Sexta, 18 de Maio de 2012
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Gastronomia

Até o osso

Carne de cordeiro vem agradando ao paladar dos belo-horizontinos e seu consumo aumenta a cada ano

Texto: Luciana Avelino | Fotos: Daniel de Cerqueira e Pedro Vilela


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Suculenta, leve, saborosa. Essas são algumas das características do cordeiro, pedida que vem se repetindo com mais frequência em restaurantes da capital mineira. Prato típico das mesas do Nordeste, Sul e Norte do país, especialmente em Belém do Pará, a carne vermelha de sabor acentuado deixou definitivamente de ser apenas servida em ocasiões especiais nas outras regiões do Brasil. Ela se tornou mais frequente não só nos cardápios dos restaurantes, como também em supermercados e delicatessens.

Base de menus elaborados, tira-gostos e pratos ligeiros, o cordeiro rende aproveitamento máximo. Só de cortes, a variedade é grande: filé, paleta, lombinho, bisteca, pernil, pescoço e car­ré.“Dele só não se aproveita o berro”, brinca Matuzalém Gonzaga, chef do restaurante na Pampulha que leva seu nome. Toda sexta-feira do mês a casa oferece menu desgustação especialmente à base da carne. “O cordeiro agrada pelo sabor único, maciez e poucas fibras. Além disso, é uma carne que pega bem o tempero e fica bem tanto cozida, como grelhada e assada”, atesta o chef.


No Baby Beef, a carne de cordeiro é a segunda mais consumida
No Baby Beef, a carne de cordeiro é a segunda mais consumida

No Baby Beef de Belo Horizonte, o aumento do consumo de cordeiro é marcante. No ano de abertura da churrascaria, em 2003, a demanda era 200 quilos por mês. Hoje, é de 2 mil. ‘É a segunda carne mais consumida na casa. Só perde para a picanha”, afirma o diretor geral Eduardo Borba. “Antes de ser preparada, passa por processo de maturação de três dias em tempero especial, guardado a sete chaves há 30 anos pela empresa, à base de mais de 30 ervas finas”, conta o gerente da casa Jair Kutzke. 

O baixo teor de colesterol é outro atrativo da carne. “Rica em proteínas e lipídios, é bem mais magra se comparada à picanha, por exemplo. Também conta com vitaminas do complexo B, ferro, sais minerais e quantidade não significativa de carboidratos”, esclarece o nutricionista Pablo Augusto Prado.

Ozéas e Matuzalém Gonzaga: pedida ganhou menu desgustação na casa
Ozéas e Matuzalém Gonzaga: pedida ganhou menu desgustação na casa

Apaixonada pela carne de cordeiro e formada em gastronomia, Rosana de Andrade Horta se tornou criadora dos filhotes de ovelhas e carneiros há seis anos em Matozinhos. Empolgada com a criação dos ovinos, Rosana fundou a Cooperativa dos Criadores Pró-Cordeiro e acaba de relançar livro com mais 50 receitas de cordeiro. “Quis reforçar a tese de que a carne é de fácil preparo e rende mil combinações.” 

Apesar da demanda, o consumo do mercado brasileiro tem ainda muito a crescer. Segundo a Asso­cia­ção Paulista de Criadores de Ovinos (As­paco), o consumo anual per capita nacional é de apenas 700 gramas. Ainda é tímido, em relação ao europeu, com índice de 27 quilos. Mas, se depender dos co­mensais locais, a tendência é de que a carne de cordeiro bata recordes à mesa. 


 
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