Quarta, 22 de Maio de 2013
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Saúde

De olho neles

O número de casos de diabetes tipo II em crianças e jovens de até 15 anos já é alarmante e os pais devem se manter alertas aos primeiros sinais

Texto: Renata Turra | Fotos: Pedro Vilela


Envie seu comentário


Cláudia e Vitor: estado de alerta constante para driblar a gula do filho

O velho dito popular “é mais fácil do que tirar doce da boca de criança” não funciona mais. O aumento de casos de diabetes tipo II na infância e adolescência mostra que pais e responsáveis estão tendo cada vez mais dificuldade para manter a alimentação saudável dos filhos. De acordo com a Internacional Diabetes Federation (IDF), de todos os casos da doença diagnosticados em jovens abaixo de 15 anos de idade no mundo, cerca de 2% a 3% é do tipo II. Parece pouco, mas não é. O número é considerável, e até mesmo alarmante, se considerar-se que a doença já foi chamada, há tempos atrás, diabetes do adulto, por acometer predominantemente pessoas acima dos 40 anos de idade.

O que faz da diabetes tipo II a grande vilã da modernidade é sua forte relação com hábitos de vida pouco saudáveis – leia-se alimentação incorreta e sedentarismo. Ao contrário do tipo I, que geralmente aparece durante a infância e está relacionada a fatores genéticos, imunológicos e ambientais – como alguns tipos de vírus –, o tipo II está extremamente ligado ao excesso de peso. “Ele caminha lado a lado com outras doenças metabólicas como obesidade, colesterol e triglicérides altos, hipertensão arterial”, esclarece o presidente do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e vice-presidente nacional da Sociedade Brasileira de Diabetes, Saulo Cavalcanti da Silva.

É certo que a herança genética conta muito. Crianças cuja mãe, pai ou irmão sejam diabéticos estão mais propensas a desenvolver a doença. Mas o grupo de risco cresceu bastante depois que pizzas, lasanhas e salgadinhos congelados tomaram conta das geladeiras, e doces, bombons e biscoitos passaram a rechear as despensas e as merendeiras das crianças. “Os filhos seguem o exemplo que é dado dentro de casa. Os hábitos alimentares e esportivos dos pais influenciam na escolha das crianças”, alerta Silva.

Entra aí um dos grandes dilemas das mães que trabalham fora o dia todo e por isso não conseguem controlar como deveriam a rotina dos filhos. E nem dar esse pre­cioso exemplo. A comerciária Cláudia Cristina de Azevedo Maia sabe como é difícil do­mar a gula do filho Vitor Hugo, 13 anos, que é pré-diabético. “Sou obe­sa, tenho colesterol alto e hipertensão, e meu marido é diabético. Sei que não posso descuidar com meu fi­lho”, diz. Cláudia passou a regular melhor a alimentação de toda a família, orientada por uma endocrinologista. O próprio Vitor Hugo aprendeu a preparar lanches saudáveis. Mas às vezes ele escorrega e acaba comendo mais do que poderia. “Uma vez, assaltou a geladeira da casa da tia, que é vizinha, para comer macarrão”, lembra Cláudia.

A endocrinologista Adriana Bos­co, diretora científica da So­cie­dade Bra­sileira de Diabetes Regio­nal Mi­nas Gerais, observa que a doença tem evolução lenta e silenciosa e, portanto, é fundamental ficar atento aos primeiros sintomas. O mecanis­mo que desencadeia a diabetes tipo II é a resistência à insulina, o hormô­nio responsável por levar a glicose do sangue para dentro das células. Um dos primeiros indícios de que o corpo está produzindo insulina demais é o aparecimento de uma mancha escura em torno do pescoço. “Beber muita água, urinar com frequência, cansar com facilidade e fi­car desatento na escola também po­dem ser sinais de alerta”, reforça a endocrinologista.

