Quinta, 17 de Maio de 2012
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Sinais positivos

Projeções para o 2º semestre de 2009 revelam que o dominó da crise financeira mundial tende a diminuir o ritmo nos próximos meses, pelo menos no Brasil

Texto: Elisângela Orlando e Terezinha Moreira | Fotos: Arte: Paulo Werner


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O segundo semestre de 2009 deverá ser marcado pela reação de vários setores da economia brasileira. Certo? Se depender de projeções feitas por especialistas, sim. Nunca se falou tanto em retomada do crescimento quanto agora em relação aos seis últimos meses do ano. “Já temos sinais de aumento da produção em alguns setores industriais em virtude da redução dos estoques”, informa o gerente de economia e finanças da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Velloso. “O fundo do poço já passou.” Apesar do otimismo, vale ressaltar que a crise persiste e alguns sinais de alerta devem ser levados em conta. Mas, como os impactos da turbulência financeira internacional foram bem menores no Brasil do que em outros países, a hora é, sim, de pensar em dias melhores, sempre com prudência e canja de galinha que, como diz o ditado, não faz mal a ninguém.

Investimentos

As pequenas e médias empresas, que não foram tão fortemente afetadas pela crise econômica mundial, já voltaram a sondar o estado para viabilizar, a partir do segundo semestre do ano, investimentos que vão de 10 milhões a 500 milhões de reais. Quem afirma é o secretário de Estado de De­sen­volvimento Eco­nômico, Sérgio Barroso. Segundo ele, desde abril, o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) voltou a trabalhar com força total para atender à demanda de pequenos e médios empresários que pretendem retomar os investimentos em Minas. “Já estamos trabalhando com vários protocolos de intenções”, informa. Na avaliação de Barroso, empresas do setor varejista, atacadista e ligadas à produção alimentícia foram pouco impactadas pela crise econômica. E justifica por que as perspectivas para o segundo semestre são boas. “Os estoques de passagem es­tão se reduzindo drasticamente, as empresas de pequeno e médio portes não sentem tanto a crise e as corporações que têm como base o mercado interno estão voltando a investir”, aponta.

Projeção

Pequenas e médias empresas devem retomar investimentos que vão de 10 milhões a 500 milhões de reais

Alerta

De Sérgio Barroso, secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas

“O otimismo, entretanto, deve ser responsável. Não esperamos
recuperar a ponto de chegar ao mesmo patamar do primeiro
semestre de 2008”

Comércio

O comércio de Belo Horizonte aposta na elevação das vendas no segundo semestre deste ano em relação ao primeiro. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Roberto Alfeu, está confiante. “Isto é histórico: os últimos seis meses sempre são melhores para o comércio que os seis primeiros por causa da maior quantidade de datas comemorativas, do Natal”, afirma. Mesmo com expectativa de crescimento, o presidente da CDL-BH diz que será difícil o montante de vendas deste ano alcançar o registrado m 2008, quando o comércio teve excelente desempenho. A expectativa é de que em 2009 o comércio registre elevação de 2% a 3% em relação ao ano passado, que cresceu mais de 4% sobre 2007. “Se conseguirmos ampliar em 2% diante de base elevada e em época de crise, será um resultado excepcional”, resume Alfeu. Ele credita o bom desempenho do comércio às promoções, ao pagamento em dia do funcionalismo público e à redução do Imposto sobre Produtos Indus­trializados (IPI) para a linha branca, a construção civil e o setor de automóveis. Os bons negócios do comércio fazem com que outro movimento positivo seja registrado: a manutenção dos empregos. “Em suma, o mercado de varejo, após um período de retração, entre janeiro e fevereiro, praticamente se normalizou e a tendência é que continue aquecido no segundo semestre do ano”, prevê o presidente da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), Char­les Lofti. Mais sobre o setor varejista na página 62.

Projeção

Crescimento mínimo de 2% em relação ao 1º semestre

Alerta

De Ricardo Nunes, proprietário da Ricardo Eletro

“A não-postergação da redução da alíquota do IPI para a linha branca, por mais alguns meses, por parte do governo federal, será muito ruim para o comércio porque a economia brasileira ainda não se restabeleceu por completo”

