No Brasil, país campeão de estimativa, segundo Paulo Okamoto, presidente nacional do Sebrae, estima-se que dez milhões de micro e pequenas empresas, incluindo-se aí o microempreendedor individual, atuam na informalidade. Criar um ambiente de negócios em que a informalidade deixará de ser um bom negócio, é o objetivo do governo que vai procurar, a partir de agora, estimular a legalização das atividades.
Paulo Okamoto diz que a formalidade não é a única preocupação do Sebrae que trabalha agora para evitar que a crise econômica tenha impacto forte no segmento. Para ele, são boas as perspectivas de que micro e pequena empresas se saiam bem da crise pois estão mais voltadas para o mercado interno que, até agora, não sofreu retração. Aos que, por causa da crise, estão perdendo seus empregos, ele aconselha: cuidado para não perder dinheiro abrindo seu próprio negócio. O ramo do empreendedorismo, adverte Okamoto, não admite mais amadorismo.
A crise econômica já afeta diretamente o setor produtivo brasileiro. O que o Sebrae pode fazer para que micro e pequena empresas não sejam tão afetadas?
Aquelas setores mais afetados pela crise, em particular em regiões muito dependente de exportação, o Sebrae pode ajudar a interpretar a realidade, as oportunidades que estão acontecendo naquela região e com isto fazer com que os empresários tenham melhores orientações de como aproveitar esta crise que está afetando vários setores. Em geral o Sebrae tem trabalhado permanentemente para melhorar a competitividade, como forma de criar produtos e serviços mais baratos e com isto aumentar a possibilidade de consumo de nossa população, o que certamente vai mover a economia, gerando mais empregos e mais renda.
Mas, até que ponto micro e pequena empresas podem ser afetadas pela crise, considerando que elas têm características bem peculiares?
As micro e pequena empresas têm a característica de oferecer produtos e prestar serviços à população. É ela quem cuida da alimentação da população, do lazer, do comércio, do vestuário, da saúde da população. Então, se as rendas das pessoas se mantêm, se o crédito se mantém, as chances das empresas que prestam serviço nesta ordem entrarem na crise é muito pequena, isto porque as pessoas vão continuar comendo, precisando da saúde, de divertimento etc. O consumo se mantém e, portanto, os negócios também. O que nós vamos precisar buscar alternativas e outros cenários é para empresas que trabalham como fornecedoras de outras empresas, ou exportadora direta, pela maior dificuldade de exportar.
Mas, por outro lado, com o dólar mais alto, surgem novas oportunidades, pois alguns produtos que o Brasil importava, hoje ficam mais caros comprar e, portanto, abre a chance de produzir aqui. Então o importante é ficar ligado, ter um acompanhamento permanente de sua situação econômica para aproveitar as oportunidades que existem e devem ser utilizadas.
Como interiorizar estas oportunidades, abrir caminho para as micro e pequena empresas que atuam no interior?
O Sebrae tem trabalhado permanentemente, cada vez mais, a capacidade de atender gente. Nós temos, por exemplo, a Central de Relacionamento, que oferece aos empresários a oportunidade de ter serviço de consultoria, orientações, informações por telefone. Este é um instrumento importante, pois a cada dia estamos agregando mais conhecimento, mais tecnologia, mais valor para fazer com que as pessoas tenham, em qualquer lugar do Brasil, por meio de um único número, informações e esclarecimentos. Temos também o nosso portal de orientações. Agora criamos uma nova forma de atendimento. Decidimos não mais esperar os empresários procurar o Sebrae. Estamos formando um conjunto de agentes de inovações que vai procurar as empresas para ajudar a inovar em processo, em produtos, levar idéias enfim, fazer com que o nosso empresário tenha mais conhecimento e com isto melhorar sua empresa.
Nos momentos de crise, quando ocorrem demissões, a tendência de quem fica desempregado é pegar o que recebeu de indenização e abrir um negócio, tentar se tornar empresário. O senhor já detecta esta situação?
Eu espero que isto não aconteça. Espero que o Brasil continue crescendo, que diminua cada vez mais as taxas de desemprego. Nós precisamos entender que o empreendedorismo é uma possibilidade de as pessoas terem renda, mas é também de perder recurso. E para que isto não aconteça é preciso que esta pessoa tenha preparo. É necessário que ela se prepare para montar o seu negócio, se não, ele monta seu negócio sem estar baseado no mercado, sem ter capital de giro suficiente para aquele tipo de atividade. Enfim, pode perder tudo o que empregou. Se a pessoa quer ter um negócio, ela pode montar sua empresa, mas deve antes procurar o Sebrae para ter orientações. É preciso ser profissional. No ramo do empreendedorismo a pessoa deve ter muito profissionalismo. Não existe mais espaço para amador.