As notícias mais animadoras vêm dos Estados Unidos: desde a década de 90, houve redução de mortes por câncer, de 18% entre homens e 10% entre mulheres. Já no Brasil, especialistas garantem que é preciso disponibilizar para maior número da população os avanços nas quatro principais áreas de combate à doença: genética molecular, campo diagnóstico, técnicas de radioterapia e no arsenal terapêutico.
O coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG, do Centro de Oncologia do Hospital Lifecenter e do Centro Avançado de Tratamento Oncológico (Cenantron), o oncologista André Márcio Murad, ressalta que, no caso da genética molecular, o mapeamento dos genes tem sido uma nova arma para detectar o câncer. “A origem da doença, na grande maioria dos casos, se dá por conta dos hábitos de vida e fatores externos. Há, entretanto, 10% a 15% influenciados pela genética”, afirma o oncologista. A indicação de fazer, ou não, mapeamento genético, deve ter orientação de um especialista.
Murad destaca que outra indicação mais recente para os testes genéticos é a chamada tecnologia de microarranjo para avaliação de indicação de quimioterapia complementar para tumores em que o risco de recaída não pode ser avaliado pelos métodos tradicionais. No Brasil, há um teste similar ao de câncer de mama Oncotype DX, o Mamagene, que analisa 21 genes relacionados a este tipo de doença. “Neste exame, é possível avaliar se a paciente deve receber, ou não, quimioterapia complementar ou adjuvante após a cirurgia e qual o risco de retorno da doença.”
No campo diagnóstico, os principais avanços são verificados nos recursos de imagens. Na área de radioterapia são a realização das sessões em aparelhos ultra-sofisticados, em técnicas de três dimensões (3D) e intensidade modulada de feixes de irradiação (IMRT). O resultado são radioterapias mais eficientes e seguras porque poupam órgãos e tecidos normais, como bexiga e próstata. Há ainda as chamadas drogas inteligentes, consideradas o maior avanço do tratamento medicamentoso ao câncer. Essa nova geração tem seu efeito destrutivo exclusivamente nas células malignas, o que preserva completamente as células normais do organismo.
No caso das drogas inteligentes, atualmente, o Centro de Oncologia do Hospital Lifecenter e o Hospital das Clínicas participam de vários estudos promissores com essas medicações. “A combinação de vários agentes com quimioterápicos tradicionais e dos mesmos com agentes alvo-específicos tem produzido aumento na sobrevida média de portadores de cânceres como os de mama, intestino, linfomas, pulmão e leucemias.” Mais alguns degraus na escalada da cura do câncer.
Somente este ano, a expectativa é que haja, entre dois dos principais tumores:
- 49 mil novos casos de câncer de mama
- 27 mil novos de intestino