Sem dar muita atenção à tão alardeada crise mundial, a Gribel e a Pactual Negócios Imobiliários oficializaram um namoro que se estendia há mais de dois anos e anunciaram, neste mês, a formação da Gribel Pactual. Líderes no mercado de lançamentos imobiliários e com mais de 20 anos de experiência, o desafio agora é conquistar a liderança também em imóveis usados avulsos, ou seja, de terceiros. A nova empresa terá um conselho administrativo formado por Alexandre Gribel e Ricardo Pitchon, que ficam à frente da área comercial, e Bernardo Gribel, da área administrativa.
“Era um sonho antigo, meu e do Ricardo, formarmos uma empresa forte, grande, mesmo antes de nos associarmos à Brasil Brokers”, diz Alexandre Gribel. Nos últimos dois anos, o mercado imobiliário mineiro, e brasileiro, passou por uma efervescência que há muito não se sentia. O resultado foi a entrada de empresas de outros estados em Minas, da mesma forma que as mineiras também alçaram novos voos, não só no setor da construção civil, mas também na comercialização dos imóveis. “Algumas construtoras entraram em Belo Horizonte já trazendo a área de comercialização. Isso exigiu o fortalecimento das nossas empresas para blindá-las da concorrência e para sacramentar a posição de liderança”, afirma Ricardo Pitchon.
A união foi um caminho quase natural, após a associação das duas empresas mineiras à Brasil Brokers – maior grupo de intermediação imobiliária do Brasil, com 26 subsidiárias – em 2007. Elas passaram a pertencer ao mesmo conglomerado, que abriu o capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em outubro do mesmo ano. “O mercado imobiliário está passando por uma consolidação e precisávamos estar fortes para continuar na liderança”, diz Pitchon.
O negócio resulta em uma empresa com 400 corretores e uma carteira formada por 88 empreendimentos, alguns já lançados e outros prestes a chegarem ao mercado. E os objetivos dos empresários não são modestos, após a união. A perspectiva, segundo Alexandre Gribel, que define a Gribel Pactual como o primeiro shopping center de imóvel em Belo Horizonte, reunindo número grande de imóveis novos e usados em um só lugar, é dobrar a carteira num prazo de dois anos, tanto em lançamentos como em usados.
Tanto otimismo está baseado na convicção de que não há, nem haverá, crise no mercado imobiliário brasileiro. Gribel ilustra com o número dos negócios da empresa em janeiro deste ano: 30% a mais do que no mesmo período do ano passado. Ritmo que pode ser comprovado também pelo crescimento de financiamento liberado pela Caixa Econômica Federal, no mesmo mês: 2 bilhões de reais, valor 155% superior ao de janeiro de 2008. Alexandre Gribel aposta ainda em um crescimento de 10% do mercado imobiliário neste ano. Ele ilustra esta euforia com o empreendimento Felice, na Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima. Lançado em novembro do ano passado, em pleno olho do furacão da crise mundial, teve 90% dos 220 apartamentos, num valor médio de 240 mil reais, vendidos em 30 dias. “Em momentos de crise, as pessoas procuram um porto seguro, e imóvel é um bom investimento”, avalia Gribel.