Segunda, 21 de Maio de 2012
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Mercado Financeiro

Todo o aval

Operações de crédito consignado como os realizados pelo Banco Bonsucesso, a terceira maior instituição privada do país no convênio com o INSS, ajudaram a movimentar a economia brasileira em tempos de crise

Texto: Flávio Penna | Fotos: Alexandre C. Mota


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Paulo Henrique Pentagna Guimarães: 90 bilhões de reais em créditos concedidos

Fundado em novembro de 1992, o Banco Bonsucesso é hoje uma das maiores instituições brasileiras no setor de crédito consignado. São mais de um milhão de clientes, 600 mil dos quais aposentados, o que faz do banco o terceiro maior, entre os privados, no convênio com o INSS. Clientes de outros 200 convênios são atendidos diretamente e por uma rede de correspondentes bancários com mais de 2,6 mil postos. De família com tradição no setor bancário (os Pentagna Guimarães foram fundadores, em 1930, do Banco Minas Gerais, que operou até 1974, quando foi vendido), Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do Bonsucesso, atribui ao crédito consignado, foco principal das operações de sua instituição, uma das principais razões pelo crescimento do crédito no Brasil. “Temos estoque perto de 90 bilhões de reais de créditos concedidos a pessoas que, sem ele, estariam fora do mercado consumidor. Estes recursos, sem dúvida, ajudaram a movimentar nossa economia, dando dinamismo ao mercado interno e fazendo com que não dependêssemos tanto das exportações.”

Frederico Penido, vice-presidente da instituição, destaca que o consignado, pela simplicidade de sua concessão, atinge exatamente quem está sem atendimento no mercado bancário, seja por causa da renda e até mes­mo por problemas de outras dívidas. “Nossos empréstimos são de menor monta, 2 mil, 2,5 mil reais, para pagamento em 60 meses, na média. Além disto, ao contrário dos bancos de varejo, não exigimos que nossos clientes tenham outras relações bancárias, como conta corrente, aplicações ou seguros para liberar empréstimos. Até mesmo quem tem problemas com seu crédito pode obter empréstimo consignado. Mas a maior vantagem que oferecemos é, sem dúvida,  as taxas de juros, muito abaixo das praticadas pelos bancos nos empréstimos tradicionais. Isto porque trabalhamos com risco muito menor e baixo índice de inadimplência.”

A especialização, segundo Paulo Henrique, é outro fator que contribui para que o Bonsucesso ofereça taxas atraentes para os tomadores de consignados. Afinal, o banco está focando grande parte das suas operações neste tipo de empréstimo e, por isso, tem conhecimento do produto e do perfil de seus consumidores.


Frederico Penido e Fábio Drumond, do Bonsucesso: baixo índice de inadimplência
Frederico Penido e Fábio Drumond, do Bonsucesso: baixo índice de inadimplência

Para melhor atender seu público, o banco oferece ainda o cartão de crédito consignado para consumidores de alguns dos convênios. Hoje são 100 mil clientes do cartão, que tem a bandeira Visa, mas a projeção é de que em um ano se atinja a meta de 200 mil clientes, segundo Frederico Penido. “O cartão de crédito consignado Bonsucesso/Visa tem taxa de financiamento muito inferior aos cartões comuns. Temos inadimplência baixa, pois o valor mínimo da fatura é descontado na folha de pagamento. A segurança do sistema assegura condições de juros baixos”, diz. Penido não tem dúvidas de que o crédito consignado foi um dos principais respon­sáveis pela sustentação da eco­nomia. Para ele, o sistema ainda tem espaço para crescer muito, embora a grande demanda de consignado esteja atendida. O crescimento se dará, aposta o vice-presidente, com a incorporação de outros segmentos, além dos aposentados e dos ativos do serviço público, através de convênios. O banco cuida agora de expandir suas operações junto aos empregados da iniciativa privada, onde há demanda reprimida de crédito, devido aos juros cobrados pelo sistema bancário.

Paulo Henrique Pentagna Guimarães também destaca a importância do crédito consignado na economia brasileira, mas não esconde sua preocupação com algumas das regras impostas pelo governo federal para este tipo de operação. “Não há qualquer dúvida de que o produto é sucesso absoluto, pois foi através dele que mais de 20 milhões de pessoas tiveram acesso ao crédito.  Hoje temos o estoque de 90 bilhões de reais que ajudaram a movimentar a economia. Mas, apesar disto, vejo, com certa preocupação, a necessidade de mudanças nas regras de alguns convênios. Entendo que os órgãos deveriam celebrar com os bancos convênios com regras que assegurem a redução da inadimplência e não com imposição de redução de taxas por fixação de teto. Esta forma pode causar sérios problemas ao sistema.”

Diretor executivo de relações institucionais, Fábio Drumond acredita que esta questão, que reconhece importante para o sistema, terá uma solução. Ele aposta na capacidade de ação do Banco Central. “O Banco Central tem dado respostas rápidas ao país e, sem dúvida, ajudado em muito neste momento de crise. Aliás, todo o governo, e em especial a equipe econômica tem tido comportamento exemplar neste momento. O presidente Lula tem se mostrado sintonizado e com enorme capacidade de liderança. Acredito que o Brasil sairá fortalecido desta crise, pois tem hoje governos capazes. Um exemplo é Minas, onde o governador Aécio Neves tem realizado uma administração reconhecida por todos como a melhor das últimas décadas no estado”


 
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