O pretinho não está nada básico, a elegância não é exatamente o conceito, a palavra é over size. Estas são as principais tendências do outono/inverno 2009 apresentadas nas passarelas durante as semanas de moda do Rio de Janeiro e São Paulo. Das passarelas para a vida real, é observar o que vai cair no gosto dos brasileiros e ganhar as ruas durante a estação que, por aqui, é amena e curta, mas traz, de modo quase natural, o reinado do preto – que diziam as más línguas andava ligeiramente em baixa.
Mas para 2009, a cor, sinônimo de requinte, volta com força em rendas, guipura, tecidos plissados, pregueados, bordados e nervurados. É o preto, apesar de severo e dramático, fugindo da monotonia por meio de detalhes. O efeito é de sedução. Até na paleta de maquiagem ele está presente. Rock, sexy, gótico, punk; mix de referências para dias frios e matizes de sombras, máscara para cílios, lápis e até batons.
Nesta atmosfera, vermelho, laranja, bordô e roxo também deram seus ares junto com o pérola e o cinza, que se confirma em tons diversos: claro, chumbo, quase branco e mesclado. Menos estampas, entretanto, quando surgem, são berrantes. “Contrastam como o inverno, que está mesmo mais escuro. Até os bichos, como as habituais oncinhas estão bem contidas”, explica a pesquisadora de moda Carla Mendonça.
As referências trazem vestígios dos anos 20 e 30 e miram, com força, os anos 80 – aquela década dos horríveis ombros marcados, lembram? – por isto peças exageradas. Entram em cena a calça sarouel e seus ganchos frouxos, bocas estreitas; modelos de pernas folgadas, barras dobradas, quase pegando no tornozelo. Os casacos em tricôs e blazers também são volumosos e nada chegados ao corpo; menos ainda acinturados. Os ombros voltam a se avantajar. Se nas passarelas estas peças aparecem quase engolindo os modelos, na vida real da brasileira, que tem quadril largo e é menos longuilínea que a européia, é preciso cuidado para não gerar ilusão de quilos a mais e figura achatada. A dica, nada nova é: contraposição de volumes. Se em cima sobra, embaixo deve ser enxuto. E vice-versa.
Para o estilista da Cavalera e da V.Rom Igor de Barros, este over size é um exercício de forma, tanto para o homem como para a mulher. No entanto, no que diz respeito a ombros proeminentes, não acredita que ares de armadura correspondam ao desejo das pessoas. Afinal, a rigidez do fim dos anos 80 não cabe no momento contemporâneo, de apelo natural. “O homem gosta de valorizar peito, mostrar o que conquistou na academia. Não precisa desta transformação artificial das ombreiras. A mulher exibe ombros mesmo no inverno.”
Índios mexicanos, peças à la Peru, Taiti e bonecas russas. Bordados e cores. Viva a influência étnica! No entanto, atenção para não parecer fantasiada. “Deve-se misturar estas peças com outras de linha urbana, seja o streetwear ou peças masculinas. A saia étnica com paletó, colete ou spencer, por exemplo. A sarouel com uma camisa”, adverte a jornalista especializada em moda Regina Martelli. Para ela, entre as tantas proposições feitas pelos estilistas, as melhores estão na alfaiataria, nas interpretações do moletom, conforme a Osklen fez, e nos vestidos amplos em tecidos maleável que “por meio de repuxados, debruns e outros efeitos ganham a forma do corpo.”
Lãs, moletons trabalhados com seda, malhas exclusivas, tecidos tecnológicos e sarja acetinada aparecem construídos e enriquecidos como peças de ateliês. É o fine streetwear, aposta interessante mas não voltada para o grande público.
Inverno nos trópicos aceita bem os vestidos, que continuam curtos. Tricô, detalhes, volumes e desenhos são constantes desta peça do guarda-roupa. Para proteger do frio podem ser usados com meias; grossas, bordadas, rendadas, estampadas. Mas cuidado para não engrossar as pernas! Sapatos masculinos de salto alto completam bem o visual.
Seja qual for a estação, roupas não andam sozinhas. São os poderosos sapatos que completam as produções. E a exemplo dos vestidos, ainda que em temperaturas mais baixas, sandálias nos pés. De preferência modelos fechados cujos saltos trabalhados vão ser o diferencial. Eles estão grossos e não atingem alturas vertiginosas. Verniz e metalizados perdem espaço; o aspecto é fosco, envelhecido, desgastado. O couro em acabamentos e texturas diversas é vedete. Os enfeites ficam por conta dos metais: fivelas,ilhoses, passadores, zíperes. No entanto, vá com calma nos dourados. As ankle boots, a exemplo de invernos passados, reaparecem e as sapatilhas, ah! Estas nunca saem dos pés.
Produção de Moda: Andréia Pimenta | Assistente de Produção: Carolina Breviglieri
Beleza: Odir Barreira | Modelos: Bruna Boechat (Ford) e Giovana Cornacchia (Why)
Assistente de Fotografia: Humberto Alvarenga