O Fórum Internacional de Jovens Empreendedores que a Federação das Indústrias de Minas Gerais acaba de realizar no Expominas foi uma bela e alentadora lição de fé no país. Durante três dias, mais de 10 mil rapazes e moças tiveram a oportunidade de trocar experiências e ouvir relatos e testemunhos de jovens como eles que, por meio do trabalho, se tornaram empreendedores de sucesso no Brasil e no mundo, bem como ouvir histórias de empresários e executivos que permanecem empreendedores vitoriosos após longas carreiras profissionais edificadas exatamente com base no empreendedorismo.
O Fije veio reforçar a convicção de que a superação da avassaladora crise que derrete economias mundo afora será, com certeza, liderada pelo setor privado – ou seja, pelas empresas que produzem crescimento econômico, renda e emprego. A entusiasmada participação dos jovens empreendedores nas três palestras magnas realizadas, bem como nas 14 mesas-redondas e 19 oficinas práticas, revelou uma geração que acredita no futuro. São pessoas que têm em seu DNA os genes do sonho, da confiança, da ousadia, da criatividade e da capacidade de fazer acontecer. São, portanto, pessoas especiais, pois veem com antecedência o que a maioria não é capaz de enxergar.
A extrema atratividade do tema também reafirma, ao contrário do que imaginavam economistas de séculos passados, que o desenvolvimento das nações já não se explica mais apenas pela existência de mão-de-obra barata, matéria-prima abundante e disponibilidade de capital. Hoje, no século XXI, é preciso incorporar pelo menos duas novas variáveis – tecnologia e, claro, o empreendedorismo.
O que esperamos, como promotores do Fórum Internacional de Jovens Empreendedores, é que os seus ecos sejam ouvidos em outras instâncias de decisão do país. Assim como é certo que a recuperação da economia mundial será liderada pelas empresas, é igualmente correto afirmar que isso só se tornará realidade se os demais atores interpretarem bem os seus papéis. Aos governos – municipal, estadual e federal – compete a missão e a responsabilidade pela criação de um ambiente que assegure às empresas e empreendedores condições de trabalhar com competitividade, de forma a gerar o que a sociedade exige: desenvolvimento sustentável. Em essência, a crise econômica é um convite a mais para que, no Brasil, os governos assumam de vez o papel de empreendedor que lhes cabe, quebrando paradigmas na construção de um cenário inovador que interrompa o círculo vicioso devorador de desenvolvimento, baseado no aumento de impostos para sustentar gastos públicos não produtivos. Mirando-se no exemplo dos milhares de jovens que lotaram os auditórios do Expominas, os governos devem buscar um modelo de desenvolvimento fundamentado no apoio ao setor produtivo e, em especial, às micro, pequenas e médias empresas que é onde, majoritariamente, vamos encontrar os jovens empreendedores.
Afinal, no Brasil, o segmento das micro, pequenas e médias empresas é formado por cerca de 2 milhões de empresas, das quais cerca de 230 mil estão em Minas. No total, são responsáveis por 67% dos empregos formais do país e 70% no estado. Em respeito aos nossos jovens empreendedores, não se pode deixar que morram por inanição de crédito, de apoio ao desenvolvimento tecnológico e de compromisso público – nem, muito menos, por excesso de impostos, burocracia e absurdas taxas de juros.