A safra 2011/2012 de grãos em Minas deve bater recorde e chegar a 11,5 milhões de toneladas, depois de um período de 10 anos de estagnação em 10 milhões de toneladas, impulsionada pelos bons preços dos grãos no mercado. O cenário das commodities agrícolas não foi afetado pela crise internacional, que assola países europeus e os Estados Unidos. A explicação para essa blindagem é que os países emergentes são os maiores consumidores de grãos da atualidade e a boa notícia é que a demanda está em elevação. O aumento da área plantada de milho no estado foi o principal responsável pela safra recorde.
“O milho conseguiu manter boa rentabilidade no mercado, o que provocou redução na área plantada de soja, arroz, algodão e sorgo”, diz o coordenador da assessoria técnica da Faemg, Pierre Vilela. Segundo ele, a área destinada ao milho em Minas aumentou 8,5% nesta safra em comparação com a anterior, passando de 1,177 milhão para 1,277 milhão de hectares. Em contrapartida, a soja teve redução de 1,2%, o arroz, de 10,2%, o algodão, de 2,7% e o sorgo, de 37%. Os problemas climáticos no Sul do Brasil e na Argentina, que provocaram perdas na safra, beneficiaram os produtores mineiros, que estavam bem capitalizados devido aos bons preços da safra passada, o que possibilitou investimentos no plantio de milho.
E se deram bem porque, além do bom preço do produto, a produtividade do milho aumentou em 4,7%, saindo de 5,5 mil kg/ha para 5,8 mil kg/ha. “O milho responde bem à tecnologia. Se o produtor adubar mais e plantar semente de qualidade colherá bons resultados”, explica Vilela. Segundo ele, a expectativa é de que a produção de milho aumente 13,4%, passando de 6,5 milhões de toneladas para 7,4 milhões. Não é para menos porque o grão oferece rentabilidade média de 25% a 30%. “Pouquíssimas atividades oferecem esta rentabilidade no país”, destaca o assessor da Faemg. De acordo com ele, o milho é plantado em todo as o estado, mas a produção é maior no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, sendo que Unaí é o maior município produtor no estado.
O agricultor e pecuarista Hélio Machado, que também é presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Unaí, conta que a área plantada na região Noroeste é de 97,2 mil hectares, com produção média de 140 sacas por hectare. “É uma média alta, considerável.” Em Unaí, segundo ele, o milho é cultivado em 26 mil hectares. O grão é almejado pela maioria dos produtores na chamada safrinha (cultivada entre as safras principais), uma das formas de se ampliar ainda mais a produção no município. Hélio Machado destina 200 hectares de suas propriedades ao cultivo do grão. A área era menor, mas, devido aos bons preços registrados nas últimas safras, aumentou um pouco a quantidade de hectares. “Há muitos produtores de Unaí deixando a pecuária para investir na agricultura. Há experiências de plantio nos vãos (áreas mais baixas) com uso de pivôs de irrigação e, com isto, a tendência é de a agricultura aqui ganhar mais espaços e, se o preço do milho estiver melhor, poderá ter sua área aumentada.”
O produtor rural e ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, que faz a integração lavoura-pecuária em sua fazenda em Baldim, a 102 km de Belo Horizonte, ampliou a área plantada de milho para 220 hectares na safra 2011/2012. Ele diz que os bons resultados da safrinha do Mato Grosso fez o preço do grão reduzir um pouco. “No entanto, o valor pago pelo produto ainda é bem razoável, com tendência internacional de aumento na demanda e, consequente elevação do preço”, analisa. Paulinelli se diz muito otimista porque o Brasil é o único país que pode suprir o crescimento da demanda mundial de grãos. Ele conta que está fazendo trabalho para expandir a produção por aqui. “Só em pastagens degradadas temos mais de 100 milhões de hectares. Temos de preenchê-las com produtos mais resistentes à seca, para também aumentar a produtividade.” E aproveitando este embalo do agronegócio, o governo do estado, juntamente com a Faemg e o Sebrae, prepara a oitava edição da
Superagro Minas.
A feira é a grande vitrine para a divulgação do potencial do agronegócio mineiro e sempre conta com a participação de criadores, produtores rurais e de empresas de máquinas, equipamentos, produtos, insumos e novas tecnologias voltadas para o setor. No ano passado, a feira movimentou 5,8 milhões de reais e foi visitada por 70 mil pessoas. Para este ano a meta dos organizadores é bater essas duas marcas. E nem só de negócios é feita a Superagro Minas. Durante o evento são realizados seminários e debates com temas voltados para os interesses dos participantes. Simultaneamente, acontecem a Exposição Estadual Agropecuária, a Feira e Festival Internacional da Cachaça (Expocachaça), a Feira de Negócios, Serviços e Produtos Pet e Veterinários (Expovet Minas), a Feira da Agricultura Familiar (com venda de produtos) e o Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal. A Superagro Minas acontece de 3 a 10 de junho, no Expominas, em Belo Horizonte.
Programação da Superagro 2012
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Abertura oficial: 7/6, às 11 horas
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52ª Exposição Estadual Agropecuária: 3 a 10/6
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20ª Expocachaça: 7 a 10/6
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3ª Feira de Negócios, Serviços e Produtos Pet e Veterinários (Expovet Minas): 7 a 10/6
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Vila da Agricultura Familiar: 7 a 10/6
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Seminário Minas Leite: 7 e 8/6
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Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal: 8/6
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Minifazenda: 5 a 10/6