Não se pode negar os avanços do governo Lula. Isto porém não significa adotar uma postura criacionista, como os petistas, que consideram ser exclusivamente obra do lulismo o que há de bom no Brasil. Mais perto da realidade estão os evolucionistas, que compreendem a situação atual como resultado de um processo que começou lá atrás, com a consolidação democrática de Tancredo e Sarney, a abertura da economia por Collor (apesar do desastre de seu governo) e a sequência da abertura e estabilidade da moeda com Fernando Henrique.
Nosso momento econômico é uma conjunção de fatores, internos e externos, que Lula soube, inteligentemente, explorar. A começar pela manutenção da política econômica de seu antecessor e a escolha de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central, com a responsabilidade de comandar, na prática, nossa economia. Assim, conseguiu acalmar os investidores, permitindo o aproveitamento de um período de crescimento da economia internacional, puxado pela China e pela Índia.
O presidente teve também a sensibilidade, e é imprescindível reconhecer este mérito, de aliar a uma política desenvolvimentista um bem elaborado projeto social de transferência de renda através do Bolsa Família. Com isto, incrementou o mercado interno, fator decisivo para que o país tivesse, hoje, condições mais sólidas para enfrentar a crise mundial sem maiores abalos.
Desenvolvimento econômico e avanços sociais, com melhoria do emprego, via crescimento da indústria e do comércio, explicam, então, a aceitação do governo Lula – 69% de bom/ótimo – segundo pesquisa DataFolha.
Se dependesse do PAC, no entanto, a situação, com certeza, estaria bem pior. Nomeada mãe do PAC, a ministra Dilma Rousseff, em um dos atos de sua campanha, em Montes Claros, chegou a dizer que o programa é um dos principais instrumentos de que dispõe o governo para enfrentar a crise, pela sua capacidade de gerar empregos, movimentar importantes setores da economia e criar infraestrutura para atrair investimentos.
É tudo que o programa não tem feito. Decorridos praticamente dois anos de seu lançamento, o PAC tem apenas 23% de suas obras em andamento. A esmagadora maioria, 74% das obras programadas, não saiu do papel.
Isto tem uma explicação. Ao contrário do Bolsa Família, resultado de inteligente fusão de programas existentes, consolidando-os e dando-lhes capilaridade e exposição, o Programa de Aceleração do Crescimento foi apenas uma estratégia de marketing.
Juntaram-se obras em andamento, obras prioritárias e investimentos de empresas estatais, como a Petrobras (alvo de uma CPI que, mesmo antes de começar já cheira a pizza), colocaram tudo num pacote publicitário e entregaram ao povo, com uma mãe amarrada a um projeto político.
É com este pacote, que na linguagem popular mais parece um embrulho de bananas, de tão mal-enjambrado, que Lula vai tentando fazer de Dilma sua sucessora, sem que a oposição, PSDB à frente, consiga alavancar sua campanha, indicando logo seu candidato. Tem Aécio e Serra para a disputa. O PT torce para que o governador paulista seja o escolhido. Aécio, confidenciam alguns petistas, seria um adversário bem mais difícil de derrotar.