Antes era para atrair moradores em busca de áreas verdes, tranquilidade e certa distância dos problemas das cidades grandes. Agora, as construtoras começam a voltar as atenções para aqueles que querem usufruir desses mesmos benefícios, sem a vulnerabilidade de uma casa. Ainda são poucas as opções na Grande BH, mas a tendência é que o número aumente. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, em outros estados, como São Paulo, os condomínios que abrigam casas e edifícios já é considerável. Em Minas, eles começam a surgir.
“Não são todos os projetos de condomínios onde prédios são previstos justamente pela ideia de oferecer um diferencial de moradia. Porém, alguns espaços conseguem conviver bem com ambos,”diz Cavalcanti. Há cerca de 10 anos, o Alphaville Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, mudou o conceito de moradia. Ocupando 4,3 milhões de m 2, o empreendimento conta, hoje, com 430 famílias que ocupam casas e apartamentos.
A incorporadora e construtora Dominus lançou recentemente no local o Lumiére Residences, com dois edifícios residenciais, de 112 unidades cada. Segundo Cláudio Neves, sócio e diretor da Dominus, o grande benefício que condomínios híbridos oferecem é a comodidade para quem escolhe o local como moradia. “A vantagem é que você pode morar, trabalhar e ter o comércio necessário para o dia a dia no mesmo local, eliminando o transtorno do deslocamento”, afirma.
Mas o arquiteto Júlio Tôrres, diretor do escritório Torres Miranda Arquitetura, diz que empreendimentos que desejam oferecer condomínios residenciais híbridos devem estar atentos para não desagradar as pessoas que buscaram o condomínio porque desejam morar em uma casa. “A mistura de casas e edifícios em uma mesma área não é a situação mais usual. Em geral são empreendimentos isolados. Ainda que o empreendedor queira essa variação de produtos, o que ocorre é que são criados condomínios separados para os usos horizontais e verticais.”
Ele lembra que quem busca comprar casas, às vezes, deseja ter menos vizinhos ao redor, o que acaba conflitando com a implantação de prédios no mesmo local. Alguns empreendedores da construção civil querem distância de edifícios e acreditam que a verticalização pode ser prejudicial para o projeto inicial que atraiu moradores para condomínios em outras regiões fora da capital mineira.
É o caso do presidente da Associação dos Desenvolvedores do Vetor Norte (AVNorte) José Miguel Martins. Ele explica que a ideia de erguer edifícios é rejeitada pela maioria dos empreendedores da região, porque as construções saem do caminho traçado e desagradará quem se mudou em busca do clima do campo. “Não queremos reproduzir uma capital, mas oferecer qualidade de vida, com facilidades de locomoção e serviços. Moradias que se integrem ao meio ambiente e possam proporcionar bem-estar. Não desejamos prédios nem dentro dos condomínios e nem nas proximidades.”
Martins ainda ataca a ideia de edifícios dividindo espaço com as casas nos condomínios embasado na questão ambiental e na sustentabilidade. “Quanto mais pessoas ocuparem o espaço, mais é necessária preparação do meio ambiente e adequação de infraestrutura. A intenção é buscar a harmonia e acredito que uma superpopulação na região seja capaz de causar danos ambientais perigosos”, alerta.