Quarta, 19 de Junho de 2013
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Ciência

Um dia, a cura

Novos métodos diagnósticos e terapêuticos são importantes avanços contra o câncer

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Pedro Vilela


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André Murad: progressos nas principais áreas de combate ao câncer

As notícias mais animadoras vêm dos Estados Unidos: desde a década de 90, houve redução de mortes por câncer, de 18% entre homens e 10% entre mulheres. Já no Brasil, especialistas garantem que é preciso disponibilizar para  maior número da população os avanços nas quatro principais áreas de combate à doença: genética molecular, campo diagnóstico, técnicas de radioterapia e no arsenal terapêutico.

O coordenador do Serviço de Oncologia do Hos­pital das Clínicas da UFMG, do Centro de Oncologia do Hospital Lifecenter e do  Centro Avançado de Tratamento Oncológico (Cenantron), o oncologista André Márcio Murad, ressalta que, no caso da genética molecular, o mapeamento dos genes tem sido uma nova arma para detectar o câncer. “A origem da doença, na grande maioria dos casos, se dá por conta dos hábitos de vida e fatores externos. Há, entretanto, 10% a 15% influenciados pela genética”, afirma o oncologista. A indicação de fazer, ou não, mapeamento genético, deve ter orientação de um especialista.

Murad destaca que outra indicação mais recente para os testes genéticos é a chamada tecnologia de microarranjo para avaliação de indicação de quimioterapia complementar para tumores em que o risco de recaída não pode ser avaliado pelos métodos tradicionais. No Brasil, há um teste similar ao de câncer de mama Oncotype DX, o Mamagene, que analisa 21 genes relacionados a este tipo de do­ença. “Neste exame, é possível avaliar se a paciente deve receber, ou não, quimioterapia complementar ou adjuvante após a cirurgia e qual o risco de retorno da doença.”

No campo diagnóstico, os principais avanços são verificados nos re­cursos de imagens. Na área de radioterapia são a realização das sessões em aparelhos ultra-sofisticados, em técnicas de três dimensões (3D) e intensidade modulada de feixes de irradiação (IMRT). O resultado são radioterapias mais eficientes e se­­guras porque poupam órgãos e tecidos normais, co­mo bexiga e próstata. Há ainda as chamadas drogas inteligentes, consideradas o maior avanço do tratamento medicamentoso ao câncer. Essa nova geração tem seu efeito destrutivo exclusivamente nas células malignas, o que  preserva completamente as células normais do organismo.

No caso das drogas inteligentes, atualmente, o Centro de Oncologia do Hospital Lifecenter e o Hospital das Clínicas participam de vários estudos promissores com essas me­dicações. “A combinação de vários agentes com quimioterápicos tradicionais e dos mesmos com agentes alvo-específicos tem produzido aumento na sobrevida média de portadores de cânceres como os de mama, intestino, linfomas, pulmão e leucemias.” Mais alguns degraus na escalada da cura do câncer.

Somente este ano, a expectativa é que haja, entre dois dos principais tumores:

- 49 mil novos casos de câncer de mama
- 27 mil novos de intestino


 
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