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CidadeVoo cegoA sinalização da Anac pela possível revogação da lei que proíbe operações de aeronaves acima de 50 assentos no aeroporto da Pampulha é um balde de água fria no processo de desenvolvimento intenso por que passa a região de Confins
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Daniel de Cerqueira
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Retrocesso A possibilidade de ampliação da quantidade de voos no aeroporto da Pampulha é considerada por muitos um retrocesso ao desenvolvimento da região metropolitana. As razões são muitas. A começar porque a maior utilização de Confins demandou e até mesmo incentivou investimentos na região norte da capital. O governo estadual investiu 500 milhões de reais na construção da Linha Verde, está aplicando dez milhões no aeroporto-indústria e outros 13 milhões na contratação de consultorias para consolidar Confins como um aeroporto internacional, e investirá, ainda este ano, outros 20 milhões de reais em obras viárias no entorno. Com a construção da Linha Verde o acesso a Confins teve uma melhora significativa. A reportagem da Viver Brasil foi do centro de Belo Horizonte ao aeroporto em 34 minutos, respeitando os limites de velocidade nos diferentes trechos do trajeto. Para a Pampulha foram gastos 15 minutos, partindo do mesmo ponto. A diferença é menor do que muita gente imagina: de apenas 19 minutos. Mas não é possível fazer uma análise tão simplista de distância sobre a mudança na utilização dos aeroportos. “A Anac quer revogar lei de sua própria criação e não leva em conta os interesses dos moradores da Pampulha, dos usuários e da população, expressa por meio da audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Minas, contrária ao retorno de voos para aquele aeroporto”, enfatiza o subsecretário de Assuntos Internacionais de Minas, Luiz Antônio Athayde. A questão vai além do que prega a Anac, que garante que a revogação da portaria seria para aumentar a concorrência nos aeroportos centrais, o que provocaria redução do valor dos bilhetes. Pode até ser que isto se concretize, mas a que preço? Outros fatores, inclusive sociais, deveriam ser considerados na análise custo-benefício para os usuários e a população. O aeroporto de Confins, além de oferecer melhor estrutura e mais conforto para os usuários, gera mais emprego e renda por ter amplo espaço para a abertura de lojas e oferta de serviços. Se a movimentação de 3 milhões de usuários na Pampulha, por exemplo, geraria 3 mil empregos no aeroporto, em Confins, este mesmo número de passageiros garantiria 4 mil postos de trabalho. O deputado federal Miguel Martini lidera trabalho junto à bancada mineira para conseguir apoio dos parlamentares ao documento solicitando que Pampulha e Confins mantenham suas vocações. Ele será entregue à Anac e à ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Se vai adiantar alguma coisa é outra história.
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“O aeroporto de Confins é estratégico para o desenvolvimento de Minas. Além disso, na Pampulha não há ângulo ideal de pouso e as aeronaves provocam ruídos excessivos em área densamente povoada”, complementa Martini. Os investimentos na infraestrutura do aeroporto da Pampulha começam a acontecer visando à Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Recentemente, o local ganhou o LS. Reduzido (equipamento que dá o eixo da pista e aumenta o nível de segurança nos pousos e decolagens com mau tempo). Também será erguida outra torre de controle. Ainda este ano deve ser iniciada a construção de uma pista de táxi e haverá abertura de novos hangares. A Infraero está finalizando convênio com a Aeronáutica para utilizar a área da unidade militar, que será transferida para Lagoa Santa. O espaço servirá para ampliação do estacionamento e do terminal de passageiros, e para melhorar o eixo viário de conexão com Confins. “Quando tivermos estes componentes, mais voos poderão ser alocados com a segurança que queremos e com o nível de conforto que a Infraero prega”, conclui Salviano. Se por um lado a estrutura é o problema da Pampulha, por outro, é o grande trunfo de Confins, cuja capacidade é de 5 milhões de passageiros por ano. E a situação será melhorada após sua ampliação. A Infraero já abriu licitação para contratar o projeto. O aeroporto passará a ter capacidade para atender 8 milhões de usuários por ano. O valor do investimento será determinado pelo projeto a ser escolhido, mas deve ultrapassar os 100 milhões de reais, segundo o superintendente de Confins, Adair Moreira Júnior. Ele garante que mesmo que algumas empresas transfiram voos para a Pampulha, os investimentos previstos serão concretizados, pois a demanda de passageiros vem aumentando a cada ano acima da média nacional. Antes do início da crise internacional, houve crescimento de 20% no número de passageiros, enquanto a média brasileira foi de 7%. “Confins até poderá passar por movimento muito grande e haver necessidade de transferir voos para a Pampulha, mas hoje a situação está equilibrada”, enfatiza Adair. O problema é que mes mo sem haver necessidade o processo de revisão da portaria 993 já está em andamento na Anac. A nota divulgada pela agência reguladora diz que a consulta pública será aber ta em breve. Um prato cheio para o retorno das polêmicas, das discussões sem fim e, principalmente, um puxão no freio de mão do desenvolvimento da região norte da capital mineira.
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Estabelecimentos ComerciaisPampulha Confins |
Companhias e pista
Pampulha Confins Pista Pampulha Confins Fonte: www.infraero.gov.br |
Povo fala
Angeli Santos – nutricionista |
“Viajo para reunião de negócios e pelo fato de o aeroporto da Pampulha ser mais perto do centro da cidade, prefiro descer lá. Sei que a estrutura da Pampulha é pior que a de Confins. Aliás, poderia haver investimentos para melhorá-la.” Valdemir Cardoso – gerente de Negócios em Telecomunicações |
“Pela questão tempo para se chegar ao centro de Belo Horizonte, é mais vantajoso descer na Pampulha. A estrutura lá é inferior, mas penso que comportaria mais alguns voos. O ponto negativo é que, por tornar-se mais concorrido, os preços dos bilhetes poderiam aumentar, mas ter opções é melhor do que não ter escolha.” Vinícius Souza – gerente de contas |
“Viajo para Belo Horizonte duas vezes por semana. Sou contra a transferência de voos para a Pampulha porque lá não tem estrutura e a pista não oferece segurança. Nas atuais condições, aumentar o número de voos na Pampulha seria colocar em risco a vida das pessoas. O que faltam são melhores condições de acesso ao aeroporto de Confins.” Henrique Lamassa – engenheiro |
“Do ponto de vista de localização, a Pampulha é melhor, mas a infraestrutura e a segurança são pontos negativos. O aumento de voos lá também afetaria negativamente o fluxo no trânsito daquela região, o que complicaria o acesso ao aeroporto. Por isto é que sou contra o aumento de voos na Pampulha.” Marcus Seeliger – oceanógrafo |
TRECHO DA PORTARIA 993, DE 17/09/2007Aeroporto de Belo Horizonte/Pampulha – Carlos Drummond de Andrade I Vocação primária: Atender às linhas aéreas domésticas regionais, com origem ou destino no aeroporto da Pampulha, para estimular a ligação de cidades de Minas Gerais e estados limítrofes Voos transferidos da Pampulha para Confins - 3342 (Guarulhos-Confins-Goiânia) Fonte: Anac Aeroporto Internacional Tancredo Neves Número de aeronaves Ano Quantidade Movimentação de passageiros Ano Quantidade Carlos Drummond de Andrade (Pampulha) Número de aeronaves Ano Quantidade Movimentação de passageiros Ano Quantidade |