Segunda, 21 de Maio de 2012
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Estética

Fora de época

Cravos e espinhas costumam atormentar também os adultos, mas soluções existem, e para todos os bolsos

Texto: Elisângela Orlando | Fotos: Pedro Vilela


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Ludmila Bonelli com Jeannine: tratamento intensivo para combater a doença

Ela ainda é o terror dos adolescentes, mas tem deixado muitas balzaquianas de cabelo em pé. E que os homens não pensem estar livres de suas garras, pois ela não discrimina ninguém. Sem a atenção devida, é capaz de deixar marcas profundas. Vários fatores podem levar ao seu aparecimento, mas muitos estudiosos concordam que o estresse tem sido preponderante para que isso ocorra, principalmente entre adultos. Inimiga número um de uma pele bonita e saudável, a acne tem afetado cada vez mais pessoas que, há muito, deixaram a adolescência. Mas não há motivos para desespero: a medicina moderna já dispõe de diversas armas contra essa vilã implacável.

Ferramentas que ajudaram a médica ginecologista Jeannine Louise de Lacerda Fóscolo, 35, a recuperar a auto-estima e a evitar constrangimentos profissionais, já que, no consultório, era obrigada a atender muitas pacientes em busca de soluções para o mesmo problema. Ela demorou dois meses desde o aparecimento das primeiras espinhas para procurar ajuda profissional. “Pensei que poderia se tratar de um episódio simples e passageiro de acne a que todos nós estamos sujeitos.”

Estava enganada. Dessa vez, a acne trouxe problemas mais sérios para Jeannine. “Não queria sair de casa nem para trabalhar”, relembra. Há quatro meses, decidiu procurar tratamento especializado. Fez sessões de luz pulsada, peeling de diamante e químico. Tornou-se adepta da limpeza de pele, mudou a alimentação, seguindo os princípios da medicina ortomolecular, e hoje não abre mão do protetor solar. “Os resultados têm sido bastante positivos.”

O aparecimento da acne em pessoas adultas é sinal de que há problemas no sistema imunológico da pele. Quem afir­ma é a fisioterapeuta dermato-funcional Ludmila Bonelli. Ela explica que alterações na imunologia da epiderme podem ser provocadas por diversos fatores, como exposição excessiva ao ar condicionado e ao sol, por exemplo. Quan­do isso ocorre, há produção de  sebo, que torna a pele ambiente propício para a reprodução de bac­térias que, em excesso, resultam na acne. 

Especialista em regeneração da pele, Ludmila afirma que existe uma cultura de relacionar o aparecimento da acne a alterações de ordem hormonal. Ela destaca, porém, que essa é apenas uma parcela pequena dos casos, ao contrário do que ocorre com o estresse. “Quando a pessoa está cansada ou estressada, a pele se contrai e pressiona a glândula sebácea, fazendo com que a pele fique mais oleosa, propiciando a multiplicação de bactérias que causam a acne.”

Essa tese talvez explique o caso da promotora de eventos Aline Cunha, 28. Dona de uma pele de pêssego na adolescência, há quatro anos começou a apresentar acne. O momento coincidiu com uma série de mudanças na vida de Aline. “Meu marido foi morar em outro país, tive de aprender a cuidar da minha filha sozinha e havia mudado de profissão”, conta. Ela admite que ainda não conseguiu arrumar tempo para tratar da pele de forma adequada. E confessa que não resiste em mexer nas espinhas e que, por isso, ganhou algumas marcas no rosto. A maquiagem é a saída que encontrou quando tem de lidar cara-a-cara com os clientes. “Eles nunca reclamaram.”

A herança genética também pode ser fator determinante para o aparecimento da acne. De acordo com a dermatologista paulista Ana Cristina Fasanella, do Hospital Albert Einstein, o estresse emocional e o ciclo menstrual alterado, no caso das mulheres que tem ovários policísticos, podem ser outros agravantes. Ela alerta que homens que tiveram acne na 8
adolescência e não fizeram tratamento podem continuar tendo o problema na fase adulta. Ainda conforme a dermatologista, a acne costuma ser mais severa nos homens do que nas mulheres, tendo baixa incidência entre orientais e negros e sendo rara em chineses.

