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CulturaCidade musicalPró-Música e Lúdica Música! conquistaram fama e reconhecimento no Brasil e mundo afora
Texto: Ana Elizabeth Diniz | Fotos: Victor Schwaner
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Símbolo e referência
Tarde de quarta-feira. A concertista, pianista e professora Maria Isabel de Sousa Santos, seu marido Hermínio de Souza Santos e o filho Júlio César de Souza Santos, violinista, flautista e economista, dividiam a mesma sala do Centro de Cultura Pró-Música, em plena avenida Rio Branco, centro de Juiz de Fora. Na sala ao lado podia se ouvir o ensaio do coral infantil sob a coordenação da outra filha, Maria Cristina, flautista e violinista.
A ligação da família com a música não para aí. Luis Otávio, 38, é violinista. Atuou durante 16 anos na Europa como concertista e spalla da La Petit Band da Bélgica. Maria Beatriz é pianista e médica e Marco Antônio, apesar da formação em flauta doce, não seguiu a carreira musical. Dos dez netos, Maria Fernanda é spalla da Orquestra de Câmara, Maria Carolina toca violino na Camerata e Artur, 20, tem uma banda de rock.
A história dessa trupe começa com Carmelina Machado de Souza, professora de música de Cataguases que ensinou a arte para a filha Maria Isabel que, aos 18 anos, já era professora de música, tornou-se concertista e lecionou durante 42 anos no Conservatório Estadual de Música Haydée França Americano. Não parou mais. “Nunca me imaginei fazendo outra coisa que não fosse a música”, confessa.
Isabel conta que tudo começou com um pedido do pianista Arnaldo Estrella, seu professor de piano, para que ela promovesse um concerto por mês em Juiz de Fora. “Comecei em casa e tivemos que comprar um piano de cauda, que veio de Hamburgo, Alemanha. As apresentações deram tão certo que três anos depois começamos a construir a nossa sede, mas nada disso existiria sem o apoio do meu marido Hermínio, o grande incentivador. Nós dois criamos a Pró-Música”, faz questão de ressaltar. Na inauguração do espaço, em 1974, Estrella se apresentou ao piano no teatro que tem o seu nome. Trinta e sete anos depois, os nomes mais consagrados da música como Nelson Freire, Moreira Lima, Madalena Talhaferro, Giberto Tinetti, entre muitos outros, já se apresentaram ali.
“Somos conhecidos em todo o Brasil por divulgar a boa música, formar músicos, pesquisar e preservar a produção colonial brasileira e promover a interpretação da música antiga com instrumentos de época”, comenta Isabel. A cria mais famosa e de maior visibilidade da casa é o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, evento criado em 1990, e reconhecido como bem imaterial pela prefeitura de Juiz de Fora em 2010.
O Pró-Música é um celeiro de novos talentos. “A música transforma e dá uma superioridade mental e intelectual à pessoa. Muitos dos nossos alunos estão tocando em orquestras profissionais e filarmônicas de vários estados. Temos um spalla na Filarmônica de Belo Horizonte e oboístas na Orquestra dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro”, diz a concertista.
A escola oferece atualmente 320 bolsas de estudo para estudantes de cinco a 32 anos, com empréstimo de instrumentos. “Transitamos entre o erudito e o popular. Temos Orquestra de Câmara, que esteve recentemente se apresentado durante 15 dias na França e outros grupos como o Quarteto de Cordas e o Coral. A Orquestra Escola deu origem à Camerata Jovem e a Escola de Artes Pró-Música abrange mais de 40 instrumentos, além de cursos de teoria musical, canto, desenho, pintura, balé, capoeira, ioga, escultura, banda de rock e musicalização infantil. São 1.500 alunos entre crianças e adolescentes. O sucesso é tanto que temos lista de espera”, conta a professora.
Tantas funções e dedicação não deixam tempo livre para que Isabel se dedique ao piano, como fazia no passado. “Não toco mais porque não tenho tempo para estudar”, constata com um rigor crítico peculiar aos grandes concertistas. Mas todos sabem que isso não é verdade. Fica aí uma provocação para que a grande pianista nos convide para uma performance musical no teatro onde tudo começou.
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