Quando Luciano Balesteros, aos 17 anos, levou os primeiros tombos ao tentar se equilibrar numa prancha, não imaginava que estava fazendo história. Vinte e um anos depois, Minas Gerais, mais precisamente a lagoa dos Ingleses e o Clube Serra da Moeda estão consagrados como os locais ideais no país para a prática do wakeboard, a modalidade de esqui aquático introduzida pelo hoje comerciante Balesteros, mais conhecido como Luciano Calango. O clube de Nova Lima vai receber, de 15 a 17 de maio, a Ragga Wake World Series 2009, segunda etapa do calendário 2009 da Wakeboard World Series, competição que, ao custo de 200 mil dólares, reunirá os melhores do Brasil e do mundo no esporte e dará premiação total de 20 mil dólares.
Minas conquistou o direito de promover o Mundial, que pela terceira vez é disputado no Brasil (as duas edições anteriores aconteceram no Rio de Janeiro, em 2002 e 2004), por causa de uma combinação imbatível de atributos: a infraestrutura do Clube Serra da Moeda, a plasticidade da paisagem da lagoa dos Ingleses, a água lisinha, consequência da proteção dada pelas montanhas, que barram o vento, a empolgação e a beleza do público, principalmente o feminino. "Em 2007 fiz todo o circuito brasileiro de wakeboard. Estive em Manaus, Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis. Nenhum lugar se iguala à lagoa dos Ingleses", atesta o empresário mineiro Bruno Dib, organizador do Mundial, que obteve licença de três anos para promover a competição no Brasil da World Wakeboard Association (WWA).
A mesma opinião têm os melhores wakeboarders do Brasil na atualidade, os paulistas Marcelo Marcos Giardi, o Marreco, e Luciano Rondi Neto, o Deco. "A etapa de Minas já é a melhor do circuito brasileiro. O clube é uma delícia. Além disso, o público vai em massa", diz Marreco, 26 anos, tricampeão brasileiro (1998, 1999 e 2000) e campeão pan-americano em 2007 no Rio de Janeiro. "A água está sempre lisa, não foi à toa que escolheram o clube para o Mundial", elogia Deco, 18 anos, atual campeão brasileiro.
O diretor náutico Cláudio Marques acrescenta que o Clube Serra da Moeda, além da infraestrutura ideal para o esporte – tem galpão com cama elástica e pista de skate para aperfeiçoamento dos wakeboarders e de outros praticantes de esportes radicais –, instalou um sistema de separação de água e rejeitos que evita que os fluidos das lanchas contaminem a lagoa dos Ingleses. "Nós somos dos poucos clubes que têm uma raia ecologicamente correta", orgulha-se.
Para consagrar ainda mais a edição do Mundial de Wakeboard na Região Metropolitana de Belo Horizonte só falta mesmo uma vitória brasileira na etapa histórica. Os wakeboarders brazucas estão otimistas, apesar de reconhecer o favoritismo dos estrangeiros, principalmente do norte-americano Phillip Soven, número 1 do ranking em 2008, e do canadense Rusty Malinoski. Estes, segundo Marreco, são os caras a serem batidos. "Espero chegar às finais e tenho manobra para isso", analisa o campeão pan-americano, que vai observar os favoritos nos Wake Games, dia 24 de abril, em Orlando, na Flórida (EUA). O estudante de publicidade Deco, que também encarará os gringos nos Estados Unidos, é menos otimista. "Eles estão muito à frente. Vamos torcer para que alguns brasileiros cheguem às finais."
As feras de Minas Gerais acreditam que podem dar um calor nos gringos. "Temos a vantagem de competir aqui, com o apoio da torcida, e de conhecer bem a raia", diz o empresário Gustavo Penna, 34 anos, dez deles praticando o wakeboard e segundo colocado no ranking brasileiro de profissionais em 2008. "Vai ser o bicho. Se os favoritos vacilarem, perdem para a gente", alerta o administrador de empresas Felipe Penna, 26 anos, também há dez anos na modalidade, que treina todos os finais de semana com o irmão Gustavo no Clube Serra da Moeda.
Única mulher mineira na competição, Tereza Lobato Anastasia, a Teca, 22 anos, atual campeã brasileira, aguarda a confirmação das adversárias estrangeiras para avaliar suas chances no Mundial – as melhores, segundo Teca, são a norte-americana Dallas Friday, a australiana Ender Wing e a argentina Dora Rando. "Se as estrangeiras vierem, vai ser difícil ser campeã", prevê Teca, que formou em jornalismo no final do ano passado. Ela aponta também como concorrentes as paulistas Camila Ortenblah, Mariana Osmak e Gabriela Rondi.