Segunda, 21 de Maio de 2012
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Diversão

Baladas no centro

Bem no coração da capital mineira há boas pedidas para se divertir

Texto: Raquel Ayres | Fotos: Daniel de Cerqueira


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Região central de Belo Horizonte. Longe de ser parte da área nobre da cidade e do circuito de bares e boates elegantes, é território que guarda surpresas. E boas surpresas. Algumas fazem parte do roteiro do público amante da vida noturna que foge do tradicional roteiro zona sul. A busca é por diversão em que a música, o ambiente e as pessoas estão totalmente desvinculados do que a moda dita. Mas longe de serem pedidas antiquadas ou chamadas bregas, são locais de gente descolada, que inventa o próprio figurino e está sempre antenada com o que rola no lado B da cidade. Vale a pena conferir.

Top Bar

No 24º andar do edifício Bandeirantes, situado na rua dos Tamoios, está localizado um dos bares mais antigos de Belo Horizonte: o Top Bar, 48 anos no mesmo endereço, um só proprietário, Humberto Cotta e uma exigência: avulsos não entram. Em compensação, casais são bem vindos. Já visitado por Caetano Veloso, que esteve lá na última vez em que veio à cidade, oferece algumas peculiaridades a seus freqüentadores. A vista panorâmica da cidade iluminada pode ser aproveitada através da janela de blindex. Privacidade não falta: as 50 mesas acompanhadas de sofás para apenas 2 pessoas são enfileiradas umas atrás das outras, de modo que não se vêem. “Alguns vêm aqui sem seus pares e não querem ser reconhecidos,” comenta Cotta. Na boate, cujo teto se assemelha a uma caverna, o repertório é variado e inclui músicas românticas. No espaço convivem faixas etárias que vão dos 20 aos 60 anos. No cardápio, 30 variedades de marcas de cerveja, tira-gostos e drinques coloridos. O destaque vai para o Beijo, à  base de suco de pêssego, licores e rum. A decoração da casa remete ao clima de filme anos 70. Diversão garantida.

Endereço: Rua dos Tamoios, 200/24º andar.
Capacidade: 180 a 200 pessoas

O Studio Bar

O bar, que tem espaço para shows, mezanino e área externa abriu a primeira vez em 1993. De cara foi um sucesso. Era dos poucos lugares da cidade que ofereciam, toda noite que estava aberto, música ao vivo: rock dos anos 60, 70. Em dezembro de 1999 fechou e deixou uma interrogação na cabeça da clientela fiel: será que vai reabrir? E agora, que lugar freqüentar? De lá para cá outras casas seguiram a trilha iniciada pelo Studio, que proporcionou a seu público momentos memoráveis. Como a visita de Marcelo D2, na época vocalista do Planet Hamp. Ele estava em BH para um show, que foi proibido. Então, apareceu no Studio acompanhado do cantor Bauxita. A diversão durou pouco: a polícia chegou e acabou com a festa. Mas quem esteve no bar aquele dia – a exemplo desta repórter – guardou a lembrança de uma noite peculiar em BH. Este ano o Studio Bar reabriu e seu público respirou aliviado; ufa, finalmente o bom filho à casa torna. Como foi no caso do contador Gustavo Caldeira de Paula Ricardo, que escolheu o bar para comemorar seus 37 anos.
“A música é ótima, as pessoas são bonitas e o fato de ser no centro é positivo, pois é uma alternativa para variar de ambiente.” Mais uma vez a música é o destaque, e não falta espaço para trabalhos autorais como das bandas Calix, Cartoon, do paulista Edwaldo Santana, da mineira Falcatrua e para covers de bandas que o tempo não enfraquece: Led Zepelin, Queen, Rolling Stones, Black Sabbat.

Endereço: Rua Guajajaras, 842 – atrás do Minascentro
Capacidade: 400 pessoas 

Conservatório Music Bar

A casa surgiu em 2002 com a proposta de proporcionar diversão aos belo-horizontinos por meio de diversidade cultural. Logo conquistou o público devido ao ecletismo da programação musical. No repertório, MPB, jazz, pop, rock e samba dão o tom dos shows que acontecem de terça a domingo. Dependendo da programação, filas na porta e casa lotada. Mas o público, que passa por várias faixas etárias, não se incomoda. Pelo contrário, o ambiente cheio é parte do charme despojado do lugar. Lançamento de CDs e presença de músicos de prestígio da cena mineira são constantes nas noites do Conservatório.

Endereço: Rua Timbiras, 2041
Capacidade: 250 pessoas

Paco Pigalle Bar

Nada menos do que 15 endereços e, em todos eles, sucesso. Assim é o Paco Pigalle Bar, casa noturna que tem como ponto altíssimo o ecletismo musical de seu proprietário, cujo nome batizou o lugar. Lá, tanto se pode dançar ao som de um rap do Uzbequistão quanto do forró francês misturado a guitarras inusitadas. E ainda há espaço para um pouco de Amy Winehouse. “Mas ignoro o que é fenômeno de moda, senão caio na mesmice. Eletrônica, não toco”, conta Pigalle, que há 20 anos está em BH, mas sempre rodando o mundo em busca de elementos para compor as trilhas que fazem sucesso e lhe renderam público fiel. A decoração é um capítulo à parte: ao invés de lustre de cristal, imenso adereço de garrafas pet, iluminação bastante colorida e uma atração cultural por noite. Pode ser uma dança árabe, espanhola, indiana. Lá, se encontram pessoas de todos os estilos e classes sociais. São as parcerias com rádios de Istambul, Milão, Londres que garantem a Paco estar sempre em dia com o que há de novo no universo musical. Dando preferência, claro, para o lado B.

Endereço: Av. do Contorno, 2314
Capacidade: 450 pessoas
 

Restaurante Rokkon: concorrência de casas não especializadas no entorno
Restaurante Rokkon: concorrência de casas não especializadas no entorno

Paulistano de nascimento mas com família e raízes em Belo Horizonte, Diniz afirma que teve a idéia da temakeria após uma viagem a Nova Iorque, onde o estilo é febre. Foi na Big Apple que os emigrantes japoneses se vi­ram obrigados a dividir espaço com gregos e turcos, inventores do kebab (feito com fatias de carne de boi, frango, cordeiro ou porco – algumas vezes todos juntos –, assadas em espeto giratório e servidas em um cone de pão árabe ou de pão-folha, acompanhado de creme de iogurte e/ou pasta de grão-de-bico). Daí surgiu o formato. A diferença para a iguaria é o tamanho (enquanto um kebab pode medir até 20 centímetros, o temaki raramente passa de 10), e, claro, os ingredientes.

Além da forma, o uso de alguns ingredientes locais na comida japonesa tornou-se polêmica nos últimos meses. Tudo começou no fim de 2006, quando representantes da Organização de Co­mércio Ex­te­rior do Japão (Jetro) criaram comissão que daria uma espécie de selo de qualidade para restaurantes realmente tradicionais. O movimento contrário a invenções gastronômicas começou justamente num dos mais tradicionais – e ao mesmo tempo inovadores – países do mundo, a França. A maior polêmica à época era o uso do foie gras (patê de fígado de ganso, uma das mais afamadas iguarias do país) no sushi. A organização estimava então que até 2009 haveriam cerca de 50 mil restaurantes japoneses no mun­do, o dobro de 2006.


 
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