Sexta, 18 de Maio de 2012
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Reportagem

Momento crítico

Meses de fevereiro e março são os mais favoráveis para a proliferação da dengue.Prefeituras e governos intensificam campanhas e ações preventivas

Texto: Ana Arsênio | Fotos: Divino Adivícula/PBH


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Funcionários da prefeitura de BH: mutirão contra a doença

Fevereiro e março são meses de alto risco para a dengue. Neste período, ocorre maior incidência de chuvas, o que favorece a proliferação da doença. “A fêmea do mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti, deposita seus ovos em poças de água limpa”, diz o médico infectologista Alberto Chebabo. Ele sugere que sejam implantadas políticas de saneamento mais rígidas e campanhas para orientar a população no sentido de não acumular água e sujeira, uma forma de reduzir os focos da dengue.

Medidas que estão sendo implantadas em Minas, estado que já registra 2.818 casos de dengue somente neste ano. Para mobilizar a população na luta contra a doença está sendo desenvolvida uma campanha educativa. Serão produzidos cerca de 1,5 milhão de folhetos e 500 mil cartazes, além da veiculação de propagandas e ação de telemarketing para 500 mil residências de regiões de maior incidência da dengue. A veiculação da campanha acontecerá neste mês e em março, em Belo Horizonte, Betim, Contagem, Ibirité, Nova Lima, Santa Luzia, Vespasiano, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves e Sabará. “Os nossos levantamentos demonstram que 85% dos focos da dengue estão nas casas”, disse o secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana, em recente entrevista, de posse das informações do Levan­tamento Rápido de Índices de Infestação para Aedes Aegypti em Minas Gerais. Dos 25 municípios do estado que atualmente realizam a pesquisa, oito (Belo Horizonte, Coronel Fabriciano, Governador Valadares, Ipatinga, Montes Claros, Sete Lagoas, Timóteo e Vespasiano) encontram-se em situação de risco de surto de dengue, com índices superiores a 3,9%. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma taxa inferior a 1%.


Entre as pessoas que sustentam esses índices está Sheila Cristina dos Santos Figueiredo, 30 anos. Foi em junho do ano passado, ironicamente, ao fazer uma série de reportagens sobre a dengue, que a jornalista contraiu a doença. Não só ela, como o cinegrafista e o motorista da equipe. “Temos a mania de achar que as coisas nunca vão acontecer com a gente”, alerta Sheila. Ao lembrar da época da doença, ela conta que, na série, uma das matérias foi sobre a operação Arromba Quarteirão, iniciativa da prefeitura de Belo Horizonte para abrir imóveis fechados e possíveis focos da dengue. “Fui acompanhar os trabalhos dos técnicos da PBH e, três dias depois, passei a ter febre de 39, 40 graus, dores por todo o corpo e vômito. Acabei virando piada entre os colegas de trabalho, pois fui fazer matéria sobre dengue e voltei dengosa”, lembra a jornalista.

Sheila teve dengue clássica o que, segundo o infectologista Alberto Chebabo, é a forma mais amena da doença, cujos sintomas como dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, manchas vermelhas na pele e dor abdominal duram até uma semana. Já a situação do músico Caio Ducca, vocalista das bandas Gardenais e Continental Club Band, foi um pouco pior. Ele teve a dengue hemorrágica. Caio lembra que contraiu a doença em maio do ano passado, em Governador Valadares, leste de Minas, ao visitar parentes de sua noiva. “Uns oito dias após voltar de viagem, passei a sentir dores por todo o corpo, principalmente na cabeça, além de náuseas. Só comecei a me sentir melhor após 15 dias de repouso”, lembra.

