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CiênciaDNA ou bola de cristal?Exames genéticos prometem identificar doenças que as pessoas vão desenvolver no futuro. Alguns especialistas dizem não ser possível tamanha precisão, por enquanto
Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Arte: Paulo Werner / Divulgação
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Não é diagnóstico líquido, certo. Há as variáveis, o não-conhecimento de todo o mapeamento genético, a ansiedade que um exame deste tipo causa. “Fazemos avaliação de três horas, com equipe multidisciplinar, analisamos a história hereditária, e a partir daí tomamos a decisão de qual exame indicar”, diz o geriatra Eduardo Gomes, diretor da rede de clínicas Anna Aslan, onde a estilista Juliana Jabour se submeteu ao teste de DNA. Lá são feitos seis tipos de exames, que apontam risco desde cânceres, obesidade, hipertensão, trombose, osteoporose a doenças do coração. Há a coleta de sangue em salas amplas, com TV de plasma por todos os lados, e enviado ao laboratório Genova Diagnostics, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Após 30 dias, o resultado é encaminhado à clínica, que chama o paciente. “Mostramos todas as alterações no DNA e a melhor prática terapêutica”, afirma. O que, em sua maioria, se atém à alimentação, à atividade física, à redução do estresse. Mas esta mudança de estilo de vida pode alterar o risco de se ter doença genética? Eduardo Gomes diz que sim e justifica com pesquisa realizada nos Estados Unidos com 30 pacientes que tinham câncer na próstata na fase inicial. Foi analisado o comportamento genético antes e depois do tratamento à base de mudança de estilo de vida, sem cirurgia ou medicamento. Após três meses, constataram que houve alteração para melhor: 18 genes tiveram sua expressão aumentada e 388, reduzida. “Os genes que estimulavam o câncer foram desligados e outros religados; e isto em três meses.” Há como alterar o que se vê no espelho genético. Disto os especialistas concordam, uns agora, outros quando o código genético estiver totalmente decifrado, com seus modelos a apontar a possibilidade do risco de alguma enfermidade. A corrida desta nova era rumo ao varejo da genômica começou. O diretor da Anna Aslan estuda abrir clínica em Belo Horizonte no próximo ano; a 23andMe, que oferece o serviço nos Estados Unidos, avalia a possibilidade de atender pacientes no Brasil. Tudo para saber o que ocorre dentro do corpo, nas entranhas. Mesmo que os resultados ainda gerem desconfiança de alguns especialistas. |
Por dentro do corpoOs testes genéticos são dois - Os específicos para determinada doença, que são feitos em várias clínicas no Brasil - Os gerais, que vasculham o corpo à procura de mais de 80 doenças. Eles verificam as modificações genéticas na saliva ou no sangue coletado do paciente - Nos Estados Unidos, a pessoa interessada acessa o site das empresas (23andMe e Navigenics) e recebe em casa material de coleta de saliva. Envia ao laboratório e de quatro a oito semanas poderá acessar as informações no endereço eletrônico - No Brasil, há coleta de sangue. Preços 23andMe | 999 dólares. Analisa riscos de 83 doenças Navigenics | 2.500 dólares. Examina 21 enfermidades. Se o paciente quiser atualizar o teste anualmente terá de pagar 250 dólares pelo período Genovations | De 894 a 2.994 reais. Oferece seis pacotes de exames, que apontam desde aterosclerose, obesidade, derrame, cânceres, fadiga crônica, asma, doenças do coração a baixa densidade óssea. Fonte: Clínicas Anna Aslan, 23andMe e Navigenics |