Imagem: SXC
Imagem: SXC

Comércio Internacional

No cenário internacional, a crise econômica continua a gerar muitas incertezas. Embora, aparentemente, haja perspectiva de melhoria a partir do segundo semestre, tendo em vis­ta os últimos indicadores econômicos, não se tem certeza de que isso persistirá. É a análise de Luiz Olavo Baptista, advo­gado especialista em comércio internacional. Ele diz que há elementos imponderáveis, como o comportamento da China em relação às suas reservas em dólar, ou às compras que fará, e também da Índia e de outros países que têm grande peso no comércio mundial. “Se nada piorar, há perspectivas de melho­ra a partir do segundo semestre, mas são pequenas.” Para Gi­or­gio Romano Schutte, membro do Grupo de Análise de Con­juntura (Gacint) da Universidade de São Paulo (USP), em nível mundial, quando o mercado está indo bem há tendên­cia em exa­gerar o otimismo ou o pessimismo. “Havia excesso de pessimismo, que se traduziu em interrupção de investimentos e crédito. Essa fase passou porque os governos injetaram re­cursos massivos para garantir liquidez, recuperando a confiança. Não have­rá colapso total”, frisa. Entretanto, Schutte adverte que, ao mesmo tempo, o mercado interpretou algumas mudanças, como a demanda para matérias-primas da China, como sinais de recuperação. “No primeiro caso a perspectiva de melhora é justificada, no segundo, pode se tratar de no­va bolha, pequena, mas de qualquer forma não justificada.”


E como fica o Brasil? Na opinião de Schutte, em situ­a­ção mais confortável por não ter problema estrutural de superendividamento e superalavan­ca­gem. Ele diz que o país sofre indiretamente por meio das restrições ao comércio externo com os mercados pedindo menos e, de outro lado, com a falta de crédito. Sendo que este últi­mo fator tende a melhorar, e o impacto do primeiro, embora permaneça, não deve ser tão grande devido à re­lativa pequena exposição da economia brasileira. O Brasil foi feliz em ter diver­sificado sua dependência externa. Seu principal parceiro comercial individual é a China, que superou os EUA, algo impensável há alguns anos. “Qualquer recu­peração das ta­xas de crescimento na China, induzida pela demanda dos EUA ou por deslocamento da dinâmica de crescimento para a demanda interna de 1,3 bilhão de chineses, representa vantagem para o setor exportador, sobretu­do de commodities. O Brasil sai da crise fortalecido principalmente pela questão interna”, pon­dera o especialista da USP.

Projeção

Há perspectiva de melhoria no quadro a partir do segundo semestre, tendo em vista os últimos indicadores econômicos, mas os principais impactos na economia brasileira só devem ocorrer em 2010

Alerta

De Giorgio Romano Shutte, da USP

“Por enquanto chama a nossa atenção o aumento expressivo do desemprego nos Estados Unidos, que pode ter efeitos econômicos: provavelmente os
500 mil novos desempregados a cada mês têm vários cartões de crédito e estão endividados. O desemprego pode desencadear uma extensão e intensificação da crise mais adiante e, por isso, a cautela é justificada”

Foto: Daniel de Cerqueira
Foto: Daniel de Cerqueira

Juros

Embora continue a manter a mesma cautela que vem norteando a sua atuação, o Co­mitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) provavelmente promoverá quedas na taxa básica de juros (Selic) ao longo do segundo semestre de 2009. De acordo com Wanderley Ramalho, coordenador do Instituto de Pesquisas Econômicas e Admi­nis­trativas (Ipead) da UFMG, o próprio Copom reconhece, de modo bem mais explícito, que qualquer início de recuperação na atividade econômica, se ocorrer, se fará de modo inteiramente gradual, sem qualquer ameaça à trajetória de inflação. O presidente da Asso­cia­ção Comercial de Minas Gerais, Charles Lofti, acrescenta que há sinais bastante nítidos, em diversos setores econômicos, de que já se iniciou um processo de recuperação, certamente impulsionado pela queda dos juros e significativa redução de alguns impostos, o que deve continuar a se refletir no segundo semestre.

Projeção

O Copom deve manter a trajetória descendente da taxa básica de juros, o que pode gerar reflexos positivos em alguns setores econômicos

Alerta

Wanderley Ramalho, coordenador do Ipead

“Para o consumidor final, a situação mudou muito pouco. Na realidade,
o crédito ficou até mais escasso e as instituições financeiras mais seletivas. Assim, a despeito da trajetória descendente da Selic, na ponta do
consumo o comportamento das taxas de juros ainda demanda cuidado”

Imagem: SXC
Imagem: SXC

Mercado Interno

O mercado brasileiro está conse­guindo absorver o consumo de alguns produtos que eram vendi­dos pa­ra outros países. Nor­mal­men­te, 85% da produção global do Brasil são consumidos no mercado local, que de­ve, no segundo semestre, de acor­do com as projeções de diversos segmentos, ter as vendas ampli­a­das de maneira contínua e gradati­va. Um bom exemplo foi a elevação em 2,1% das vendas de veículos em maio de 2009 frente a maio de 2008. As formas de o consumo interno aumentar mais no segundo semestre são com a redu­­ção dos juros – que deverá ocorrer até o fim do ano – e a manutenção da inflação nos atuais patamares. Para o economista Alberto Rocha a oferta no mercado brasileiro está maior do que a de­manda. “Mas o governo tenta impul­sionar o consumo, com estímulos fis­cais para o se­tor au­tomotivo, linha branca e a constru­ção civil. Mas, para que o efeito se­ja ainda maior, é preciso também reduzir os juros e aumentar o crédito. Aliás, a liberação de crédito é preponderante para que a economia cresça”, salienta.

