Quinta, 17 de Maio de 2012
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Evento

Cinco Anos para o Dever de Casa

Belo Horizonte começa a se movimentar, principalmente no item mobilidade urbana, para ser exemplo de sede na Copa de 2014

Texto: Flávio Penha | Fotos: Divulgação


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Perspectiva de como ficará o Mineirão

Belo Horizonte tinha pouco mais de 350 mil habitantes, em 1950, quando, junto com Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, recebeu jogos da 4ª Copa do Mun­do. O cenário de hoje guarda pelo menos uma semelhança com o que ocorreu há quase 60 anos. A cidade não tinha estrutura para receber os jogos e teve de correr, e muito, para conseguir melhorar sua infraestrutura e construir um estádio digno de  disputa mundial. Hoje a capital mineira já se movimenta para cumprir as exigências da Fifa, uma delas relativa à mobilidade urbana.

Aliás, este é um problema que tem a idade do Mineirão. Desde sempre chegar ao estádio nos dias de grandes jogos foi difícil. Um lado do problema está quase resolvido. Até o final de março do próximo ano o governo do estado entrega a nova avenida Antônio Car­los que está sendo duplicada ao custo de aproximadamente 350 milhões de reais. A obra não interessa apenas aos torcedores. Ela é imprescindível ao vetor norte da região metropolitana, pois é um dos corredores de acesso à Cidade Administrativa, que começa a receber os 20 mil servidores estaduais da capital no final deste ano, e ao aeroporto de Confins.

Para completar este corredor, a prefeitura programa a duplicação da avenida Pedro I, da barragem da Pampulha até o entroncamento com a Cristiano Machado, em Venda Nova. Aí fica assegurada a acessibilidade aos dois aeroportos, Confins e Pampulha. Bem, mas esta é apenas uma vertente da questão da acessibilidade, considerando a Copa do Mundo. A prefeitura programa ainda reformas nos corredores da Catalão, Amazonas, área central e Savassi, além, claro, da avenida Abraão Caram. Só com obras de vias de acesso, a prefeitura estima que terá gasto de 3 bilhões de reais. O que preocupa o prefeito Marcio Lacerda, que administrará a cidade até 2012, é saber onde arrumar o dinheiro. Ele considera este um gargalo importante, mas não insuperável. Por isso, quer informar-se primeiro quanto vai ter do governo federal para investir em obras, para depois pensar como arranjar o restante.
Dinheiro não é a única dificuldade para a realização de uma obra. Definida a necessidade, é preciso elaborar projetos, realizar licitações e, se a obra é urbana, certamente enfrentar a maratona das desapropriações, sempre demoradas quando há recurso à Justiça. Todos estes pontos, admite Murilo Valadares, secretário municipal de Políticas Urbanas, são fontes de preocupação pelos atrasos que podem provocar. “Já temos vários projetos contratados e em elaboração, mas reconheço que, se precisarmos de novos, poderemos ter dificuldades na contratação. Não existe qualquer hipótese de se fazer licitação com menos de quatro meses.”

Superados estes gargalos, Valadares não acredita em dificuldades maiores na execução. Para ele, nem mesmo a possibilidade de um boom de obras públicas, por causa da Copa e dos programas federais, poderá trazer problemas como, por exemplo, falta de mão-de-obra e aumento dos custos. Com ele concorda o presidente do Si­cepot, Marcus Salum. “Acho que o setor da construção está perfeitamente preparado para enfrentar este desafio. Aliás, a cidade precisa, há muito tempo, de obras que melhorem sua estrutura. A Copa não está criando necessidade. Ela é apenas o fator de motivação.”
Realizadas as obras físicas de melhoria dos corredores, a BHTrans garante que consegue melhorar as condições de locomoção na cidade. Fora a melhoria das linhas Barreiro e Venda Nova do metrô, Ramon Victor, presidente da empre­sa, considera fundamental que se implante o ramal Savassi/Lagoinha, tudo isto com dinheiro federal. Com recursos da iniciativa privada, já assegurados, ele garante que implanta um moderno sistema de transporte de passageiros na Antônio Carlos, para o atendimento do Mineirão, e em outros seis corredores de transporte na cidade. “O transporte rápido por ônibus, inspirado no modelo de Bogotá, na Colômbia, utilizará as pistas exclusivas, que serão modernizadas para assegurar maior velocidade comercial aos veículos e aumentar a capacidade de transportes de passageiros.”

Tudo para receber bem os turistas. Quantos serão, ninguém sabe. A Fifa exige que as cidades-sedes tenham o mínimo de 14 mil acomodações. Muito mais que isto, garante Silvania Capanema, a cidade tem. Segundo ela, que preside a seção mineira da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, na Grande BH são mais de 20 mil acomodações disponíveis que podem receber até 32 mil pessoas. “Não podemos pensar apenas em hotéis de luxo. Este tipo de evento atrai pessoas de alta, média e até baixa renda. Que ninguém pense que a Copa do Mundo vai atrair grandes investimentos em construção de novos hotéis. Ninguém vai construir  hotel, fazendo alto investimento apenas para atender a  um evento.”

