Quinta, 17 de Maio de 2012
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Turismo

O outro lado dos lençóis

Destino imperdível para os amantes da natureza, os Lençóis Maranhenses guardam belezas escondidas e ainda pouco exploradas pelo turistas

Texto: Nayara Menezes | Fotos: Daniel de Cerqueira


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O maior e mais belo deserto do Brasil tem155 hectares de puro deslumbramento. Lagoas cristalinas emolduradas por dunas de areia branca formam uma das paisagens mais impressionantes do Nordeste. Apesar da imen­sidão, o ponto de partida para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses costuma ser um só: a cidade de Barreirinhas. Porta de entrada para o parque, é lá que geralmente se hospedam turistas de todo o mundo que querem conhecer esse paraíso ecológico. O que poucos sabem é que, embora seja passagem obrigatória, Barreirinhas não é o único acesso ao parque. Basta um pouco mais de disposição e tempo para seguir viagem pelo rio Preguiças e conhecer o parque sob outro ângulo. O sacrifício é maior, mas é, sem dúvida, recompensado pela sensação de se ter os Lençóis só para você, mesmo estando em plena alta temporada.

A melhor época para se conhecer os Lençóis é de junho a setembro, quando as chuvas cessaram e as lagoas estão cheias e ainda mais bonitas. Para os que querem aproveitar as férias escolares de julho, o destino é mais do que apropriado. Mas se você é daqueles que não quer ficar disputando os encantos dos poços ou das águas da lagoa Azul, quer fugir do barulho dos bugres e dos gritos dos ambulantes, a melhor opção é chegar em Barreirinhas, mas não fixar pouso lá. Você pode se hosperdar em um dos povoados à beira do rio Preguiça. Os municípios de Caburé e Atins tem boa estrutura para receber o turista. E deles se pode partir para conhecer a parte mais tranquila e preservada do parque.

Se a escolha for por Caburé, é preciso pegar uma voadeira – aqueles pequenos barcos movidos a motor. Leva-se cerca de 40 minutos ao destino. Por não ter porto, esse acesso ao parque é mais conhecido por pescadores e não é possível aportar grandes embarcações – o que explica a pouca frequência de turistas no local e garante o sossego. Partindo de Atins, é possível fazer o trajeto de barco, cerca de 20 minutos. Para os mais aventureiros, há a opção de ir de quadriciclo pelas dunas do parque ou de cavalo.


No caso da reportagem da Viver Brasil, ficamos com a primeira opção. Após pernoite em Caburé seguimos cedo rumo à parte dos Lençóis conhecida co­mo Canto do Atins. Em um barco conduzido por dois pescadores, chegamos ao acesso escondido. Co­mo não há porto, ancoramos em meio ao nada, ou melhor, nada é até pecado para se referir a um paraíso como esse. Enfim, descemos do barco e iniciamos a caminhada sob as dunas. Essa é a melhor opção para desfrutar com calma as belezas desse cenário mágico. Por entre as dunas brancas, surgem poços e lagoas de todos os tamanhos. As cores variam do azul turquesa ao verde esmeralda. E a temperatura é a mais agradável possível. Um mergulho privado nas águas cristalinas dão a certeza de que todo o esforço valeu a pena.

Confira os bastidores desta matéria no Blog da Redação.


Luzia exibe o melhor camarão do Nordeste
Luzia exibe o melhor camarão do Nordeste


Após recarregar a bateria, é hora de continuar a caminhada rumo à próxima parada – o restaurante da Luzia. Reza a lenda que é nesse local que se come o melhor camarão do Nordeste. O sol estava a pino e a fome apertando, quando, de repente, avistamos uma casinha branca. “É lá!”, avisa nosso guia, Nélio. Mais alguns minutos e finalmente chegamos. “É aqui que vamos comer o melhor camarão da nossa vida?”, perguntamos.  

Com o sorriso largo estampado no rosto e a simpatia nordestina, é a própria Luzia quem nos recebe. “Espero que sim. Chegue mais, minha gente!”. Aos 40 anos, mãe de três filhas, Luzia nos conta como tudo começou. Após trabalhar como doméstica em casas de família em São Luís, resolveu voltar à terra natal. E ali, em meio aos Lençóis, no Canto do Atins, abriu o restaurante. “Estava ariada, com 60 reais no bolso e três filhas para criar. Pedi a Deus para me abrir um novo caminho e assim Ele fez”, conta.

De lá para cá já se passaram quase 15 anos. O restaurante ganhou fama com o camarão grelhado, receita inventada por ela. Algumas celebridades já passaram por ali como Maitê Proença, Fernanda Monte­negro e Fernanda Torres. Mas, Luzia faz questão de avisar. “Para mim, todo mundo é impor­tante. Não faço diferença entre cliente e artista.” Sobre qual a média de fregueses ela recebe por dia, é variada.“Tem dia que vem 80, em outros 10, 2, e tem dia que não vem ninguém.” O prato custa apenas R$20 por pessoa, mas Luzia garante: “Apesar de não ter  muito dinheiro, consegui criar minhas filhas e pagar a faculdade para elas”, conta orgulhosa.

Após narrar sua história ela vai para a cozinha. En­vergonhada, sou obrigada a confessar que não gosto de camarão. É quando Luzia, despachada como boa nordestina, surpreende: “Eu também não!”.  E assim descubro um segredo precioso: a cozinheira do melhor camarão do Nordeste não aprecia o prato. Pode? “O segredo tá na mão e não na boca”, justifica a maranhense arretada. Teoria comprovadíssima. Os turistas que estavam por ali e o fotógrafo da Viver Brasil  aprovaram tanto a receita que foi preciso preparar outro prato para ser fotografado. Após o almoço, é possível ainda dar aquela esticadinha em uma das redes ou colchões que ficam na varanda. Vale ou não o sacrifício de andar um pouco mais para adentrar nos Lençóis?


 
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