Entre marido e mulher, ninguém mete a colher, certo? Nem sempre! Às vezes, uma ajudinha pode fazer toda a diferença para que ambos cheguem a um consenso. Que tal a terapia de casal? “Ela não tem objetivo de unir, nem de separar, mas de permitir um espaço de reflexão, de eles se encontrarem e cada um saber o que de fato é na relação”, resume a psicanalista Adriana Bizzotto Tameirão. “Não existe prerrogativa de juntar ou separar. Os dois podem arranjar meios para ficar juntos e bem ou para aceitar a separação”, completa a também psicanalista Rosemary Vieira.
Na sessão, cada um vai falando das suas dificuldades para o analista, mas, aos poucos, eles passam a conversar entre si. O profissional também participa da conversa, mas sempre voltado para o casal, nunca só para um ou outro. Com o passar do tempo, a terapia vai provocando mudanças. “A pessoa passa a enxergar o que da parte dela provoca mal-estar na relação. É como se o inconsciente de um entrasse no inconsciente do outro e fizesse uma trama”, diz Adriana.
Há todo tipo de casal em busca de ajuda. A queixa mais comum, segundo Adriana, é com relação à sexualidade, principalmente quando o desencanto já tomou conta de relacionamento. Problemas financeiros, desemprego, bebidas e traição também geram conflitos. “A traição é uma situação muito abordada dos dois lados. Tem gente que acha que ter um relacionamento fora do casamento ajuda a mantê-lo, mas isso é uma ilusão”, completa Rosemary. Às vezes, a mulher está insatisfeita, tem auto-estima baixa, não vê sentido na vida a não ser fazer tudo para a família. O marido, por sua vez, se queixa da falta de atenção da mulher. Aí aparecem os filhos, que querem tudo o tempo todo. E a intolerância vai ficando cada vez maior. Tudo isso são sintomas de que algo não vai bem.
Segundo Rosemary, a busca pela terapia de casal aumentou muito nos últimos dez anos. Há meses, por exemplo, em que surgem dois ou três novos casais no seu consultório. De cada três, um é homossexual. E não são apenas os casados. Namorados também aderiram à terapia. “Grotescamente falando, é como se fizessem uma prevenção. Alguns pontos que gostariam de resolver antes do casamento, como o ciúme”, afirma a psicanalista. Com três anos de relacionamento, a profissional liberal B.G. e seu namorado resolveram ir para o divã. “Ajudou muito na adaptação do casamento, nas suas dificuldades iniciais. Com certeza, fez a diferença e fortaleceu o nosso vínculo.”
Muitas vezes, a análise é válida também para que o casal aceite a separação. Às vezes, a raiva une mais do que o amor. E a relação fica interminável, alimentada por esse sentimento ruim. “Com a terapia de casal, a pessoa vai aprender a lidar com o outro e consigo mesma para fazer uma boa separação”, destaca Rosemary. Entretanto, a psicanálise em dupla nem sempre é indicada. Em casos de distúrbios emocionais muito graves e de falta de respeito patentes, por exemplo, o melhor, na opinião de Rosemary, é a terapia individual. E que todos sejam felizes para sempre.