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ViolênciaUma arma na multidãoNove de julho, boate Swingers, em BH: policial fora de serviço dispara três tiros e fere uma pessoa. Até que ponto a combinação álcool, porte de arma de fogo e aglomeração de pessoas deve ser tolerada?
Texto: Daniele Hostalácio | Fotos: Arte: Paulo Werner e Alexandre C. Mota
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O problema é que a lei não faz nenhuma observação sobre o porte de armas em situações nas quais o policial está a lazer e onde o álcool é importante item de consumo – como nas casas noturnas. Mesmo se optar por não beber, ele estará num ambiente no qual muitos ingerem álcool e, por isso, os conflitos não costumam ser raros. O presidente nacional da Associação Brasileira de Bares (Abrasel), Paulo Solmucci, entende que o uso de armas de fogo em boates e bares, quando o policial está à paisana, não se justifica. “Nesses casos, ao invés de proteger os cidadãos, ele estará colocando-os em risco. Assim como a sociedade tem lutado para estabelecer que álcool e direção não se misturam, álcool e armas de fogo também não devem se misturar”, avalia. Para ele, o policial que entra armado num ambiente de diversão, quando está de folga, não o faz pensando na segurança do público. “Ele o faz com outro objetivo e quer criar constrangimento”, diz. Episódios envolvendo armas de foto e casas noturnas só poderiam ser evitados se fosse possível impedir que qualquer pessoa pudesse entrar armada num ambiente fechado, repleto de pessoas – incluindo, nesses casos, policiais de folga. “Quando alguém bebe, o álcool desce, as emoções sobem”, observa o advogado Stanley Martins Frasão, sócio da Homero Costa Advogados e conselheiro da OAB. “Poderíamos pensar numa solução como a dos filmes de faroeste, em que os cowboys depositavam suas armas antes de entrar nos bares. Só que essa decisão exigiria que as casas noturnas tivessem espaço apropriado para receber esse material”, pontua. Se essa preocupação existe, quando se trata apenas de policiais, imagine se a prerrogativa do porte de armas, fora do expediente, se estender a outras pessoas. Stanley realizou uma pesquisa, no final do ano passado, apontando que, por volta do mês de outubro de 2008, havia vários projetos de lei no Congresso Nacional, pedindo a autorização do porte de arma para diferentes categorias profissionais, como oficiais de Justiça, advogados e defensores públicos. Em algumas situações, mesmo fora do serviço – como no caso dos agentes e guardas prisionais, agentes portuários e integrantes de escoltas de presos. “Minha pesquisa pretendia avaliar como estava essa questão, desde o plebiscito que deu origem ao Estatuto do Desarmamento”, explica Frasão. “Como essa lei não proibiu o comércio de armas, o que está acontecendo é que entidades e categorias profissionais que por algum motivo se sentem desprotegidas desarmadas, estão fazendo lobby junto ao Congresso para que possam garantir o porte de arma – ou em casa, ou no carro ou junto ao corpo”, conta. Isso, aos poucos, lembra o advogado, pode ir armando novamente a população civil, o que diverge do desejo da sociedade, expresso no plebiscito. Procurada pela reportagem da Viver Brasil para contribuir na discussão sobre o tema, a Polícia Civil, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que preferia não se manifestar, pelo fato de que a matéria citaria o episódio envolvendo um policial da esfera militar. |