Quinta, 17 de Maio de 2012
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Economia

Só Fez Cócegas

Nem marolinha, muito menos tsunami. A tão propalada crise mundial parece não ter incomodado o setor varejista da capital mineira

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Pedro Vilela


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Salvador Ohana: dólar em queda incrementa venda de importados

A crise financeira mundial, que provocou falências de gigantes do setor financeiro nos Estados Unidos abalou muitas empresas em diversos países e afetou, principalmente, o setor de mineração em Minas Gerais, parece ter feito apenas cócegas em alguns segmentos do comércio de Belo Horizonte. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a volta do crédito mais barato são dois dos motivos para o registro (ou a manutenção) do bom desempenho. E o melhor: o setor está otimista para o segundo semestre. Afinal, é principalmente em novembro e dezembro que as vendas para o Natal deixam o comércio mais aquecido.

“Não se pode esquecer de que o mundo está vivendo a famosa e propalada crise financeira, mas ela não chegou ao comércio com a mesma intensidade que atingiu outros setores. O comércio é mais ágil e faz adaptações rápidas nestes momentos”, enfatiza o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belo Horizonte (Sindilojas BH), Hiram dos Reis Corrêa. Segundo ele, o comércio não dita o preço de seus produtos, apenas faz a sua adequação ao consumo. Corrêa diz, ainda, que estão sendo aplicados mecanismos para tornar a crise mais palatável, como a prática de preços convidativos, com a redução do lucro dos empresários. “Estas medidas foram preponderantes para mantermos as atividades. Estamos superando a crise com muita galhardia”, assevera o presidente do Sindilojas BH, que espera fechar 2009 com resultados iguais aos registrados em 2008.

Uma das empresas que passaram ilesas à crise foi a Ricardo Eletro. São 260 pontos de vendas espalhados pelas principais regiões brasileiras. Foi registrada elevação de 5% nos negócios nos primeiros cinco meses deste ano. O bom desempenho deveu-se principalmente, segundo o proprietário da rede, Ricardo Nunes, à redução do IPI para a linha branca. “Se o governo não postergar a redução da alíquota do IPI por mais alguns meses não será bom para o comércio porque a economia brasileira ainda não se restabeleceu por completo”, adverte o empresário, que espera manter o mesmo ritmo de vendas no segundo semestre, o que somente será possível se a redução do tributo for mantida pelo governo federal.

“O desenho da crise foi pintado muito mais feio do que realmente é. Nossas vendas estão dentro do que planejamos”, define o diretor-presidente da loja de grife masculina Klus, Salvador Ohana. Segundo ele, no primeiro trimestre do ano sua empresa não foi afetada pela crise. Somente no mês de abril as vendas registraram ligeira queda, mas a partir de maio os negócios voltaram a crescer e estão sendo mantidos, com expectativa de serem ampliados no segundo semestre de 2009. Ohana diz que a empresa estando bem preparada, como é o caso da Klus, é muito mais fácil passar sem problemas por um período de crise financeira. No caso de sua empresa, a apreciação do real frente ao dólar é um ótimo negócio, pois também trabalha com produtos importados.

Outro segmento que não foi afetado pela crise foi o de cosméticos. E isto é histórico. A L’acqua di Fiori, por exemplo, em seus 28 anos de fundação, nunca registrou queda nas vendas nas diversas crises econômicas que atravessou. “Pelo contrário. Pesquisas revelam que nosso segmento sempre registra alta nas vendas porque nos momentos de insegurança econômica, as pessoas sempre procuram se satisfazer com agrados, e as mulheres, em particular, nunca deixam de usar cremes, batons e perfumes”, explica o diretor da L’acqua di Fiori, José Paulo Mesquita. Se o primeiro semestre será encerrado em alta, as expectativas para os seis últimos meses do ano são as melhores possíveis. “No início do ano, alguns franqueados, por precaução, adiaram a abertura de lojas, mas já retomaram os investimentos e até o fim deste ano, teremos mais 80 pontos de vendas inaugurados no Brasil”, revela Mesquita. Com estas novas lojas a marca ficará com mais de 1,2 mil pontos de venda no país. Mas, de que mesmo estávamos falando? De crise?


 
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