Não serão as férias de julho costumeiras para os brasileiros que gostam de passar este período no exterior. Previsões de agências já dão conta da queda de 30% a 40% nas viagens internacionais para Europa e Américas neste mês. Para entender a queda é preciso retomar o histórico dos últimos meses. A perda de fôlego foi iniciada no ano passado com os primeiros reflexos da crise econômica. Porém, as promoções para os principais destinos prometiam uma reaquecida até o anúncio dos primeiros casos da gripe suína. Houve corrida para o adiamento de viagens. Agora, com o dólar em queda, a expectativa era nova retomada nos negócios. A melhora da taxa de ocupação de voos para os destinos internacionais estava crescente, mas a tragédia recente do avião airbus afetou de novo o segmento.
“‘Estamos passando por um ano difícil, mas nada catastrófico para um agente de viagens. Se perdemos em venda para viagens internacionais, por outro lado, cresce o volume de negócios para roteiros dentro do país”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Agentes de Viagens de Minas Gerais (Abav-MG), José Maurício de Miranda Gomes. Em 2008, o setor registrou crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A expectativa era que em 2009 se registrasse o mesmo volume de negócios do ano anterior. “Mas a previsão agora é de que haja retração”, diz Gomes.
Gerente de marketing da Primus Turismo, Tarcísio Araújo observa que fatores como a crise econômica e a gripe suína mexeram com a insegurança das pessoas. “As informações sobre a gripe suína chegaram de forma muito agressiva e isso assustou demais. Veio logo em seguida um período mais tranquilo, mas era tarde para o cliente se reprogramar”, afirma. O reflexo bom, segundo Araújo, é uma maior procura de roteiros dentro do Brasil. Há também demanda maior por viagens internacionais no período de janeiro do próximo ano. “Atualmente, com a questão de o dólar ter recuado substancialmente, as pessoas estão começando a fazer seus planos novamente”, comenta o gerente.
Se agora as praias do Nordeste e o Pantanal são os mais procurados, segundo o diretor de comunicação da Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa), Plínio Nascimento, o momento também é o de aproveitar a queda nos pacotes internacionais, que pode chegar a 40%. “O turista brasileiro nunca pagou tão barato para ir à Europa e aos Estados Unidos”, diz. É a mesma opinião do diretor-presidente da Master Turismo, Fernando Meira Dias. “Depois da crise econômica, ficou muito barato viajar para fora do país. Antes, pagávamos 600 dólares pelo hotel e atualmente há promoções de 300. Se agora há alguns adiamentos, acredito que brevemente tudo voltará ao normal”, diz.