 E quanto ao grande palco dos jogos? Aos 44 anos, o Mineirão, que já foi um dos maiores e mais modernos do mundo, hoje é um estádio superado para os padrões internacionais. Tanto que até diminuiu – tem carga máxima atualmente inferior a 70 mil. Para a Copa, vai ser totalmente reformado, ganhando mais espaço e conforto para os torcedores, nova cobertura, que atinge também o campo de jogo, gramado novo e rebaixado que assegura melhor visibilidade, além de novos vestiários, áreas de circulação internas, modernas instalações e tecnologia para atender à imprensa. Isto, no estádio propriamente dito. O projeto de sua reforma prevê, porém, melhorias em seu entorno, inclusive do Mineirinho e sua harmonização com o meio ambiente. Seu estacionamento, que já é o melhor do país, será ampliado e haverá espaço comercial e para outros usos.

É com estes espaços que se pretende conseguir a parceria da iniciativa privada nas obras de reforma do conjunto Mineirão e Mineirinho. O secretário de Esportes, Gustavo Corrêa é, no entanto, cauteloso neste assunto. A crise econômica mundial, admite ele, poderá dificultar parcerias, o que obrigaria o poder público a bancar sozinho a reforma. Corrêa diz que já teve do governador Aécio Neves a garantia da verba necessária – ainda não definida pela inexistência de projeto executivo – para as obras. Se necessário, adianta, o Mineirinho, que não tem qual que não tem qualquer relação com os jogos da Copa, poderá ficar sem a reforma planejada.


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Prefeito nas Regionais

O estilo de administrar é híbrido. Muita iniciativa privada com doses, cada vez mais ampliadas, de um novo modelo de administração pública. É por causa desta visão do que seja o ideal para comandar a cidade, que o prefeito Marcio Lacerda inseriu em sua programação de trabalho contatos diretos com o povo, com os servidores da prefeitura e dos que prestam serviço a ela. Nada mais apropriado para a cidade que tem enorme para casa pela frente desde que foi confirmada como uma das sedes para a Copa do Mundo de 2014. Afinal, mais do que nunca, a prefeitura deverá estar atenta às necessidades que população e servidores públicos têm em relação a BH. Será o início do caminho para a realização de tantas mudanças, tanto físicas como conceituais, imprescindíveis à capital mineira.

Das nove administrações regionais, Lacerda já visitou sete. Até o final do mês completa o círculo. Estas foram apenas as primeiras visitas. Outras vão acontecer, sem periodicidades definidas, podendo ser até mesmo de surpresa. “As minhas empresas tinham 16 filiais e, volta e meia, eu as percorria. O objetivo daquelas visitas, como as que estou fazendo agora às administrações regionais, nunca foram de fiscalizar, nem cobrar. Busco abrir a participação, ouvir o que as pessoas têm a dizer, a sugerir. Este diálogo acaba criando cumplicidade e comprometimento com os objetivos a serem alcançados.”

No conceito Marcio Lacerda, visitar uma região é mais do que ir ao prédio onde ela está instalada e conversar com o administrador e funcionários. As visitas normalmente ocupam toda a agenda do prefeito no dia. Na acompanhada pela Viver Brasil à Regional Pampulha, a  programação começou às 8h15, com café e discursos. Primeiro do secretário da regional, Osmando Pereira, e depois do prefeito que colocou para os servidores seus conceitos de trabalho. “Vamos exercer a administração onde o povo está. Respeitamos a representação política, mas queremos ampliar este contato com o povo, aperfeiçoando os instrumentos de participação, como os diferentes conselhos e até mesmo o Orçamento Participativo que tem bom formato, mas que talvez precise de correções que vamos estudar.” Ele anunciou ainda aos servidores que até o final de junho anuncia os 40 projetos estruturadores, que serão executados ao longo de seu governo. Alguns deles, explicou, exigem a realização de obras, como a do Hospital Metropolitano, outros trabalharão mudanças de conceitos, como a melhoria do ensino público.

Cauteloso, porém franco, o prefeito cuidou de não alimentar esperanças ou abrir polêmicas nas relações com os servidores que estão em campanha por melhores salários. Não tocou no assunto, mas fez questão de dizer que antes de julho é impossível saber se terá receita para dar aumento.  Prometeu que, entre as mudanças administrativas que pretende implantar, está a reformulação do setor de recursos humanos: “Que não cuide apenas da presença e da folha de pagamento do servidor, mas que promova a qualificação e o treinamento do funcionário, com remuneração variável, pontuada pelo cumprimento das metas, indicadores acordados, dentro do conceito moderno de administração de pessoal.”

Dado o seu recado, Lacerda seguiu para o Via Brasil, onde recebeu do empresário Levi Nogueira a notícia de que o centro será amplia­do e transformado num gran­de shopping, com mais 120 lojas. Com pontualidade pouco co­mum nos políticos, La­cerda visitou ainda o Centro de Saúde Santa Rosa, onde ouviu funcionários e usuários, a quem orientou reclamar à prefeitura se o atendimento não for bom. Mesma recomendação fez aos pacientes da UPA Pam­pulha, onde reconheceu que as instalações e as condições de atendimento não são adequadas. Assegurou, porém, que serão realizadas obras de ampliação.

A agenda teve ainda  vistoria nas obras de drenagem e urbanização no Engenho Nogueira, e no canteiro de obras do interceptor sanitário da margem esquerda da lagoa, obra da Copasa. Participou também de plantio de árvores na praça da Pampulha, almoço com empresários da região, visita ao Jardim Botânico, inauguração de Espaço de Cidadania, no Confisco. A manhã atribulada do prefeito terminou com reunião do Con­selho Municipal do Meio Am­bi­ente, no bairro Castelo, onde foi inaugurado o Centro de Educação Am­biental da Pampulha. 


 
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