Segunda, 21 de Maio de 2012
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Turismo

Muito além de Machu Picchu

O Peru reserva outras várias surpresas aos visitantes, a começar pelo lago mais alto do mundo, cenários andinos deslumbrantes e uma riqueza cultural sem fim

Texto: Nayara Menezes | Fotos: Nayara Menezes


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Ao contrário do que muitos pensam, não é só Machu Picchu – uma das sete maravilhas do mundo – que compõe a beleza e a magia do Peru. Outros lugares encantadores fa­zem do país sul-americano uma viagem no tempo. Apesar de pequeno, o país surpreende os visitantes pela enorme diversidade. Pai­sa­gens fascinantes ­po­­­dem ser vistas de norte a sul. As belezas vão desde a costa, passam pela selva amazônica, pelos Andes e chegam à serra peruana.  

Há alguns anos, os pacotes padrões para o Peru incluíam apenas Cuzco e suas redondezas, como o Vale Sagrado e ruínas incas, além de Machu Picchu. Em geral, as viagens tinham duração de no máximo quatro dias. Ainda hoje esse é um roteiro bastante procurado. Mas, se você tem um tempinho a mais, não pode deixar de conhecer outras cidades e povoados no país que reservam belezas e encantos que vão muito além de Machu Picchu.


Puno e Ilhas de Uros

Capital do folclore peruano, Puno é um desses locais que valem a pena de serem incluídos no roteiro de viagem. Loc­a­­lizada nas serras andinas, a cidade abriga o lago navegável mais alto do mundo – o Titicaca. Dividido entre o Peru e a Bolívia, ele está a 3810 metros acima do nível do mar. No lado peruano, existem diversas ilhas, onde moram os nativos da região. En­tre as mais conhecidas estão Amantaní, Taquile, Soto y Ana­pia e as Ilhas de Uros. Estas últimas merecem uma visita à parte.

Fugindo do conceito de terra firme, as Ilhas de Uros flutuam sobre o lago Titicaca. Formadas por camadas de totora, uma espécie de capim, elas se movem e balançam os 365 dias do ano. São cerca de 20 ilhas, que abrigam de três a 10 famílias cada. As casas primitivas são também construídas com totora. A energia elétrica passa longe dali. Os Uros, indígenas peruanos, vivem da pesca, do artesanato e do turismo local, já que despertam a atenção de todos os que passam por Puno.

Outro passeio imperdível é navegar no lago mais alto do mundo a bordo de um barco de totora. Ao chegar a qualquer uma das ilhas, as nativas recebem os turistas fazendo a maior festa, cantando e acenando para eles. A alegria dos Uros é contagiante. Mesmo vivendo de forma precária, a energia positiva e os sorrisos estampados não deixam dúvidas de que eles conhecem bem o sentido simples da palavra felicidade.

 

Sobre a região

Localização: Sul do Peru na fronteira com a Bolívia
Altitude: 3.827 metros
População: 225 mil habitantes

Atrativos
- Catedral 
- Museo Carlos Dreyer 
- Mirante Kuntur Wasi 
- Mercado Popular, onde se pode comprar artesanatos típicos com ótimos preços
- Reserva Nacional do Titicaca 
- Lago Titicaca 
- Ilhas Flutuantes de Uros 
- Ilha Amantaní 
- Ilha Taquile

Imagem: Keystone
Imagem: Keystone

Arequipa

Localizada em meio a um vale formado pelas montanhas desérticas dos Andes peruanos, está a cidade de Are­quipa. Como está a 2,3 mil metros de altitude, é o local ideal para visitar na chegada ao Peru e ir se ambientando com a altura. Com cerca de 850 mil habitantes, é conhecida por ser uma cidade de jovens e ter vida cultural intensa. Museus e igrejas não faltam por ali. Devido à bela arquitetura clássica, Arequipa foi inscrita na lista de cidades Patrimônio Mundial da Humanidade. A maioria dos edifícios foi construída com uma rocha vulcânica de cor branca, comum na região, denominada sillar, o que dá a Arequipa seu segundo nome – A Cidade Branca.

