Sábado, 25 de Maio de 2013
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Pesquisa

Pesquisas e novas tecnologias

Fazenda experimental da Epamig em Oratórios desenvolve projetos de pesquisa com várias culturas e animais

Texto: Ana Elizabeth Diniz | Fotos: Victor Schwaner


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Quando o alimento chega à mesa do cidadão, ele nem de longe imagina o número de pesquisadores e técnicos que se debruçam sobre inúmeros projetos de pesquisa. A Viver Minas foi conhecer de perto os bastidores da pesquisa que envolve a produção alimentícia e o melhoramento do gado, rotina da Fazenda Experimental Vale do Piranga (Epamig/Fevp), localizada no município de Oratórios, a 192 km de Belo Horizonte.
 
Tudo acontece em 374,5 hectares sob a liderança do agrônomo e gerente Luciano Luís Jacob que conta com uma equipe de 30 pesquisadores. “A fazenda é referência na difusão de novas tecnologias para a agricultura da região e oferece produtos de ótima qualidade”, diz.
 
Experimentos estão por toda parte e abrangem as áreas de cafeicultura, olericultura-cultivo convencional e orgânico (como pimentão, quiabo, moranga, beterraba, repolho, cebola, alface, inhame, couve-flor e pimenta), grandes culturas (feijão e milho), agroenergia (girassol e pinhão manso), suinocultura e pesquisa nas áreas de seringueira (produção de látex e de mudas), bovino de leite e formação de pastagem.
 
As pesquisas relacionadas à bovinocultura ocupam uma área de 85 ha da fazenda. “Trabalhamos com o cruzamento dos gados zebu e holandês. A ideia é ter animais com maior potencial de produção de leite (holandês) e rusticidade (zebu). Popularmente dizemos que essa mistura gera vaca de leite e bezerro de corte. O projeto estuda o sistema de produção de leite a pasto, que apresenta custo mais baixo e aumenta a vida útil do animal”, explica Luciano.
 
Na área de hortaliças, as pesquisas são divididas em cultivos tradicionais e orgânicos. “Há de tudo. Estudamos, por exemplo, o quanto o maracujazeiro suporta de poda e qual a melhor espécie para produzir as folhas que são usadas pelo Serviço Único de Saúde (SUS) com propriedades medicinais. Em outro canteiro, fazemos um consórcio ente alface e calêndula e alface e melissa. O objetivo é a produção de matéria fresca e óleo essencial”, ensina o agrônomo.

Luciano Jacob:
Luciano Jacob: "A fazenda é referência na difusão de novas tecnologias"
Outra área nobre de pesquisa é a cafeicultura. Apesar de várias espécies já terem sido testadas para exploração comercial, apenas a Coffea arábica e Coffea canephora têm interesse econômico. Em virtude da boa qualidade da bebida, 60 a 70% do café consumido no mundo pertencem à espécie C arábica.  Atualmente existem cerca de 130 variedades de café registradas no Ministério da Agricultura, 118 de arábica e 12 de canephora (que inclui o café conilon). “Na fazenda são feitas pesquisas com o café arábica e conilon e já estamos produzindo novos clones do cruzamento das duas espécies. Buscamos no melhoramento do cafeeiro aumentar a resistência contra fungos, especialmente a ferrugem e nematoides  , e melhorar a qualidade da bebida”, ressalta Luciano.
 
Caminhando pela fazenda em um quase fim de tarde surpreendemos Silvio Martins dos Santos, 56, remexendo a terra da plantação de feijão preto. “Prefiro trabalhar com a terra a gente, que é muito enjoada”, sentenciou enquanto cuidava do seu sustento. “Estamos desenvolvendo variedades de feijão mais produtivas e métodos de controle eficientes das doenças que atacam o feijoeiro, especialmente, o mofo branco”, acrescenta Luciano.
 
Mais à frente, o jardim clonal de seringueiras que ocupa área de 6 ha e que logo serão transplantadas no bosque cuidado por Wanderley Cardoso, 33, há sete trabalhando como sangrador. São 15 ha de área plantada com produção média de 7 kg de borracha/árvore/ano. A meta é alcançar 10 kg de borracha/árvore/ano. Mensalmente são vendidos 1.600 kg para indústrias de São Paulo.
 
“Para sangrar tenho que fazer um corte de 35 graus na casca da árvore. Cada seringueira tem vida útil de 40 a 50 anos e com um milímetro de corte de casca, ela já sangra”, explica Wanderley que sangra diariamente 500 árvores.Trinta por cento da produção é dele. Negócio rentável. O seringueiro trabalha em média de duas a três horas por dia, começando às 4 da manhã. Comparativamente, 1 ha de seringueira rende ao produtor cerca de R$ 3.500 por ano e 1 ha de eucalipto rende de R$ 800 a R$ 1.000 por ano. 
 
Há ainda muito que falar dos cultivos da fazenda. Tem a produção de ração para os suínos com mais aminoácidos e minerais e o canteiro de hortaliças não convencionais como bertalha, azedinha, capuchinha, beldroega, cará-moela e o controle biológico das pragas da pimenta malagueta. O pinhão manso e o girassol estão sendo pesquisados como alternativa na produção de biocombustíveis. A sensação é de que muito se faz pela qualidade dos alimentos que chegam à nossa mesa, mas essas pesquisas permanecem no anonimato. 

 
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