Desde que modelos magérrimas tomaram conta das passarelas e passaram a ditar os padrões internacionais de beleza, perder peso tornou-se verdadeira obsessão para as mulheres. E para alcançar a máxima do quanto mais fina melhor, a primeira providência é, quase sempre, fechar a boca. Acontece que, quando o assunto é dieta, a corrida pelo corpo perfeito tem um preço que pode sair alto para a saúde. Muito. Tentar emagrecer com regimes milagrosos e sem a orientação médica adequada pode causar problemas que vão desde desnutrições leves até os já alardeados distúrbios alimentares graves, como a anorexia e a bulimia. Mas no meio desse caminho há muitas complicações provocadas pelas dietas descontroladas.
As famosas dietas da proteína, aquelas segundo as quais consumir qualquer tipo de carboidrato é considerado pecado mortal, sobrecarregam os rins e, no longo prazo, podem levar à insuficiência renal. “Além disso, como as fontes de proteína normalmente também são ricas em gorduras, esses regimes podem aumentar os níveis de colesterol”, explica a nutricionista Leda Passos Guimarães, especialista em nutrição humana e saúde do Hospital Arapiara, em Belo Horizonte. Seguir o caminho contrário, ou seja, comer somente proteínas, também é desaconselhado. A ausência desse nutriente por um período maior de tempo pode levar a quadros de anemia pela carência de ferro.
Sem contar os incômodos mais rápidos que os cardápios que restringem determinados grupos de alimentos podem trazer, como unhas fracas, queda de cabelo, cansaço e irritabilidade. “São sinais que muitas vezes aparecem em pouco tempo, uma ou duas semanas”, afirma Leda. A nutricionista condena ainda o uso de medicamentos sem orientação médica com a finalidade de emagrecer. As anfetaminas, por exemplo, que tiram o apetite, ajudam a queimar as reservas de glicose armazenadas nos músculos. O resultado é a diminuição do percentual de massa magra. “A pessoa acaba tendo a falsa impressão de emagrecimento porque perde musculatura, mas o percentual de gordura fica mais alto”, analisa.
E engana-se quem pensa que por um corpinho mais esbelto vale a pena correr os riscos. Que o diga a juíza Júnia Marra, que até hoje se arrepende de um 8 regime feito por conta própria na adolescência. “Passava o dia inteiro comendo apenas biscoito água e sal. Na hora do almoço, o prato era folhas e um pequeno pedaço de carne”, conta. Conseguiu emagrecer, é verdade. Mas pagou um preço alto. A dieta prejudicou o funcionamento de glândulas hormonais e ela ficou um ano sem menstruar. “Visitei vários médicos até descobrir a causa. Depois disso, passei a cuidar melhor da saúde. Regimes, agora, só com orientação profissional.” A ginecologista Alessandra Ceravolo esclarece que a restrição alimentar severa interfere no funcionamento hormonal e pode levar, sim, à supressão da ovulação e da menstruação. “A amenorréia (ausência de menstruação) hipotalâmica é comum em pessoas que passam por uma perda acentuada de peso em curto espaço de tempo”, explica.
É por tudo isso que a palavra dieta já foi substituída nos consultórios de médicos e nutricionistas por reeducação alimentar. “A mudança de hábitos deve ser sempre acompanhada por um profissional”, alerta o endocrinologista Paulo Augusto Carvalho Miranda. Regimes muito severos para perda de peso, normalmente abaixo de 1000 calorias diárias, estão em desuso. O valor calórico ideal a ser consumido varia com as necessidades e objetivos de cada paciente. Uma coisa, porém, é consenso: “O cardápio precisa incluir todos os grupos alimentares e não ficar aquém do limite mínimo de ingestão de 1200 a 1400 calorias diárias. E deve estar associado à prática de exercícios físicos regulares”, diz Miranda.
Para ter certeza de que a alimentação está adequada, uma dica dos especialistas é colorir o prato. Como cada classe de nutriente possui uma cor característica, refeições coloridas significam maior variedade de substâncias essenciais ao bom funcionamento do corpo. Além disso, é importante diminuir o volume e aumentar o número de refeições durante o dia para cinco ou seis, pelo menos.
Foi o que fez a publicitária Simone Raposo Faquineli quando descobriu que estava com o colesterol alto e que precisava emagrecer. Ela confessa que tentou várias vezes fazer a dieta sozinha. Sem sucesso, rendeu-se à ajuda médica, e hoje comemora os sete quilos perdidos em três meses. “Aprendi a escolher melhor os alimentos e a comer apenas nas horas certas, em pequenas quantidades”, conta.
Atitude que ajuda na saúde e na beleza. Afinal, além de todos os problemas que os regimes descontrolados provocam, o lado estético também fica comprometido. “As dietas transitórias não são suficientes para perder peso de forma sustentada. Mesmo que a pessoa consiga emagrecer, as chances de recuperar os quilos perdidos são grandes”, conclui Miranda. Em outras palavras, o tiro pode sair pela culatra.