Apesar de haver controvérsias no meio científico quanto à associação da alimentação ao surgimento do problema, para a especialista Ludmila Bonelli o consumo excessivo de açúcar influi diretamente no aparecimento das temíveis espinhas. Ela explica que o acúmulo dessa substância no sangue inflama o organismo e também a pele. Esse talvez seja um dos motivos que ligam o estresse à acne. “O cortisol é o hormônio do estresse e se transforma em açúcar no organismo.”

Mas com a evolução da medicina estética, hoje, há tratamentos para todos os bolsos. Tudo depende do tipo e da quantidade de acne que a pessoa possui. Os mais simples são os sabonetes e loções dermatológicas, que combatem o excesso de sebo já produzido, e substâncias esfoliativas, que atuam limpando os poros. Em alguns casos, a dermatologista Ana Cristina Fasanella diz que é necessário o uso de antibióticos sobre a pele ou até mesmo via oral. Tratamentos com aparelhos sofisticados também estão sendo bastante usados nas clínicas de estética. Ludmila frisa que, em todos os casos, o primeiro passo deve ser a limpeza de pele manual com um profissional especializado. Após avaliação rigorosa, determina-se qual a técnica mais indicada para cada situação.

Um dos métodos menos agressivos, segundo Ludmila, é a terapia com LEDs, que utiliza luzes que matam a bactéria e estimulam a regeneração celular. O preço de uma sessão pode variar de 50 a 250 reais e são necessárias de 10 a 20 para obtenção de um bom resultado. Outra técnica é a luz pulsada. A fisioterapeuta dermato-funcional assinala que se trata de um procedimento um pouco mais agressivo que traz resultados após seis a oito sessões – cada uma sai por 150 a 250 reais. Já as seqüelas deixadas pela acne geralmente são tratadas com peeling de abrasão, que lixa a pele de forma superficial, sem provocar sangramento. Cada aplicação custa entre 100 e 150 reais. Como se vê, o que não faltam são ferramentas para acabar com esse enfeite tão indesejado.


Formação da acne

O sebo, substância oleosa produzida pelas glândulas sebáceas, atua como lubrificante natural da pele. Quando produzido em excesso, no entanto, pode obstruir o canal de escoamento das glândulas, inflamando-as, o que dá surgimento a cravos e espinhas. Por vezes, as glândulas bloqueadas infeccionam – o pus e o sebo acumulam-se sob a pele, formando espinhas maiores ou quistos que deixam cicatrizes ou pequenas marcas.

Estatísticas
Na fase adulta, cerca de 1% da população masculina apresenta acne, ao passo que 5% das mulheres acima dos 25 anos sofrem com o problema.

Tipos de acne
Do ponto de vista clínico, ela pode ser classificada em cinco graus diferentes, de acordo com sua gravidade:

Grau 1 - Comedônica
Caracterizada pela existência de comedões ou cravos. Ainda que hajam algumas pápulas e pústulas, é possível ser enquadrada neste grau

Grau 2 - Pápulo-pustulosa
Nesse caso, há comedões, pápulas e ritematosas (avermelhadas) e pústulas. A intensidade é variável, indo desde raras lesões até as numerosas, com intensa inflamação

Grau 3 - Nódulo-cística
Existem comedões, pápulas e pústulas, mas também de nódulos furunculóides, também chamados de cistos, causados pela reação inflamatória que atinge a profundidade do folículo até o pêlo, podendo
ocorrer pus

Grau 4 - Conglobata
Trata-se de uma forma mais grave, onde há numerosos nódulos purulentos, formando abscessos e fístulas. Em geral, neste grau, a acne atinge face, pescoço, peito, costas, e pode chegar à região glútea

Grau 5 - Fulminans
Bastante rara e provoca febre, leucocitose (o aumento de células de defesa no sangue) e poliartralgia (dor nas articulações).

Fonte: Dicionário de Medicina Natural, publicado pela Reader´s Digest e especialistas


 
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