Segunda, 21 de Maio de 2012
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Especial

Brechó virtual

Ele se multiplica na internet, mas alguns cuidados devem ser observados tanto para quem quer vender como para quem quer comprar

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Robson Regato e Daniel de Cerqueira


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Aline: o blog é um estímulo para as pessoas visitarem o brechó

Sabe aquela peça que você vê numa liquidação e fica simplesmente apaixonada? Só que chega à casa e percebe que ela não ficou tão bem em você. Ou o sapato comprado por impulso, um número menor. Ou ainda a roupa que você até gosta, mas não usa há algum tempo. Pois é... Ao invés de deixá-los ocupando espaço no guarda-roupa, uma boa opção é repassar, de forma vantajosa, essas peças para a frente. Os brechós e bazares virtuais começaram de forma tímida na internet e, agora, é possível encontrar dezenas de blogs que têm em comum peças de boa qualidade de marcas famosas como Arezzo, Gucci, Colcci, Le Soulier, Farm, Lenny e Cia, Levi’s, Diesel.

Uma dessas blogueiras é a univeritária Ana Luiza Mello, que criou o blog A Brecholenta. “Doei bastante coisa e escolhi as melhores peças para vender no blog. A maioria foi usada somente uma vez ou nunca saiu do meu guarda-roupa”, diz. Já no caso da publicitária Cristiana Guerra tudo começou com as peças que utilizava no cotidiano. Ela criou o blog Hoje Vou Assim, em que a publicitária, uma aficionada em moda, podia mostrar suas produções diárias. “Comecei a ganhar muito público. Meu armário virou objeto de desejo.” O blog deu tão certo que passou a ganhar peças de estilistas e lojas, interessadas na vitrine em que o Hoje Vou Assim se transformou, com quatro mil acessos mensais. Daí para a criação de um bazar virtual foi um pulo. Nascia o Filet pra Quem É Mignon. Há algum tempo, Cristiana não posta peças novas por causa da correria do dia-a-dia. “É muito trabalhoso. Tenho que fotografar todas as peças, colocar no blog, entrar em contato com as pessoas que se interessaram, negociar, mandar a roupa por sedex”, diz.

Há ainda o caso de empresárias que montaram um brechó virtual para ajudar nas vendas da loja física, caso do Brechó Déjà Vu, em São Paulo. “O blog é um estímulo para que as pessoas possam visitar a loja e conhecer todo o acervo”, diz a proprietária Aline Fonseca Rabelo.

Em todos os bazares, as peças têm preço que é acrescido do valor do frete – há um programa dos cor­reios que faz o cálculo, dependendo do local de moradia da compradora. Quando há interesse por uma peça, a visitante deve fazer um comentário manifestando sua intenção. Se em 72 horas não entrar em contato, a peça fica disponível novamente no blog. O acerto da venda é feito geralmente por e-mail e é finalizado com os dados da conta bancária da dona do bazar virtual.

Os negócios são feitos também entre blogueiras, que trocam peças entre si. “Às vezes, relaciono algumas que gostaria de adquirir. É muito comum fazermos trocas entre brechós”, diz Sabrina Santos Neolácio, do A Feira Brechó. As blogueiras têm até fóruns em que discutem assuntos dos blogs. “São sempre para a melhoria de nossas páginas”, avisa a designer Daniele Lages.


Cristiana: tudo começou com as peças que utilizava no dia-a-dia
Cristiana: tudo começou com as peças que utilizava no dia-a-dia

Aliás, a navegabilidade costuma ser problema em boa parte desses brechós virtuais. A estilista e professora de história da arte e cultura brasileira Cristina Ávila analisou cinco blogs para esta reportagem. A primeira impressão não foi das melhores. Não gostou das páginas, consideradas confusas, que misturam roupas já compradas com outras em oferta. Há, também, poucas informações sobre medidas e nenhuma informação sobre etiqueta de composição das peças. “Os preços são vertiginosamente contraditórios e discutíveis. Não há atrativos visuais, nem peças em destaque”, observa.

Portanto, antes de começar uma pesquisa que pode durar horas – sim, são páginas e mais páginas – é bom tomar alguns cuidados. Cristina avisa que, em primeiro lugar, compras em brechós não são fáceis de fazer, ainda que se possa encontrar itens bons e baratos. “É preciso saber garimpar e entender um pouco de tecidos, custo e benefício da peça, necessidade ou desejo de tê-la e tempo útil da mesma”, diz. Ela manda correr de peças que tenham viscose e viscolycra em sua composição – “elas costumam ficar deformadas e com a marca do corpo da dona anterior, com apenas uma ou duas vezes de uso. Prefira as peças de algodão.” Cristina também não compraria em nenhuma hipótese vestido de festa sem experimentar antes. “Costureiras boas são difíceis de achar.”

Todos esses detalhes são importantes na hora da compra, porque se há uma norma que vale para todos os brechós virtuais é que não são aceitas devoluções de peças. Isso não significa que as vendedoras dos blogs estão insensíveis ao impacto da roupa nas compradoras. A estudante de engenharia de produção Angélica Alves de Brito, do Bazar da Artéria, faz questão de embrulhar a peça em papel bonito, enviar uma cartinha, acompanhar o resultado da compra. “Acabo fazendo amigas. Tenho clientes que já fizeram mais de duas compras comigo.”


 
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