Em tempos de filmes que chegam primeiro na internet para só depois aportar nos cinemas, os exibidores têm tido mais trabalho para manter o público nas salas de projeção. Se os lançamentos antes bastavam como isca para atrair espectadores, hoje o desafio para as grandes redes é reinventar as salas como espaço insubstituível para a experiência cinematográfica. Grande aposta para os próximos anos, o 3D é ponto-chave desta estratégia. O primeiro cinema 3D da América Latina foi aberto em São Paulo no fim de 2006 e, desde então, a tecnologia se espalhou por salas no Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia e, agora, Minas.Só na capital paulista, 12 cinemas foram equipados com a tecnologia nos últimos dois anos. Em Belo Horizonte, a Cinemark inaugurou em fevereiro a primeira sala com projeção 3D, no Cineplex do BH Shopping. Mesmo com ingressos que custam quase o dobro do que os das salas convencionais – em média, 20 reais – e ainda poucos filmes no cardápio, os cinemas com tecnologia tridimensional atraem um público curioso em conferir a evolução do sistema.
Com os antigos óculos de papelão e lentes coloridas, a sensação de tridimensionalidade era reduzida pela baixa definição das cores, perda de luminosidade e cansaço dos olhos após uso prolongado. Além de terem evoluído, agora os óculos não são descartáveis e sim devolvidos após a sessão. Depois de higienizados em uma máquina especial, eles são reutilizados. A projeção também ganhou em qualidade. No Brasil é realizada por meio de diferentes tecnologias: o Real D e o Dolby Digital.
Inaugurada em janeiro deste ano em São Paulo, a primeira sala brasileira padrão Imax tem tela tão grande e sistema tão real de projeção 3D que, na exibição do filme Fundo do Mar 3D, acompanhada pela Viver Brasil, era só olhar em volta para ver o público tentando pegar peixinhos no ar com as mãos. São 16 metros de altura por 22 de largura – cerca de três vezes o tamanho da tela comum – aliados ao sistema de projeção Rolling Loop, com duas faixas de filmes que correm simultaneamente pelo projetor a 24 quadros por segundo. A tecnologia permite que cada frame fique imóvel quando projetado, evitando cenas tremidas ou borradas. “A sensação do 3D é potencializada pela tela, que ajuda no ambiente de imersão. Temos realmente a impressão de que a imagem interage com o espectador”, comenta o editor de livros Leonardo Lago, depois de assistir ao filme pela primeira vez na Imax.
E enquanto grandes diretores, como Steven Spielberg e Tim Burton, preparam seus próximos lançamentos em três dimensões, o 3D está prestes a invadir a TV digital. O boom da tecnologia se reflete em estudos como o apresentado na última edição da Consumer Eletronics Shows (CES), em Las Vegas, que mostra que 15% do público entrevistado havia visto pelo menos um filme em 3D nos últimos 12 meses. Com a multiplicação de salas e filmes tridimensionais já em processo, o público só tende a crescer.
A rede Cinemark, por exemplo, aposta na ampliação deste mercado como trunfo para 2009. Com 48 complexos no país, o grupo já instalou a tecnologia em quatro salas da capital paulista. “Para este ano estão programados 13 novos filmes a serem exibidos em 3D, entre eles: A era do gelo 3, Avatar e Toy story 1”, anuncia Marcelo Bertini, presidente da Cinemark Brasil. A concorrente PlayArte também promete pelo menos uma sala 3D nos cinco novos complexos previstos para a capital paulista em 2009. É o tridimensional chegando com tudo às salas de cinema no país.
Serviço
- Cineplex BH Shopping (Sala 3): BR-356, 3.049, loja OP 47
- Ingresso (inteiro) sessão 3D:
De segunda a quinta-feira: R$ 15
Sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 19