Devoção e arte compartilhadas. A colecionadora Ângela Gutierrez vai dividir com o público o seu reconhecido encanto pelas imagens de Sant’ Ana, venerada no catolicismo como a mãe da Virgem Maria e avó de Jesus Cristo. As 260 peças que ela reuniu em mais de 30 anos serão expostas em um museu, idealizado pela colecionadora, especialmente dedicado à Sant’Ana. “É uma iconografia muito especial, a imagem é da mãe ensinando à filha”, traduz. O espaço, que vai funcionar em uma antiga cadeia pública da histórica Tiradentes, será o primeiro museu totalmente destinado à santa no Brasil e no mundo.
As peças, que datam do final do século XVII ao século XIX, procedentes de várias regiões do Brasil, serão doadas ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ou seja, além de disponíveis para a apreciação do público, as obras eruditas e populares passarão a fazer parte da história e do patrimônio do país. “A cadeia pública que vai sediar o museu foi construída na primeira metade do século XVIII e já passou por uma restauração. Agora, será adequada para receber a coleção”, adianta Ângela.
Ela conta que foi justamente sua paixão pelo tema e sua devoção à santa protetora da fecundação, dos lares, da família e dos mineradores que motivaram a idéia, já antiga, de colocar sua imagens em exposição permanente. Emoção e beleza permeiam o acervo, segundo a colecionadora, composto por peças anônimas, esculpidas em madeira, pedra ou terracota, que evidenciam, ainda, a presença feminina no cristianismo.
Ângela Gutierrez completa, em dezembro, três anos de outra experiência pioneira, o Museu de Artes e Ofícios, o único do Brasil dedicado ao trabalho, às artes e aos ofícios. Também iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, o acervo do museu também é resultado da doação, por parte da colecionadora, de mais de duas mil peças relativas ao tema.