceu também com o prometido pacote antiviolência. A morte do menino João Hélio mobilizou do Executivo ao Legislativo. Contudo, praticamente nada saiu do papel. Para o cientista político Leonardo Barreto, contribui para situações como esta a fragmentação do quadro partidário brasileiro. "As duas maiores bancadas que apóiam o governo, PT e PMDB, têm apenas 33% do Congresso. O governo tem de negociar com muitos atores com poder de decisão. Isso faz com que a minoria tenha poder de veto, o que acaba travando o processo", explica.
O Regimento Interno da Câmara é apontado como outro vilão. "O ritmo de tramitação é irracional. Hoje é possível apresentar emendas aos projetos em todas as comissões. Se uma emenda é aprovada na terceira comissão pela qual o projeto tramita, é preciso que ele volte para as duas comissões que já votaram", lembra Magela. O certo é que tanto governistas quanto oposicionistas são unânimes: recisa ser feito para que o Congresso cumpra seu dever: legislar. |
O que está engavetadoReforma tributária Reforma política Regulamentação da Emenda 29 PEC do Trabalho Escravo Fim do foro privilegiado Voto aberto |