Domingo, 19 de Maio de 2013
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Artigo

Qualidades do líder

Texto: José Martins de Godoy
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José Martins de Godoy - Engenheiro, co-fundador do INDG e integrante do conselho de administração superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial

Gerenciar é atingir metas. É também resolver problemas, entendendo-se como problema o mau resultado obtido na condução de uma atividade-fim.  O método e ferramentas para atingi-las fogem ao escopo deste artigo. Para atingir metas é fundamental que exista liderança. Ao consultar livros de administração, verifica-se que o líder deve ter grande número de qualidades.  São tantas que é difícil encontrá-lo com todas elas, porque existem poucas pessoas capazes de preencher o amplo espectro de conhecimentos, competências e habilidades desejados.
 
 Conquanto seja possível formar líderes, martelando requisitos para a prática satisfatória da liderança, algumas qualidades são inatas.  Outras, como o caráter, são trazidas do berço.   Saliento algumas qualidades do líder. Tem profundo respeito pelo ser humano, capacidade de congregar pessoas e motivá-las para atingir os fins nobres desejados. Também a humildade é uma virtude  cultivada (humildade vem do latim humus, de onde também deriva o homem. Remete-nos à lembrança de que ao pó voltaremos).  Também ressalto que bons líderes são éticos.  Valores universais como a honestidade, lealdade, amor ao próximo, apreço pela verdade, entre outros, são práticas  constantes na vida dessas pessoas. Além disso, segundo Manfred Kets de Vris,  “os líderes do XXI devem ter uma boa dose de inteligência emocional” (revista Época,  13/04/09).
 
 Destarte, existem  pretensos líderes que praticam o “gerenciamento pelo berro”,  forçando  pessoas  a seguirem suas instruções muitas vezes irracionais. Normalmente, os gritos são recheados de palavrões, dando a entender que, se não houvesse  tais palavras, não conseguiria se comunicar. Há também aqueles que usam as pessoas no sentido de obter  seus intentos:  são afáveis, envolventes, comportam-se como  bons amigos. Conseguidos os objetivos, as pessoas são descartadas impiedosamente.  Há, ainda, líderes que, em reuniões e outros eventos, destroem  colaboradores,  colocando-os numa posição extremamente desconfortável, o que é inaceitável. No final da reunião, levanta-se, dirige-se à pessoa atingida e diz: “Sou seu amigo, não leve a mal! Queria ajudá-lo, eu só vou na  bola”- mas acaba arrebentando  a “canela’’ do indivíduo. Esquece-se  de que aquele episódio fica indelevelmente registrado na alma do lesionado. Esquece-se também do princípio básico: elogio faz-se em público,  correções em particular. Outro tipo de líder comporta-se como o dono da verdade, tendo sempre razão. Pratica a lógica da fábula de Esopo, O Lobo e o Cordeiro: não importa a circunstância, o outro está sempre errado.  Também existe o líder mentiroso. Diz uma coisa hoje, outra amanhã. Tem enorme capacidade para distorcer os fatos conforme com sua conveniência; é intrinsicamente  desonesto.
 
 Infelizmente, há pessoas em cargos de liderança que reúnem várias dessas nefastas características. Alguém poderia perguntar como essas pessoas atingem posições de “comando”. Talvez sejam herdeiros, representantes de grupos ideológicos, capatazes, entre outros. Como na vida  há a lei do retorno, essas pessoas são normalmente respeitadas enquanto estão nos cargos. Depois são desprezadas e esquecidas.
 
Nos meus 38 anos de administrador como chefe de departamento universitário com vários mandatos, diretor de escola de engenharia, presidente de fundações e empresa, ouso dizer, abrindo mão da modéstia, que fui bem sucedido em atingir  metas e objetivos almejados, contando  sempre com a imprescindível ajuda de colegas e colaboradores. É importante ressaltar que tive sempre em mente o Evangelho de S. João (15,1e5): Jesus disse “Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor.  Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. Então, se realizei boas obras, é porque estive preso ao Verdadeiro  caule.  Entendo que nada foi feito por mim, mas ousei dizer que fui bem sucedido na arte da liderança. Como percebo isso? Pelo respeito e consideração que pessoas têm comigo quando não mais ocupo os cargos. A razão do sucesso foi  inspiração e proteção divinas, o ideal de trabalhar para o benefício do País e seu povo, comprometimento, persistência, o essencial apreço pelo ser humano, procurando entender, ajudar e orientar os  companheiros. No geral, a regra básica se resume em amar o próximo, pois o resto é resto.
 
José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da FDG
 
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