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Artigo
Não há como negar que a estabilidade monetária contribuiu para redesenhar o Brasil, fazendo com que o empresário passasse a exercer um papel de transformador em relação ao futuro. No passado, a complexidade econômica decorria das incertezas oriundas do processo inflacionário. Hoje, a volatilidade advém de outras variáveis, por conta das novas tecnologias, das novas abordagens em que pesem questões econômicas, sociais e ambientais. Neste ambiente emergem as oportunidades em níveis globais, o que representa o acirramento da concorrência baseada na gestão inovadora de produtos e processos, aliado à criação do valor agregado social. O Brasil de hoje caracteriza-se pelo movimento acentuado de mobilidade, com a entrada de novos consumidores, com novos desafios descortinados para atender a essa população que enxerga o consumo como investimento, alavanca do PIB e força do mercado interno.
Nesse ambiente de êxitos e avanços é louvável o compromisso do Banco Central com a preservação da estabilidade. Contudo, é mais do que oportuno o corte das taxas de juros em efeitos cadeia, da Selic à ponta do consumidor, o estímulo da concorrência entre bancos, aliada à discussão dos spreads elevadíssimos praticados pelo sistema financeiro brasileiro.
Essa agenda positiva, sempre defendida pela classe empresarial, é fundamental para se pensar o país em um cenário de longo prazo, na trajetória do crescimento econômico sustentável. O pesado custo do dinheiro tem efeitos nocivos na saúde financeira das empresas e pessoas, que são responsáveis pela dinâmica da economia real. Desconsiderar a realidade de um mercado de consumo financiado a custo elevadíssimo é visão de curto prazo, não provoca mudanças de bem-estar consistentes.
Nós, empresários, buscamos e precisamos oferecer crédito para alavancar os nossos negócios de venda, de modernização e de investimentos, os quais garantirão que os êxitos do passado sejam mantidos no futuro, através da geração de emprego de qualidade, com mais educação, capacitação e renda equitativa. A inadimplência fragiliza a dinâmica do sistema econômico, realimentada pelo peso dos juros. Esses, nem sempre administrados pelos consumidores e empreendedores, em especial, os dos micro e pequenos negócios, penalizando a saúde financeira do sistema.
Certo é que temos de ser multifocal. Com olhares no otimismo, nos desafios e oportunidades e nos gargalos estruturais, ainda a serem superados, que impõem custos de transações. Sabemos que o ambiente de negócios global exige patamares de taxas de juros próximos da realidade internacional. Assim, o momento é de reflexão diante das oportunidades abertas para a economia real, para ser capaz de absorver esta renda transferida para o mercado financeiro. A queda dos juros já faz efeitos nas projeções do PIB, cuja expansão gira em torno de 3,20%.
Juros mais baixos são condicionantes importantes para estimular de forma vigorosa o varejo de bens, serviços e turismo. Vamos continuar trabalhando para criar uma agenda prospectiva de estímulo ao empreendedorismo, pois, assim, teremos emprego e renda de forma sustentável.
Lázaro Luiz Gonzaga, presidente do Sistema Fecomércio Minas, Sesc, Senac e Sebrae-MG
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