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EconomiaConsumir ou não consumir?Eis a questão. Esse e outros dilemas fazem parte das reflexões dos brasileiros após os primeiros efeitos da crise na economia do país
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: SXC, Pedro Vlela, Nélio Rodrigues
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Foi uma decisão acertada, na opinião do economista da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Fábio Gallo. Primeiro, ele remete à economia macro para falar que, sim, seria catastrófico para o país não haver consumo. “As empresas produziriam menos, haveria menos postos de trabalhos, menos vendas. É um ciclo complicadíssimo que pode trazer uma estagnação com deflação de preços”, diz. Por outro lado, quando o caso são as finanças pessoais, Gallo diz que a hora para os consumidores é de cautela, se querem ir ao consumo. “O momento é o de fazer a velha pergunta ao ir às compras: eu preciso, ou eu quero isso? Se for preciso, então tudo bem. Mas se não for, que o gasto seja com muita consciência e dinheiro no bolso”, diz. O engenheiro civil Marco Antônio Coutinho, 55, integra esse perfil de consumidor. O sonho para o réveillon era sete dias em Paris com a esposa, com uma passagem rápida pela bela e histórica Bruxelas. Tudo se encaixava perfeitamente nos planos, mas Coutinho sentiu que a viagem poderia virar um pesadelo. Não pelo preço das passagens, hospedagem, já fechados aqui no Brasil; tudo por causa da crise e seu impacto no câmbio. “Só imaginava os gastos da viagem e a minha surpresa quando voltasse das férias”, diz. |
Por enquanto, uma crise potencial no consumo é descartada pelo professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite. Para ele, o grande problema do país, neste momento, é outra retração, a do crédito. É nesta hora que uma bola de neve pode se formar, afetando diretamente o crescimento da economia, já que com menos capital disponível há diminuição de investimento, desaceleração das contratações e redução do consumo pela população.Para Leite, os primeiros passos para 2009 incluem uma recomposição do crédito, que levará pelo menos três meses trazendo, sim, uma retração no consumo, com impacto no PIB. “Mas no segundo semestre do ano acredito que o crédito será restabelecido.” O professor de economia do Ibmec, Eduardo Coutinho, reforça que para os empresários que comercializam bens de consumo e necessitam da concessão de crédito, a crise está sendo pior. “Há de fato uma precaução por parte dos consumidores, a da compra a prazo.” Coutinho acha desnecessária a idéia de uma interferência como a sugerida pelo presidente, com uma campanha estimulando o consumo. “Qual seria o benefício disso? É preciso pensar. A decisão de compra é individual e, neste momento, varia de caso a caso, de acordo com a condição do consumidor”, analisa. A verdade é que os economistas evitam a futurologia para o país em 2009. É cedo para falar em recessão ou para descartá-la completamente. Do lado dos consumidores, o publicitário Khacyos Rezende espera que em março todas as previsões positivas possam se concretizar e finalmente o sonho de ter uma sede nova de sua agência e mudar-se para um novo apartamento se transformem em realidade. “A crise atrapalhou o processo de expansão da minha empresa, mas estou otimista. Em março já estarei em nova sede”, diz. O engenheiro Marco Antônio preferiu não esperar tanto: trocou Paris por Fortaleza. A crise trouxe boas notícias pelo menos para o filho do casal: o réveillon, antes restrito aos pais na capital francesa, agora está liberado para o garoto nas praias brasileiras. |