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EspecialTerceiro setor em alertaOrganizações não governamentais já começam a sentir reflexos da crise e milhões de pessoas pobres e doentes no mundo podem deixar de ser atendidas
Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Alexandre Brum, Pedro Kirilos
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Diretora da Fundação Ford no Brasil, Ana Toni afirma que os reflexos da crise são inevitáveis e devem atingir as ONGs e fundações em maior e menor proporção. Essa medida dependerá do tipo de organização: se o orçamento for vinculado ao lucro de empresas, ela terá menos recursos. As organizações menores, que dependem de doações de pessoas físicas e de empresas, devem sentir mais8 fortemente esses reflexos. “Para essas, há uma séria probabilidade da diminuição de sua sustentação. Isso é muito ruim. É um retrocesso”, observa. A própria Fundação Ford, que tem um fundo de reserva de 14 bilhões de dólares de onde saem os recursos para projetos em todo o mundo, viu esse dinheiro diminuir para 9 bilhões por estarem aplicados no mercado financeiro. A consequência será a redução da ajuda dos atuais 230 para 120 projetos, somente no Brasil. Já o diretor nacional adjunto da Visão Mundial, Eduardo Nunes, observa que atualmente a indefinição para o setor tem sido a principal consequência da crise. “Não há grandes impactos, ainda, mas as perspectivas não são boas.” Ele salienta que qualquer decisão quanto a cortes de investimentos a projetos deve levar em consideração principalmente o que isso significará para a população pobre. “No último Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) nossa tentativa foi de mostrar que os pobres não entraram em crise porque simplesmente nunca saíram dela”, ressalta. Para Nunes, o atual momento para as ONGs é o de analisar e monitorar esse impacto da crise junto a essa população pobre. E também reduzir gastos. Geralmente, uma ONG já trabalha no limite, mas este é um momento para adiar, pelo menos por alguns meses, qualquer gasto. Há ainda outra perspectiva, segundo Ana Toni: a de ONGs pensarem em projetos afins e fazer parcerias para a manutenção de suas iniciativas. “O momento é o do trabalho conjunto”, diz. A ONG Doutores da Alegria, por exemplo, diz em nota assinada por seu presidente, Wellington Nogueira, que está “somando esforços para multiplicar resultados” e buscando uma articulação com outras organizações para retomar as ações no Rio de Janeiro. “É necessário um novo modelo de atuação, mais abrangente e sustentável”, completa Nogueira. Para o presidente do Instituto da Criança, Pedro Werneck, a crise anda mesmo assombrando o terceiro setor. “Minha dúvida é sobre o que vai pesar mais: se a consciência sobre a responsabilidade social ou se a preocupação de como a crise irá se abater sobre a empresa.” Neste aspecto, pelo menos de uma colaboradora do instituto, a resposta foi negativa. “Em uma conversa, a colaboradora foi muito enfática ao dizer que reduziria seus investimentos e que não faria nenhum tipo de ação social neste momento”, diz. Porém, em sua opinião, esse deve ser um fato isolado. Werneck argumenta que atualmente as empresas têm consciência da importância dos projetos do terceiro setor. “Esses recursos representam moradia, educação, alimentos e seria um impacto muito grande se algo drástico acontecesse. Quero acreditar, se tudo ficar realmente crítico, que o próprio governo tomará alguma medida para o setor.” |