Sábado, 18 de Maio de 2013
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Made in Minas

Chineses bem-sucedidos vêm trabalhar no estado, na onda de investimentos cada ano maiores, e sofrem dificuldades com a língua

Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Victor Schwaner


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Dai xiaodong e Bruce Li, que trabalham em Minas: maior problema é o português
Do lado de lá, na China, a extensão maior do mapa da América Latina era visto como o país do futebol. Nada mais que isto. “Se alguém mencionasse a palavra Brasil, lembrava-me primeiro do futebol.” Impregnou-se disto, limitou-se aí, nem passava pela imaginação que um dia viria para o futebol, do outro lado do planeta, onde viviam chineses de outras eras de tempos piores. Veio na leva de imigrantes bem-sucedidos, no sopro do dragão, agarrados em empresas de seu país em busca de mais aceleração na velocidade dos bons ventos da economia brasileira. Está aqui, em Minas, em Pouso Alegre, na lida para a montagem da unidade da XCMG, fabricante chinesa de equipamentos pesados, na guerra de língua para se fazer entendido, na queda de resistência para se tornar maleável a essa cultura tão diferente da sua. 
 
“Sinto falta da comida, da família”, diz o engenheiro Mr Xia. Fala cinco palavras em português: bom dia, obrigado, tchau, Brasil, futebol. “A língua é mais difícil que o inglês, mas vou aprender porque gosto de conversar com os brasileiros.” De beber cerveja, de passear pela cidade, no Sul de Minas, de jogar badminton, parecido com tênis, só que no lugar da bola é peteca, no país do futebol, a conversar com a família na China pela internet. “O Brasil passou forte a crise mundial e creio que o governo levará a economia a crescer estavelmente.” E ele a ficar mais aqui, sem data para voltar a seu país, a dividir espaço com outros conterrâneos, no aumento de 23,6% do povoamento chinês em terras brasileiras por ano, atrás dos paraguaios e bolivianos. São mais de 200 mil, cerca de 35 mil regularizados no Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça.
 
Entre eles e nós, há um ano, depois de idas e vindas, os executivos Bruce Li e Dai Xiadong trocaram a região de Xangai pelo bairro Luxemburgo, em Belo Horizonte. Não a empresa, estão na Cogeneration, a quinta estatal chinesa que atua no setor de mineração. “China e Brasil são totalmente diferentes. Tudo aqui é novo para a gente. A forma como as pessoas vêm as coisas e conversam. A maneira de aproveitar a vida. Essa é a parte de que mais gostamos”, diz Bruce Li. O jeito sociável, agitado, mas ainda não todo digerido. Nem entendido os inúmeros feriados, muitos prolongados, inimagináveis lá, de um dia só, quando raramente acontecem. “Mas isto faz nossa estadia mais interessante aqui.” Gosta de viajar de carro para lugares próximos, de andar pela cidade e tirar fotos, mas não se sente seguro por causa do português. “A língua é o nosso problema.”
 
Queixa-se ele, Dai Xiaodong, que divide o apartamento no Luxemburgo, de que grande parte dos brasileiros não fala inglês. Estudam o português, de fonética tão estranha ao mandarim, fazem a própria comida, se fecham na culinária chinesa. Abrem-se ao hábito de tomar cerveja depois do trabalho. Sentem falta da família e dos amigos na China. Dai é casado, pai de um menino de 15 anos, mas deve ficar aqui por longo tempo no país, que nem a violência diária exibida nos meios de comunicação tira a visão otimista. “O Brasil é um mercado em desenvolvimento, como a China, que tem recebido muitos investimentos nos últimos anos. É um país com grandes oportunidades”, alega Dai Xiaodong. 
 
Agora, com economia estável, antes, há quase 200 anos quando vieram os primeiros chineses do chá, da mineração, dos eletrônicos, das bijuterias. “A capacidade de consumo da população aumentou muito, mas a infraestrutura deixa muito a desejar. Fala-se em metrô há mais de 10 anos e nada”, diz o engenheiro mecânico Weicheng Wang, que está no Brasil desde 1991. Aprendeu o português, intriga-se com tantas conjugações verbais, com a complicação do nome dos meses. “Por que não poderia ser, como na China, mês 1, 2, 3?”  Lembra que antes imigravam à procura de melhoria econômica. Hoje vêm com a expansão das empresas chinesas, com a perspectiva de queimar etapas na profissão. Estão em destaque no país do futebol, que visto daqui é o dos bons negócios. 
 
* Colaborou Celso Filho

 
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