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PolíticaFaxina, urgenteO custo mensal de cada um dos 81 senadores ultrapassa os 2,8 milhões de reais. O trabalho deles? Roubar, enganar, cometer crimes de peculato, nepotismo...
Texto: Iracema Barreto | Fotos: Andre Dusek e Celso Junior/AE - Ilustração: Paulo Werner
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Se os congressistas tivessem cumprido o seu papel e chegado a uma conclusão sobre o assunto das cotas, por exemplo, o atual embate judicial, com ações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal, não existiria. Na ausência da lei, os conselhos das universidades públicas, federais e estaduais, fortemente estimulados pelo Ministério da Educação, passaram a definir seus próprios modelos, que variam de uma escola para outra. O Judiciário também é chamado a intervir e quase todos os debates relevantes para a sociedade brasileira, com repercussão real na vida dos cidadãos comuns, são decididos nessa esfera. Do uso científico de células-tronco ao casamento homossexual, passando pelo fim do uso abusivo de algemas. “Parlamentares têm que legislar e fiscalizar o Executivo, mas não estão fazendo nem uma coisa nem outra”, reforça Lamounier. “Por conta desse vácuo deixado pelo Congresso, o Executivo é hoje o grande legislador. Pelo menos 70% das leis produzidas no Brasil são do Executivo”, diz o cientista político. Os desvios éticos e a falta de pudor de deputados e senadores com o dinheiro público desmoralizam o parlamento, na opinião do doutor em ciência política e professor da PUC Minas Malco Camargos, que vê dificuldades para solucionar o problema. “Parlamentares são seres humanos e a natureza humana tende a trabalhar de forma individual e não coletiva. Não podemos querer que, de uma hora para outra, eles se vistam com uma aura de bondade”, pondera, numa referência ao fato de a maioria dos parlamentares não considerar como problema o uso do dinheiro público para passear com a família no exterior, pagar a conta de telefone celular dos filhos ou abrigar parentes e empregados domésticos nos gabinetes. Camargos, no entanto, enxerga um lado positivo desse caos. “Em toda e qualquer crise sempre são tomadas algumas medidas moralizadoras, ainda que de forma parcial.” Só para relembrar, por causa da repercussão negativa dos escândalos, a Câmara e o Senado se viram pressionadas a publicar os gastos dos deputados na internet e a restringir a emissão de passagens aéreas. “A lição que fica é a inoperância do Congresso, a incapacidade de resolver os próprios problemas. Mudar esse status quo depende deles, mas não há interesse nisso.” Camargos tem razão. Até o fechamento dessa edição, pouca coisa foi feita para moralizar o Senado. Diante de tal diagnóstico, resta lembrar que 2010 é ano de eleições. Não se esquecer dos tais escândalos nem dos nomes a eles ligados é o dever de casa a fazer antes de se dirigir às urnas. |
Últimos Escândalos no Senado e na CâmaraCASTELOGATE – Em fevereiro, descobre-se que o deputado mineiro Edmar Moreira, recém-eleito corregedor da Câmara, tem um castelo no interior de Minas avaliado em 25 milhões de reais e não declarados. Investigações revelam que o deputado gastou R$ 236 mil nos últimos dois anos da verba indenizatória para pagar serviços em suas próprias empresas de segurança. O caso está no Conselho de Ética da Câmara. HORAS EXTRAS – Em março, a Folha de S.Paulo denunciou que o Senado gastou 6,2 milhões de reais com pagamento de horas extras para os servidores em janeiro, mês do recesso parlamentar; 3.883 funcionários foram beneficiados. Na Câmara, 610 servidores também receberam 653 mil reais em horas extras. Alguns devolveram o dinheiro. Ninguém foi punido. NEPOTISMO TERCEIRIZADO – Diretores empregavam parentes no Congresso por meio de empresas terceirizadas. FARRA AÉREA – Em abril, veio à tona o escândalo que os parlamentares vinham fazendo com as passagens áreas pagas pela Câmara e o Senado. Vários deles custearam viagens de familiares e amigos. Foi restringida a emissão de bilhetes, mas os delitos do passado foram todos perdoados. Poucos parlamentares devolveram o dinheiro usado indevidamente. ATOS SECRETOS – O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia escondia da Justiça a propriedade de uma mansão avaliada em 5 milhões de reais, em Brasília. Foi exonerado do cargo de direção sob o aplauso de outros servidores, que o conheciam pela alcunha de Papai Noel do Senado, mas é servidor de carreira da Casa. Agora, uma comissão de sindicância apura os atos administrativos secretos editados na surdina por Agaciel – mais de 500 – usados para aumentar salário de servidores e contratar parentes de senadores. |