 


Há apenas 3 meses, a descoberta da diabetes da pequena Camila assustou a mãe Ana Cristina
Há apenas 3 meses, a descoberta da diabetes da pequena Camila assustou a mãe Ana Cristina

Sinais que precisam ser controlados com urgência. A ordem é evitar a doença desde a infância, com dieta equilibrada e exercício físico regular. Duas medidas que, acreditem, podem prevenir 80% dos casos de diabetes tipo II. Uma dica é resgatar o velho hábito de jantar à noite. “Comprar lanches prontos é mais fácil, mas menos saudável, porque eles são ricos em carboidratos e gorduras”, orienta Bosco.

Foi o que mudou a vida de Philipe Ruschi Penna, 11 anos. Desde os cinco anos de idade, quando a família descobriu que ele estava há um passo de se tornar diabético, saíram de cena as batatas fritas, os nuggets e os biscoitos recheados. Entraram o arroz com cenoura, as saladas de legumes, de folhas e frutas, que hoje ele mesmo ajuda a mãe, Ana Cristina Penna, a escolher no sacolão. E ainda leva os colegas às compras com ele. “No início foi estranho, porque estava acostumado a comer besteiras. Mas agora acostumei”, conta.

Para incentivar o filho único, pai e mãe aderiram aos novos hábitos. Os três controlam a alimentação com um nutricionista e praticam ginástica na mesma academia. Nos fins de semana, deixaram de lado a televisão e os jogos de videogame e passaram a ir mais ao clube. O esforço não tem sido em vão. “Antes eu me cansava muito rápido. Agora estou mais bem disposto”, conta Philipe, que completa o tratamento com uso de medicamentos. Para os pais, os resultados também são compensadores. “Demoramos um tempo para entender a dimensão do problema, e a adaptação foi difícil. Mas hoje, não só o Philipe controlou o peso. Eu e meu marido também emagrecemos”, comemora Ana Cristina.

A mudança chegou ainda mais cedo para a família de Camila Zechlinski Machado, de apenas três anos de idade e que há três meses foi diagnosticada com diabetes tipo I. “Foi um choque. O mais difícil é aceitar a situação”, diz a mãe, Ana Cristina Zechlinski.  Mais uma vez, a atenção dos pais foi essencial para que a doença fosse descoberta a tempo. “Ela começou a levantar à noite para beber água e a urinar muito. Achamos que havia algo errado e procuramos um especialista”, conta Ana.

No caso de Camila, as causas não estão ligadas ao aumento de peso, como acontece na diabetes tipo II. Mas além do uso da insulina, a alimentação saudável, claro, é primordial para o controle da doença. “O primeiro passo foi cortar completamente o açúcar da dieta, que foi substituído pela sucralose”, conta a mãe. Camila também passou a praticar natação três vezes por semana, além do balé. Para trocar experiências sobre o problema, Ana quer participar de associações e grupos de pais de crianças e jovens com diabetes. Um bom caminho para ajudar os familiares a conviver com a doença enquanto a cura não chega.

A um passo para se tornar diabético, Philipe adotou nova dieta alimentar e rotina de exercícios físicos
A um passo para se tornar diabético, Philipe adotou nova dieta alimentar e rotina de exercícios físicos

Epidemia do século

246 milhões de pessoas acometidas em todo o mundo
- Em 2025, a estimativa é chegar a 380 milhões 
- De 1990 até hoje, a prevalência aumentou a uma velocidade de 4,6% ao ano
- No Brasil, calcula-se que 12% da população entre 30 e 69 anos seja portadora
- A doença ainda não tem cura
- Diabéticos apresentam duas vezes mais chance de sofrer ataques cardíacos e estão mais sujeitas a derrames cerebrais e problemas vasculares periféricos, que vão desde perda de sensibilidade nos pés até amputações, nos casos mais avançados.

Fonte: Internacional Diabetes Federation  (IDF)


 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO


VIVER_BRASIL PROMOÇÃO - Concorra a pares de convites para o musical "Gonzagão", no Teatro Bradesco. Acesse o link e saiba mais on.fb.me/14yHtKw:

TudoBH Mãe de Eliza quer pena máxima para Bruno - Minas jornaltudobh.com.br/minas/mae-de-e? via @TudoBH

VIVER_BRASIL "Achar mão de obra qualificada também é um dos nossos grandes desafios", afirma Paulo Castellari.


Viver Casa

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888