Projeção

Elevação contínua e gradual no 2º semestre

Alerta

De Ricardo da Silva, professor de finanças da Universidade de Brasília

“A possibilidade de desaquecimento do mercado interno ocorreria
somente se houver elevação das exportações. O aumento das vendas para o exterior poderia majorar os preços no mercado interno, o que provocaria queda no consumo”

Imagem: SXC
Imagem: SXC

Mercado financeiro

O pós-doutor em Economia e professor da Escola de Economia da Fun­dação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Márcio Holland, diz que, curiosamente, o mercado financeiro está reagindo à crise antes da economia real. Para ele, a recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com ganhos financeiros para os investidores e a apreciação do real frente ao dólar criaram dois cenários para o segundo semestre. “O mercado financeiro, que trabalha com o futuro, antecipa a recuperação da economia. O ponto negativo é que está se antecipando muito porque a economia real ainda causa preocupação devido à recessão técnica do primeiro trimestre”, analisa.

Holland diz que o mercado financeiro é resultado de informações e no Brasil, as notícias são de que as medidas do governo para incentivar o consumo estão tendo efeito positivo e, por outro lado, a taxa Selic, que ainda é muito alta, atrai investidores estrangeiros, que veem possibilidade de ganhos maiores em aplicações no país. Para o economista da FGV, o segundo semestre de 2009 se desenha com crescimento econômico baixo ou até mesmo zero, o que poderá influenciar o mercado financeiro. “Mas a tendência é de que no segundo semestre, devido às ações dos governos no mundo, que deverão começar a surtir efeito, haja recuperação da economia, mas nada de impressionar”, prevê Márcio Holland.

Projeção

Seu bom desempenho depende da reação da economia real

Alerta

De Márcio Holland, da FGV/SP

“O mercado financeiro antecipou muito a recuperação da economia real, o que não é nada bom porque ela ainda é motivo de muita preocupação”

Imagem: SXC
Imagem: SXC

Agronegócio

O agronegócio brasileiro, que começou a ganhar mais fôlego desde o último mês de maio, deverá ser impulsionado neste segundo semestre e poderá fechar o ano com alta de 2% a 2,5% em seu faturamento com relação a 2008, quando viveu excelente momento. O mestre em economia rural Danilo Biasi ressalta que, em função das características do país para o agronegócio, que utiliza tecnologia bem mais evoluída do que a maioria das demais nações, o Brasil tem condições de exportar mais, mesmo que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tenha projetado queda na produção de grãos. Se a estimativa da Conab for confirmada, o agronegócio brasileiro – que, historicamente, deu grandes contribuições para o Produto Interno Bruto (PIB) – não deverá enfrentar problemas porque o consumo de carne de aves, por exemplo, não foi afetado pela crise. “Mesmo em momentos de dificuldade, ninguém deixa de comprar alimentos. O que pode acontecer é a migração de um para outro”, diz Biasi. Mas não é somente a avicultura que deverá ampliar os negócios ao longo dos próximos seis meses. As expectativas para o segundo semestre são animadoras. A maioria dos analistas acredita que os níveis dos estoques governamentais estejam baixos e precisam ser repostos. Além disto, os contratos com a China, recém-assinados pelo presidente Lula, também vão ampliar o agronegócio brasileiro.

Projeção

Aumento das vendas internas e externas

Alerta

De Danilo Biasi, mestre em economia rural

“Apesar do início da recuperação de mercado, inclusive externo, o agronegócio brasileiro vive momento de queda nos preços das commodities e por isto precisa produzir e vender mais para não se distanciar tanto dos resultados
financeiros obtidos no ano passado. O país está vendendo mais em termos de quantidade para conseguir empatar, em termos financeiros, com o ano de 2008, quando os produtos estavam bem mais valorizados”

GM GRAVATAI (RS)
GM GRAVATAI (RS)

Indústria automotiva

Os resultados da indústria automotiva brasileira, registrados em maio devem dar o tom do desempenho do segmento no segundo semestre deste ano. De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fa­bricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram licenciados no Brasil 2,1% a mais de veículos no mês de maio deste ano em comparação com o mesmo período de 2008. Quando a comparação é feita com o mês anterior, já em período de crise financeira, a elevação é de 5,4%. Nos primeiros cinco meses do ano, foram licenciados 1,15 milhão de veículos, resultado que deixa a movimentação em 2009 estável em relação a igual período do ano anterior, e que lança certo otimismo ao setor, que atravessou amargos momentos desde o último trimestre do ano passado. Especialistas creditam a venda de veículos nos últimos cinco meses à me­dida do governo federal, que reduziu o Imposto sobre Produtos Indus­tria­lizados (IPI), o que pode baixar em até 4 mil reais o valor de um carro, dependendo do modelo. Esta ação fez com que muitas pessoas antecipassem a compra e a troca de veículos. Como surtiu efeito positivo na economia nacional, a aposta é de que a medida seja mais uma vez prorrogada pelo governo. “Se a suspensão das desonerações de IPI pode gerar efeitos perversos na economia brasileira, a tendência é de o governo prorrogar o benefício por mais algum tempo”, prevê o pós-doutor em Economia e professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Márcio Holland.

