O mundo já se prepara para uma nova fase de crescimento. Há quem aposte na possibilidade de países como Brasil e China saltarem à frente na corrida da nova fase do processo econômico. Os indicadores brasileiros divulgados ultimamente sinalizam que o pior já está passando e o país caminha para o primeiro estágio que é o da recuperação. A crise não foi apenas uma marola como inicialmente tentou-se fazer crer, com o objetivo de não espalhar um pessimismo maior e mais devastador, mas também não foi a tsunami, porque profetas apocalípticos previam. No primeiro trimestre do ano, se o produto interno bruto da indústria caiu 9,3%, em relação a idêntico período de 2008, os serviços cresceram 1,7%, em função, especialmente, do segmento de outros serviços, englobando, os prestados às empresas, às famílias, de alojamento e alimentação, doméstico e de manutenção e reparação, cuja expansão foi de 7%.
Todavia, para sair na frente dessa nova corrida, é preciso que esteja preparado para alcançar um desenvolvimento sustentável, no sentido mais amplo da expressão. Isso pressupõe uma série de condicionantes e investimentos que, simultaneamente à aceleração da atividade econômica, propiciará mecanismos para que gargalos não surjam dificultando ou, pior, impedindo a expansão da economia. Ainda é arriscado fazer um prognóstico do tempo de duração do período de recuperação da economia, pois muitos ajustes ainda precisam e serão feitos, quer alguns queiram ou não. E essa acomodação levará a perdas e ganhos, sempre tendo em mente a limitação do crescimento seja da economia como um todo, seja de corporações isoladamente.
Se há essa sinalização, os agentes precisam estar atentos para não perder o trem bala da história, pois uma economia diferente já está em desenvolvimento, forçando um repensar de conceitos e atitudes. Uma lição tirada é que não há como crescer ou bater metas constantemente. Em algum momento, acomodações ocorrerão, mas tendo previsão disso o impacto será menor. Nessa linha de raciocínio, é fundamental o investimento na modernização do processo produtivo, com introdução de novos conceitos. Assim, é preciso pensar a formação de profissionais de níveis superior e médio capazes de assumir funções nos diversos segmentos do setor produtivo. Este e o mundo acadêmico precisam analisar como será a economia pós-crise e, assim, lançar luzes sobre qual o tipo de profissional estará apto e será capaz de assumir determinadas funções.
A qualificação, tendo em vista o interesse do mercado e considerando a capacidade e as oportunidades de desenvolvimento, torna-se um imperativo nesse momento de mudanças. É importante para o país investir na formação de profissionais superiores, mestres e doutores e criar condições para que tenham onde aplicar seus conhecimentos porque de nada vale um número excessivo de profissionais com essas qualificações, forçando o excedente a atuar em segmentos que um técnico com nível de formação acadêmica inferior é capaz de atender em melhores condições. O investimento em infraestrutura é igualmente fundamental. É preciso ter energia suficiente, sistema de comunicação eficiente e rápido, rodovias e ferrovias capazes em boas condições e seguras, para transportar pessoas e produtos. É preciso investir em armazéns e portos e aeroportos modernos, com custos otimizados. Mais do que explorar a vocação, é importante descobrir e explorar o potencial de cidades ou regiões, para que não fiquem na dependência da monoprodução ou atividade única, o que torna mais difícil qualquer processo de recuperação.