Segunda, 21 de Maio de 2012
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Artigo

2010: Uma Odisséia na Política

Fernando Henrique joga no ar a falsa premissa de que exista uma fila na política, na qual Aécio esteja atrás de Serra

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

No pleito para governador de Minas Gerais de 1994, toda a mídia dava como favas contadas que o hoje ministro Hélio Costa seria eleito ainda no primeiro turno. Um grupo de políticos, preocupados com a sorte do senador Eduardo Azeredo, foi ao Palácio das Mangabeiras trocar idéias com o então governador Hélio Garcia, que na oportunidade recebia amigos, onde estava presente um empresário que me relatou o que agora lhes conto. Ao ser indagado sobre o que ocorreria após a derrota de seu candidato à sua sucessão, o enigmático Hélio Garcia sorriu, colocou a mão no ombro de seu interlocutor e respondeu: “Vamos virar essa eleição, menino. Não se preocupe com o fato de que nosso candidato tenha somente 16% de intenção de votos nas pesquisas, contra 66% do oponente. Isso é mero detalhe. Existem cargos que desempenhamos por estar em nosso destino, simplesmente. E está no destino do Eduardo Azeredo que ele seja governador”. Incrédulos, todos os presentes acharam que a velha raposa da política mineira estava delirando. E muitos manifestaram a descrença naquelas previsões. Resultado: não deu outra. Eduardo Azeredo foi para o segundo turno e ganhou a eleição com relativa margem de folga sobre o favorito do primeiro turno. Hoje, toda a mídia vaticina que José Serra deva ser o candidato do PSDB. Fernando Henrique, contrariando sua própria trajetória (lembram que ele atropelou Mário Covas, como candidato à Presidência?), joga no ar a falsa premissa de que exista uma fila na política, na qual Aécio esteja situado atrás de Serra. Sua tese é negada pelo próprio fato de ter ocupado a Presidência da República, eis que à sua frente, na fila, estaria o governador Mário Covas. Esse contexto me evoca a lição transmitida pela enigmática raposa política, o ex-governador Hélio Garcia, que afirmava que o desempenho de certos cargos se atrelava ao destino. E, coincidência ou não, o atual governador de Minas repete à exaustão essa máxima: Presidência da República é destino. E ao insistir na tese das prévias dentro do PSDB, paradoxalmente, pavimenta, com ética, eventual mudança de sigla partidária. Nessa sua odisseia, rumo a 2010, encontra como forte aliado aquele que tinha em seu destino ocupar a Presidência da República: José Sarney. Existe uma concentração de influências e uma expectativa de todos os mineiros de que Aécio Neves, mestre da resiliência, pegue essa bandeira e persiga o destino que, à undécima hora, ao abandonar seu avô Tancredo Neves, favoreceu aquele que, agora, pode abrigá-lo dentro do PMDB. Ironicamente, nesse desenho de cenário, o mesmo destino que antes virou as costas ao atual ministro das Comunicações, agora começa a lhe sorrir. O calendário político fixa o final de setembro como tempo de definição. Enquanto isso, a candidatura Dilma Rousseff cresce a olhos vistos. O tempo urge. Esse mesmo tempo que, segundo Shakespeare, é muito lento para quem espera, muito rápido para aqueles que têm medo, muito longo para quem lamenta e muito curto para aqueles que comemoram.

 
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