Projeção

Otimismo com relação à retomada do crescimento no segundo semestre

Alerta

De Guilherme Velloso, da Fiemg

“A produção de veículos este ano será menor do que a do ano passado, o que irá impactar negativamente nos resultados da economia mineira”

Imagem: SXC
Imagem: SXC

Construção Civil

As medidas do governo federal como forma de tentar amenizar o impacto da crise financeira internacional no Brasil, no setor da construção civil, foram pontuais, mas estão surtindo efeito. As vendas de material de construção cresceram 4,5% em maio deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). O resultado torna-se mais expressivo, subindo para 10%, quando são computadas as vendas dos 30 produtos que tiveram redução ou até mesmo isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Diante destes primeiros resultados, a expectativa do segmento é de que os negócios deste ano superem em 5% os obtidos no ano passado, e já para o mês de junho, é esperada elevação de 8% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano passado.

Além do IPI, outras ações do governo federal para estimular a construção civil também foram importantes para a retomada dos lançamentos imobiliários. O programa Minha casa minha vida, que prevê financiamentos para famílias com renda de zero a três salários mínimos – faixa social em que se concentram 93% do déficit habitacional brasileiro, de 7,2 milhões de unidades – está sendo responsável pela retomada de investimentos no segmento econômico. A redução das taxas de juros para os financiamentos habitacionais também está sendo muito bem recebida pelo setor. “As ações governamentais melhoraram muito a autoconfiança dos brasileiros, que passam a ter disposição para investir”, diz o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte, Roberto Alfeu. Aliada às ações do governo, o setor da construção civil tem a seu favor o fato de não depender do mercado externo para voltar a crescer. O incremento do setor dará impulso também à indústria da metalurgia, extremamente dependente do mercado externo.

Projeção

Apostas nas medidas do governo para consolidar o crescimento do setor no segundo semestre

Alerta

De Charles Lofti, presidente da ACMinas

“A economia, como um todo, fortemente influenciada pelos resultados negativos das mineradoras e dos fabricantes de aço, não mostrará bom desempenho. As melhores estimativas que faço são de crescimento
máximo de 0,5% neste ano”

Arte: Paulo Werner
Arte: Paulo Werner

Inflação

Não há dúvidas de que, há algumas décadas, a inflação era o principal fantasma que aterrorizava a economia brasileira. Mas os tempos mudaram e o Brasil vive momento de estabilidade, principalmente no que se refere ao movimento de sobe-e-desce dos preços. E no segundo semestre de 2009 não deve ser diferente. Mesmo que o país volte a experimentar uma fase de aquecimento econômico nos próximos seis meses, a demanda não deve ser suficiente para causar uma pressão inflacionária. A opinião é do coordenador do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas (Ipead) da UFMG, o economista Wanderley Ramalho. “Hoje, a inflação está sob controle e não há deterioração de salários por causa de preços, mas sim em razão do crédito”, alerta. A última pesquisa divulgada pelo Ipead no início de junho mostra que, em maio, o IPCA, que mede a evolução dos gastos das famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, apresentou variação positiva de 0,33% em relação ao mês anterior. O aumento, porém, ficou dentro das expectativas, tendo sido alavancado pela alta nos preços dos planos de saúde e de alguns itens de cuidados pessoais.

De janeiro a maio de 2009, o IPCA acumula alta de 2,81% frente ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses, a variação foi de 5,46%. Mas, na avaliação do economista, se efetivamente houver recuperação no segundo semestre, provocando aquecimento na economia brasileira, não haverá pressão de demanda suficiente para impactar a projeção de inflação para 2009, que deve ficar em torno de 4,5%. “Estamos apenas ensaiando um processo de recuperação, mas não saímos da crise ainda e esse processo será lento.”

Projeção

A inflação deve fechar o ano em 4,5%, conforme projeção inicial do governo

Alerta

De Luiz Olavo Baptista, advogado

“Não vejo motivos para muito otimismo em relação ao segundo
semestre de 2009. Acredito que devemos ser mais realistas e
reconhecer que estamos vivendo ainda numa era de incertezas“


 
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