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Artes Plásticas
Tal qual uma criança curiosa que brinca de experimentar texturas e diferentes elementos, o artista plástico Eymard Brandão levou-se pela imaginação e promoveu uma instigante compatibilidade entre matérias esteticamente e, supostamente, incompatíveis. As rolhas de cortiça, cortadas em camadas finas, lixadas, pintadas e reinventadas, plasticamente interagem com a areia utilizada na construção civil, fixada no outro lado da tela dividida por uma chapa de metal. O trabalho, uma pintura – no amplo sentido do termo – produzida em 2006, sem título, é referência importante na trajetória atual de Brandão. Marca não só a continuidade de sua comunicação artística com materiais do cotidiano e da natureza, como também deu origem a uma pesquisa, em andamento, realizada junto com a Fundação Estadual do Meio Ambiente, Feam, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, Fapemig. Ainda sem resultado plástico, a ideia do projeto é buscar produtos industriais que, de alguma forma, possam ser utilizados no meio artístico. E, assim, mais uma vez, lá se vai Eymard Brandão, mergulhado em seu autêntico pensar e fazer artístico, redistribuindo significações estéticas aos elementos da sociedade contemporânea.
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O artista
Toda criança se expressa naturalmente através da arte e, no caso de Eymard Brandão, não foi diferente. Assim como o mineiro nascido em Belo Horizonte, o ingênuo interesse da infância cresceu e o levou a cursar artes plásticas, na Escola Guignard, onde se formou em 1971, foi diretor, e, atualmente, é professor. Dos tempos de faculdade ele guarda a lembrança de mestres que foram essenciais para sua formação, como Sara Ávila que, segundo o artista, soube, de forma especial, despertar o potencial criativo dos alunos. As importantes lições de escultura e poética do espaço de Amílcar de Castro também marcam a época estudantil, assim como as aulas de Solange Botelho, que o auxiliaram a ver além do que era observado em sala. Curiosamente, antes mesmo da graduação, Brandão já lecionava na instituição. Com 38 anos de carreira recheados por premiações e exposições, ingressou no universo artístico com o desenho realista, que vez e outra ganhava conotações pop e, gradativamente, cedeu lugar à abstração. Foi questão de tempo até que esta face abstrata expandisse e alcançasse a pintura, marcada pela técnica mista e a experimentação de inusitadas matérias, vestígios do mundo contemporâneo redescobertos esteticamente. Suas obras já puderam ser conferidas na Europa e em Cuba, além de nacionalmente. Na capital mineira, ganha destaque sua mais recente exposição, Re-Matéria (2006), na galeria da Cemig, da qual fez parte a obra desta coluna.
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