Em meio ao fantasma da crise e a onda de ansiedade que tem levado consumidores a pisar no freio e segurar o dinheiro no bolso há um mercado que parece não ter sido abalado, pelo menos por enquanto – o das flores naturais. Pelo contrário. Ao que tudo indica, a venda de flores é um daqueles raros negócios que consegue prosperar apesar de negros horizontes, e muitas vezes é até impulsionado por eles. É essa a impressão da empresária Denise Magalhães, proprietária de uma das marcas mais conhecidas de decoração com flores naturais, não só em Minas como em todo o país, a Verde que te quero Verde.
A constatação de Denise se respalda em números. O faturamento da empresa aumentou nada menos que 30% em janeiro de 2009 em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas também é sustentada pela experiência de quem trabalha há 30 anos no ramo (é essa a idade da Verde, como já ficou conhecida a grife entre os mineiros) e já viveu outros períodos de turbulência econômica e recessão. “Nesses momentos as pessoas buscam o que é belo e dá prazer, talvez para tentar suavizar a angústia”, diz.
Um atitude que vale para qualquer idade, é claro, mas parece prevalecer entre os mais jovens. Na Verde, por exemplo, o perfil de público, antes tradicional e com maior poder aquisitivo, hoje é diversificado. Cerca de 60% dos consumidores têm entre 18 e 40 anos. E, uma curiosidade: cresceu o número de compradores do sexo masculino. De todos os clientes, algo em torno de 15% são homens. Na percepção de Denise, um dos motivos dessa mudança é cultural. “O hábito de enfeitar a casa com flores naturais está passando de geração para geração”, observa a empresária.
Para acompanhar o grau de exigência de seus clientes, a maioria cativos, que renovam a casa toda semana, e atender cada vez melhor, a Verde não poupa esforços. Atendimento, aliás, é um dos diferenciais da loja localizada no coração da Savassi, que conta com uma equipe de profissionais treinados para receber desde quem procura uma flor específica até os que querem organizar uma grande festa ou evento.
Mas o que faz da empresa uma das referências no mercado nacional é a variedade de espécies e tipos de arranjos. Afinal, não será em qualquer lugar que um cliente poderá escolher entre proteias da África do Sul, tulipas francesas, flor de lótus ou convalária. “Temos fácil acesso ao mercado importador dessas espécies”, conta Denise. Para os menos familiarizados com nomes tão exóticos, dá para encontrar também as conhecidas rosas e flores tropicais, nacionais ou importadas, com as mais diversas montagens.
Seja qual for a escolha e o objetivo do cliente, as flores da Verde estão prontas para viajar até os quatro cantos do país. “O mercado fora do estado já representa boa parcela do faturamento anual. Vamos a qualquer lugar onde as portas se abrirem”, afirma Denise. Uma característica, porém, faz dos consumidores de Minas um público especial. “Ninguém recebe em casa tão bem como os mineiros.” Palavra de quem entende do assunto.