Não adianta tentar fugir. Se você é mulher, em algum momento da vida estará na mira da celulite. O tiro é ainda mais certeiro naquelas que já saíram da adolescência e estão alguns quilinhos acima do peso. Mas quando o assunto são os indesejáveis furinhos em locais, digamos, pouco apropriados do corpo, nem mesmo as atletas e celebridades escapam. Basta lembrar das imagens da modelo Daniella Sarahyba divulgadas recentemente em um site de notícias. Nas fotos, ela aparece correndo na praia de Ipanema exibindo pernas que poderiam ser consideradas perfeitas, não estivesse lá o festival de ondulações.
A verdade é que as mulheres, por fatores hormonais, foram premiadas pelo destino a terem maior predisposição ao acúmulo de gordura (é a partir dela que é produzido o estrógeno, o principal hormônio feminino). Somado a isso, a própria estrutura do tecido que ajuda a sustentar a gordura feminina, ao contrário dos homens, favorece o aparecimento de glóbulos que dão aquele aspecto de enchimento de colchão à pele. Como a celulite acontece pela inflamação das células gordurosas, logo as mulheres estarão sempre mais propensas a desenvolver o problema. E há, ainda, a tendência genética e racial – as brancas estão mais sujeitas que as negras ou as asiáticas. “Quem não tem, ainda terá”, diz, bem-humorado, o endocrinologista Paulo Fernando Meira. As estatísticas dão o seu veredicto final – aproximadamente 85% das mulheres apresentam algum grau de celulite.
E como o que não tem remédio, remediado está, muitas dessas mulheres resolveram colocar os biquínis e sair a público. Elas não estão nem aí para as imperfeições que a natureza reservou para seus corpos. No Rio de Janeiro, por exemplo, estrelas da televisão aderiram à campanha de uma revista feminina cujo mote é Eu tenho celulite. Beldades como Juliana Paes, Carol Castro e Grazi Massafera assumem que não são assim tão perfeitas como parecem.
A relações-públicas mineira Milena Pedrosa aplaude o movimento. Ela, que alguns anos atrás chegou a fazer tratamento à base de injeções para tentar combater a celulite, desaconselha quem procura ajuda nas clínicas de beleza. Hoje, faz ginástica em uma academia. “Busco muito mais o bem-estar físico e mental. Não caio mais nas imposições da estética”.
Esse é, sem dúvida, o caminho mais sensato para encarar o problema, segundo Luciana Baptista Pereira, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ela afirma que apenas com a prevenção é possível tornar a celulite quase imperceptível, o que inclui, claro, controlar a alimentação para manter-se no peso adequado. “Emagrecer, praticar atividades físicas, evitar o consumo de álcool e cigarros e controlar a ansiedade é o que leva aos melhores resultados”. Melhores, principalmente, para a saúde, que fique claro. A médica é radical quanto a tratamentos invasivos que não têm comprovação científica e podem provocar efeitos colaterais.
Então, a questão é relaxar? Nem sempre. Especialistas alertam que, em graus muito avançados, a celulite pode comprometer a circulação das pernas e gerar dor, incômodo e até o risco de formação de varizes e tromboses. “Aí é preciso estancar o processo inflamatório e corrigir com procedimentos estéticos e até cirurgias”, explica o endocrinologista Paulo Meira.
Conselhos médicos e campanhas à parte, o certo é que, em se tratando do sexo feminino, em muitos casos a vaidade continua falando mais alto. A arquiteta Luciana Catão constantemente se preocupa com a celulite, que diz ser tendência familiar. “Fiz vários tratamentos diferentes, mas nunca chegava a uma melhora considerável”, reconhece. Agora, acha que encontrou a fórmula certa – reeducação alimentar, aliada a uma técnica chamada vela shape, que está sendo aplicada por uma fisioterapeuta com formação em dermato-funcional. Se as marcas serão amenizadas ou não, é o de menos. O melhor tratamento continua sendo relaxar e gritar, para quem quiser ouvir: Eu tenho celulite, e daí?