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Artigo
A fragilidade do conceito de PIB é tanta que os governantes que tudo fazem para conseguir aumentá-lo incorrem em grave erro. Há décadas, quando se acreditava que elevar o PIB era sinônimo de melhorar a vida das pessoas, ainda fazia sentido focar a política em aumentá-lo. Hoje, fazer isso é equívoco grave, como se um médico ainda receitasse sangrar seus pacientes, como se fazia há séculos, para curar quase tudo.
Para lembrar algumas das fragilidades do conceito: ele aumenta quando o seu carro quebra e tem que ser consertado ou quando você fica doente e é hospitalizado; ele não considera a poluição nem a degradação ambiental, nem a perda dos serviços ambientais tais como água, solo e ar puro.
A ideia de fazer o PIB crescer sempre tem como base a noção de que o planeta é infinito. Hoje, com mais de 7 bilhões de humanos, uma pequena parcela consome a quase totalidade dos recursos naturais e polui outra parte igualmente importante. Quando vemos fotos que evidenciam a pequenez da Terra, continuar a pensar em crescer sem parar é imaginar que chegará o dia em que poderemos acomodar um elefante sobre a cabeça de um alfinete! Alternativas existem, e devem ser implementadas, com urgência!
Um indicador melhor será apresentado na Rio+20, o relatório de riqueza inclusiva. Uma prévia foi mostrada recentemente em Londres, e a apresentação completa ocorrerá na Rio+20. Esse conceito, de iniciativa do Banco Mundial e da ONU, pondera, além da produção econômica, como faz o PIB, o ganho ou perda do capital humano e de ativos ambientais, tais como florestas e minerais. Os cálculos mostram que, entre 1990 e 2008, o PIB da Índia cresceu 120%, e o país perdeu 31% dos seus ativos naturais. No mesmo período o PIB brasileiro cresceu 34%, e nós perdemos 46% do capital natural. Como o crescimento do nosso PIB se baseia, em grande medida, na exportação de minerais e de florestas, água e solo, estes últimos sob a forma de produtos agrícolas, não é de se espantar que tenhamos tido desempenho tão medíocre.
Para ficarmos bem na foto, quando da conferência que sediaremos, o que devemos fazer não é criticar e depreciar o conceito de riqueza inclusiva, mas sim alterar os rumos das nossas políticas.
Eduardo Fernandez Silva, consultor legislativo da Câmara dos Deputados |
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