Para evitar que histórias como as de Sheila e Caio se repitam, os governos vêm apostando nas parcerias. No último dia 9 de fevereiro, por exemplo, representantes dos governos estadual e federal anunciaram repasse extra de 6 milhões de reais. Deste total, 2 milhões são provenientes do estado e 4 milhões do Ministério da Saúde. Segundo o secretário de Saúde de Belo Horizonte, Marcelo Teixeira, o recurso será destinado para ações consideradas imprescindíveis na prevenção e controle da doença em nove municípios da Grande BH: além da capital, Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Vespasiano, Sabará, Ibirité e Nova Lima. “Vamos avaliar o cumprimento das metas pelos municípios e o número de casos da doença periodicamente, para assim pleitearmos novos repasses de verbas e garantir a intensificação das ações de combate à dengue”, afirma o secretário.

No final do ano passado, o Ministério da Saúde liberou 128 milhões de reais para auxiliar estados e municípios no combate à doença. Deste total, 15 milhões vieram para Minas, sendo que 80%, ou sejam, 12 milhões, estão sendo investidos nos 85 municípios considerados prioritários, entre eles, os oito em risco apontados pelo levantamento. Já o governo mineiro repassou para os municípios recursos financeiros complementares, que chegam a quase 3,7 milhões. Verba que, segundo o gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, Francisco Lemos, vem sendo aplicada, entre outros, na ampliação do trabalho dos agentes comunitários de controle das endemias e capacitação de pediatras dos municípios da Grande BH, para que as crianças com suspeita da doença possam ter atendimento adequado e diagnóstico precoce. Além destas ações, soldados do Exército estão sendo treinados para auxiliar na prevenção da doença. Em todo o país serão capacitados 2 mil homens das Forças Armadas. Sendo 200 do Exército em Minas na luta contra a dengue.

Em janeiro último, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, reinstituiu o Grupo Executivo para o Controle da Dengue na capital, onde já foram notificados mais de 700 casos. Formado por representantes das secretarias de Saúde, Educação, Políticas Sociais, Planejamento, Orçamento e Informação, Comunicação Social, SLU e todas as regionais, o grupo coordena as ações de combate e prevenção à dengue, desenvolvidas pela prefeitura e sociedade civil organizada. “A nossa intenção é fazer um trabalho em conjunto entre o poder público e a população para o enfrentamento da dengue”, diz o secretário Marcelo Teixeira.

De acordo com ele, entre as ações de rotina, a prefeitura de BH adotou medidas mais rígidas. Os 1,2 mil agentes de combate a endemias vão visitar duas vezes cerca de 800 mil imóveis até abril deste ano, e intensificar as ações de tratamento focal e orientação dos moradores. Além disso, estão sendo intensificados os mutirões intersetoriais de limpeza contra a dengue. Eles ocorrem toda semana em três regionais simultaneamente, atingindo no máximo 50 quarteirões. A PBH firmou também uma parceria com os sindicatos da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon) e o da Indústria da Construção Pesada (Sicepot) para intensificar as ações contra a dengue. Profissionais foram capacitados e vão realizar vistorias em construções da cidade, além de sensibilizar trabalhadores e supervisores de obras.

Dicas para prevenir

-Cobrir qualquer local em que haja água acumulada, como caixas de água e tonéis
 
-Não guardar pneus em áreas abertas

-Manter as lajes cobertas, sem
poça de água, e esfregá-las, diariamente, com vassoura

-Guardar as garrafas de
cabeça para baixo
 
-Manter os pratos em vasos de plantas sem água ou com
um pouco de areia
 
-Esfregar, com bucha, recipientes
que tenham plantas aquáticas

Exames para o diagnóstico da doença

-Hemograma
-Sorologia, para determinar se a pessoa possui anticorpos contra o vírus da dengue 
-Tipagem do vírus, que determina o sorotipo pelo método de PCR

Tratamento
-O tratamento depende da gravidade da doença, que pode variar desde um simples repouso e analgésicos até a internação e reposição de líquidos na veia por soro. É importante dizer que a pessoa com manifestação de dengue não deve utilizar medicamentos que contenham ácido acetil salicílico (AAS, aspirina etc), pois apresentam substâncias que podem aumentar o risco de hemorragias


 
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