No centro histórico se pode conhecer a Plaza de Armas, considerada a mais bela praça do país. A igreja cate­dral é um dos elementos principais desse cenário. Outro interessante ponto turístico é o Museu de Santuários Andinos. Nele estão expostos objetos de muitos séculos, que contam um pouco sobre a cultura inca. Mas a atração principal fica por conta da famosa múmia Juanita – a Menina dos Céus. Ela foi descoberta em 1995 e o bom estado de conservação do corpo impressionou os estudiosos. Os cientistas acreditam que as baixas temperaturas do interior do vulcão ajudaram a mantê-la conservada. Mas a lenda local reza que seu bom estado é um milagre dos deuses.

Sobre a região
Localização:
Sul do Peru, em meio aos Andes
Altitude: 2,3 mil metros
População: Cerca de 850 mil habitantes

Atrações
- Plaza de Armas, considerada a praça mais bonita do Peru
- Monastério de Santa Catalina 
- Museu Santuarios Andinos 
- Complexo Chávez de la Rosa

Chivay e Colca

A 160 km da capital Arequipa está o município ou povoado de Chivay, porta de entrada para o cânion de Colca, uma das mais belas paisagens do Peru. O passeio até Chivay pode ser feito em vans ou ônibus especiais e dura cerca de três horas. Durante o percurso, po­de-se apreciar as alpacas, lhamas e vicunhas, animais típicos da região e de grande valor econômico. Usados na gastronomia e na indústria têxtil, eles são protegidos pelas leis ambientais, por estarem ameaçados de extinção.

Entre  Arequipa e Chivay uma cena comum são as peruanas vendendo seus artesanatos na beira da estrada. Peças, como mantas, gorros, lenços e luvas são confeccionadas da lã de alpa­­ca ou de lhamas.

Ao chegar aos povoados de Chivay e Yanque, a impressão que se tem é que os lugarejos foram esquecidos no tempo. Emolduradas por montanhas, as cidades se resumem a poucas ruelas com casinhas simples e uma praça principal, onde se pode observar  construções coloniais e igrejas barrocas. Uma sugestão é se hospedar no hotel Collahua, em Yanque. Não há televisão, rádio, telefone ou qualquer outro meio de comunicação nos chalés com lareiras e vista para a montanha. Um verdadeiro convite para esquecer-se da vida ou, por que não, pensar nela.

Outra preciosa dica é acordar bem cedo para seguir em direção ao cânion Colca e chegar a tempo de apreciar o voo dos condores. As enormes aves che­gam a medir três metros, de ponta a ponta das asas, e a pesar quase 15 quilos. Com sorte, é possível observá-las bem de perto quando dão seus voos rasantes próximos ao cânion. Uma ima­gem bonita de ver e impossível de  esquecer.

Ilha Taquile

É a maior e uma das mais bonitas ilhas da região. De seu ponto mais alto, se avista todo o lago Titicaca. As casas onde vivem os taquilenhos são praticamente taperas, sem nenhum conforto. Mas são as tradições do período pré-inca e o modo de vida da população que mais chamam a atenção. O antigo código moral dos incas ainda prevalece ali: Ama Sua (não roube), Ama Quella (não minta) e Ama Llulla (não seja folgado). Quem descumpre é penalizado e pode ser expulso da ilha. Outro fato curi­oso é que os políticos do local são voluntários. Os homens da ilha fabricam seus próprios gorros, usados para diferenciá-los de acordo com seu estado civil e condição social. As cores indicam se são solteiros ou casados e as formas se são homens comuns ou alcaides, como são chamados os políticos. Na ilha os visitantes têm a oportunidade de se hospedar por dois ou mais dias na casa de um morador e conhecer o modo de vida local. Aliás, uma experiência inesquecível.

 
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