Sexta, 18 de Maio de 2012
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Turismo

Bahia zen de todos os santos

Santo André e Guaiú: destinos preferidos dos dissidentes das baladas e do axé

Texto: Ana Elizabeth Diniz | Fotos: Cláudia Shembri


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Vista de Santo André com o rio João Tiba

A balsa corta sem pressa o rio João de Tiba, em Santa Cruz de Cabrália. Em menos de dez minutos ela atraca em Santo André, vilarejo com 800 moradores, situado em uma área de proteção ambiental, no sul da Bahia. As ruas são de areia, estreitas e bucólicas. As casas simples, de nativos gentis, sempre com um sorriso nos lábios. Do outro lado da rua, os restaurantes Gaivota, Fragata e Corsário possuem deque de onde pode se reverenciar o rio João de Tiba, um espetáculo à parte. Suas águas mornas convidam para um banho e uma meditação diante do manguezal que se desvela majestoso na outra margem.

No vilarejo, nada de axé ou som alto na rua. Santo André é um dos refúgios zen da Bahia. Lugar ideal para os dissidentes das baladas e devotos da simplicidade e da natureza. Mesmo na alta temporada, quando as ruas se enchem de gente de toda parte, é difícil se ver um carro circulando e nem pensar em congestionamentos infernais como os de Porto Seguro. Depois de uma caminhada pela margem do rio João de Tiba, o mar se revela azul, quase turquesa. As águas se beijam, se misturam e o que é doce fica salgado. Com a maré baixa, é possível caminhar muitos metros mar adentro. São quilômetros de praia semivirgem, areia fofa e muitos coqueiros.


Quer mais sossego ainda? Vá para Guaiú, a 18 quilômetros de Santo André. Deixe o carro no hotel, pegue um coletivo na estrada e puxe um dedo de prosa com os nativos. Aí você fica sabendo que Guaiú, em tupi-guarani, significa local onde se reúnem pessoas, mas que também é um fenômeno 8 em que milhares de formigas faziam literalmente  arrastão de limpeza nas antigas casas de palha, comendo insetos e depois iam embora, refesteladas.

Guaiú é um vilarejo de ruas de areia, casas antigas e praias desertas. Experimente caminhar em direção ao povoado de Santo Antônio. São 4,5 quilômetros de praia totalmente deserta. Isso mesmo, nenhuma viva alma.  Guaiú é também o nome do rio que serpenteia um manguezal e deságua no mar. Imperdível nadar no rio no fim do dia com a maré mais alta. Agora, “vamos combinar”, indaga a irreverente Maria Nilza, uma baiana arretada. O termo é quase um chavão em sua fala descontraída, que dá o tempero ao restaurante que leva o seu nome e que entra e sai ano figura no Guia 4 Rodas, principalmente pelo arroz de polvo.

O restaurante tem toalhas coloridas de chita nas mesas e enormes bancos e ca­deiras de madeira, que dão vista tanto para o mar quanto para o rio. O banheiro a céu aberto tem piso de areia, revistas e muito charme. Conversando com todos, de mesa em mesa, a baiana que assume seus 61 anos, mas aparenta muito menos é sempre questionada se é solteira ou casada. E não se aperta: “Sou feliz. Não trocaria essa vida por nenhuma outra no mundo.”

Guaiú tem ainda artistas como o inglês James Holness, biólogo marinho que há um ano e meio se mudou definitivamente para lá, após quase quatro anos de idas e vindas. Ele já foi corretor, morou na Rússia estudando as focas, mas o que ele gosta mesmo é de se sentar à sombra das palmeiras e ficar de papo para o ar com os nativos ou lendo um livro. “Sobrevivo do aluguel de uma casinha que construí aqui e da venda de artesanato com coco”, diz com sotaque britânico, o também fotógrafo oficial de aniversários, batizados e tudo que rolar na vila.

Outra que se encantou com Guaiú e fincou pouso é Regina Célia do Espírito Santo, carioca, advogada e administradora de empresas que saiu do Rio de Janeiro aos 34 anos para viver uma vida alternativa e de paz e amor em Santa Cruz de Cabrália. “Vim para a Bahia para brincar de casinha. Hoje recebo visitas em minha casa”, diz se referindo à Pousada da Reg, um cantinho bucólico com quatro suítes e duas casas, localizado no vilarejo. Ela define Guaiú como o lugar ideal para nadistas, pessoas que não querem fazer nada e estão fugindo dos agitos e do axé. Difícil mesmo depois de tantos dias caminhando por quilômetros de praias desertas, tomando água de coco, dormindo cedo e desfrutando do convívio com gente tão especial, é retornar à rotina de trabalho na cidade grande. Saravá meu pai.

Serviço

Como ir:
De avião até Porto Seguro ou de carro (952 km). Daí pegue um ônibus ou um táxi até Santa Cruz de Cabrália (22 km). Tome a balsa até Santo André. Caso queira ir direto para Guaiú, pegue o ônibus
no próprio terminal da balsa
(18 km)

 
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