Depois de 30 anos de exploração inadequada e fechada há 18 meses, a Mina do Morro do Brumado, localizada em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pode estar prestes a se transformar em uma espécie de novo Parque das Mangabeiras. O projeto foi apresentado em reunião na Assembléia Legislativa durante a primeira semana de dezembro. Para ser aprovado, ainda precisa apresentar estudos técnicos mais detalhados ao Ministério Público Federal, mas as expectativas para a retomada do empreendimento já movimentam a comunidade local.
O responsável pela empreitada é a Mineradora Serra Azul (MSA), subsidiária do grupo AVG. O investimento previsto é de 55 milhões de reais, com três panoramas de exploração. "O mais importante é que esta decisão seja tomada rapidamente, porque do jeito que está, o risco de um desmoronamento, em especial agora, na época das chuvas, é muito grande”, afirmou o deputado Fábio Avelar (PSC), que requisitou a reunião.
De acordo com o diretor do grupo AVG, Ronaldo Gontijo, depois de comprar a área da antiga mineraçao Brumafer, impedida de explorar o local depois de uma série de ações propostas pelo Ministério Público Federal, existem três cenários para a exploração sustentável do local. “A primeira, e mais viável, prevê a retirada de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro em 25 anos de atividades”, diz Gontijo. A exploração, neste caso, iria até 2033, quando o terreno, transformado em parque, seria entregue à administração do poder público.
A partir daí, a proposta apresentada é a criação de um centro de convenções com um parque poliesportivo, com vista da serra da Piedade. O centro, elaborado aos moldes do parque das mangabeiras, poderá abrigar congressos, aulas de educação ambiental, reuniões e pequenos shows. Será equipado com restaurante com vista panorâmica e playground para crianças, além de quadras poliesportivas, campo de futebol, pista de patins, skate e bicicross. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração Mineral de Minas Gerais (Sindextra), Fernando Coura, a mineração é um câncer na serra da Piedade, que deve ser combatido rapidamente. "São empresas como a Brumafer que acabam com a moral do setor de exploração mineral. Nosso trabalho é deixar claro que a atividade minerária sem devastar é possivel e desejável", destaca.
De acordo com a procuradora do MPF em Minas, Zeli Cajueiro, que acompanha o caso desde 2003, o projeto a princípio é bom, mas a documentação e os aspectos técnicos ainda devem ser estudados pelo Ministério Público. "Teremos que ser muito criteriosos na exploração desses processos.” Para o deputado Almir Paraca (PT), a presença do MP como agente do processo é uma segurança. "Precisamos garantir o reparo deste mal praticado contra o meio ambiente até pelo perigo das chuvas", afirma. Segundo o deputado Wander Borges (PSB) é importante destacar que a mineração destruiu não o morro do Brumado, mas a serra da Piedade, um dos cartões postais do estado e parte importante da Estrada Real. E essa é exatamente uma das preocupações do presidente do conselho deliberativo do Programa Estrada Real, Eberhart Hans. "O que queremos é que haja uma solução economicamente viável, para que esta chaga seja coberta." Segundo ele, quando os técnicos da Estrada Real receberam o projeto de recuperação apresentado pela AVG e pelo Sindiextra, a reação foi de confiança. "É um estudo excelente, com viabilidade.”