Em 1995, a personagem da atriz Alicia Silverstone no filme As Patricinhas de Bervely Hills passou horas no salão de beleza antes de se submeter ao exame para obtenção da carteira de motorista. A alegação era que caso um dia morresse em um acidente de trânsito estaria bela na foto do documento, que normalmente é publicada no jornal. Na vida real – e nos tempos modernos – poucos dão uma passada no cabeleireiro e muito menos no maquiador antes de fazer uma foto para documentos. Até porque muitas 3 x 4 estão passando pelo photoshop antes do destino final, seja ele carteira de identidade, CPF e até crachá funcional.
“As pessoas já chegam à loja perguntando se tem photoshop”, conta Maria Cristina, gerente de uma loja especializada em revelação. “É claro que a foto ficará bem melhor. E ninguém quer levar por anos um documento com uma imagem sua ruim.” A bibliotecária Juliana Roberta Marques, 28 anos, decidiu investir 20 reais numa foto melhorada no photoshop. A 3 x 4 tradicional custa entre 8 e 10 reais. “Tenho espinhas no rosto e manchas e queria uma foto bonita para o passaporte”, relembra. Juliana soube do recurso por meio da irmã, Carla Cristina, 34 anos, que no ano passado pagou mais caro para fotografar toda a família, também para emissão de passaportes. “Minha irmã ficou linda. A mudança foi enorme”, comenta a bibliotecária, endossada por Carla Cristina, que ainda usa a imagem para outros fins.
De acordo com as empresas que oferecem o recurso de melhoramento da imagem por meio de softwares, essa manipulação não pode descaracterizar a pessoa, caso contrário, poderiam incorrer ao crime de falsidade ideológica. O objetivo é amenizar rugas, clarear olheiras e manchas e dá até para ajeitar aqueles fiozinhos de cabelos desalinhados ou arrepiados que comprometem o visual. E o melhor: fazer tudo sem culpa. Até porque photoshop deixou de ser pecado desde que foi revelado que as beldades também aceitam uma ajuda dos pincéis do software antes de posarem.