Segunda, 21 de Maio de 2012
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Beleza

Viva a casca de laranja

Você pode até tentar, mas dificilmente vai acabar com a celulite. Então, uma salva de palmas para ela

Texto: Renata Turra | Fotos: Daniel de Cerqueira, Nélio Rodrigues e Keystone


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Não adianta tentar fugir. Se você é mulher, em algum momento da vi­da estará na mira da celulite. O tiro é ainda mais certeiro naquelas que já saíram da adolescência e estão alguns quilinhos acima do peso. Mas quando o assunto são os inde­sejáveis furinhos em locais, digamos, pouco apropriados do cor­po, nem mesmo as atletas e celebridades escapam. Basta lembrar das imagens da modelo Daniella Sa­­rahyba divulgadas recentemen­te em um site de notícias. Nas fotos, ela aparece correndo na praia de Ipa­nema exi­bindo pernas que poderiam ser consideradas perfeitas, não estivesse lá o festival de ondulações.

A verdade é que as mulheres, por fatores hormonais, foram premiadas pelo destino a terem maior predisposição ao acúmulo de gordura (é a partir dela que é produzido o estrógeno, o principal hormô­­nio feminino). Somado a isso, a própria estrutura do tecido que aju­da a sustentar a gordura feminina, ao contrário dos homens, favorece o aparecimento de glóbulos que dão aquele aspecto de enchimento de colchão à pele. Como a celulite acontece pela inflamação das células gordurosas, logo as mulheres estarão sempre mais propensas a desenvolver o proble­­ma. E há, ainda, a tendência genética e racial – as brancas estão mais sujeitas que as negras ou as asiáticas. “Quem não tem, ainda terá”, diz, bem-humora­do, o endocrinologista Pau­­lo Fernando Meira. As es­tatísticas dão o seu veredicto final – aproximadamente 85% das mulheres apresentam algum grau de celulite.

E como o que não tem remédio, remediado está, muitas des­sas mulheres resolveram colocar os biquínis e sair a público. Elas não estão nem aí para as imperfeições que a natureza reservou para seus corpos. No Rio de Janeiro, por exemplo, estrelas da televisão aderiram à campanha de uma revista feminina cujo mote é Eu tenho celulite. Beldades como Ju­liana Paes, Carol Castro e Grazi Massafera assumem que não são assim tão perfeitas como parecem.

A relações-públicas mineira Milena Pedrosa aplaude o movimento. Ela, que alguns anos atrás chegou a fazer tratamento à base de injeções para tentar combater a celulite, desaconselha quem procura ajuda nas clínicas de beleza. Hoje, faz ginástica em uma academia. “Bus­co muito mais o bem-estar físico e mental. Não caio mais nas imposições da estética”.

Esse é, sem dúvida, o caminho mais sensato para encarar o proble­ma, segundo Luciana Baptista Pereira, membro da Sociedade Bra­sileira de Dermatologia. Ela afirma que apenas com a prevenção é possí­vel tornar a celulite quase imperceptível, o que inclui, claro, controlar a alimentação para manter-se no peso adequado. “Emagrecer, pra­­­ticar ati­vidades físicas, evitar o consumo de álcool e cigarros e controlar a ansiedade é o que leva aos melhores resultados”. Melhores, prin­cipalmente, para a saúde, que fique claro. A médica é radical quan­to a tratamentos invasivos que não têm comprovação científica e podem provocar efeitos colaterais.

Então, a questão é relaxar? Nem sempre. Especialistas alertam que, em graus muito avançados, a celulite pode comprometer a circulação das pernas e gerar dor, incômodo e até o risco de formação de vari­zes e tromboses. “Aí é preci­so estancar o processo inflamató­rio e corrigir com procedimentos estéticos e até cirurgias”, expli­ca o endocrinologista Paulo Meira.

Conselhos médicos e campanhas à parte, o certo é que, em se tratando do sexo feminino, em muitos casos a vaidade continua falando mais alto. A arquiteta Lu­ciana Catão constantemente se preocupa com a celulite, que diz ser tendência familiar. “Fiz vários tratamentos diferentes, mas nunca chegava a uma melhora considerável”, reconhe­ce. Agora, acha que encontrou a fór­mula certa – reeducação alimen­tar, aliada a uma técnica cha­­ma­da vela shape, que está sendo aplicada por uma fisioterapeuta com formação em dermato-funcional. Se as marcas serão ame­niza­das ou não, é o de menos. O melhor tratamento continua sen­do re­laxar e gritar, para quem quiser ouvir: Eu tenho celulite, e daí?


Luciana Catão: aposta em nova técnica para combater a celulite
Luciana Catão: aposta em nova técnica para combater a celulite

Você não está só

85% das mulheres possuem algum grau de celulite

Milena Pedrosa: em busca do bem-estar físico e mental
Milena Pedrosa: em busca do bem-estar físico e mental

Classificação

A última classificação sobre celulite considera 5 aspectos importantes: 
- número de lesões deprimidas 
- profundidade das lesões deprimidas 
- aparência clínica da celulite 
- grau de flacidez e, como último item, a atual classificação dos graus de celulite

Cada um destes aspectos pode ter nota zero a três. A soma resulta em uma classificação final, sendo:
- de 1 a 5, celulite leve; de 6 a 10, celulite moderada e mais de 11, celulite grave


 
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