Céu de brigadeiro para a aviação regional. Enquanto gigantes do setor comercial enfrentam problemas de caixa e de queda na ocupação, cortam rotas e gastos, a Trip Linhas Aéreas segue na contramão, apostando alto na expansão do mercado. A empresa anuncia investimento para 2009 superior a 400 milhões de reais, começa a operar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) e abre novas rotas no da Pampulha, além de colocar em uso três jatos Embraer-175 (cada um com 86 lugares) e um novo ATR-72-500 (de fabricação franco-italiana, com capacidade para 68 lugares). A estratégia ousada de crescimento prevê dois outros novos Embraer-175 e mais quatro ATR-72-500 que entrarão para a frota Trip até o fim do ano, e uma perspectiva de crescimento de passageiros de 50%, saltando de cerca dos mais de 1 milhão de pessoas transportadas, em 2008, para mais de 1,5 milhão em 2009.
O presidente da Trip, José Mario Caprioli dos Santos, diz que o agressivo processo de modernização pauta-se em um planejamento sólido, cujos riscos foram bem calculados. A Trip ocupa hoje a dianteira no mercado da aviação regional no Brasil e da América Latina. “E ainda temos um potencial enorme, ainda não explorado. No ano passado, a Trip cresceu 100%, enquanto a indústria, só 16%.” Caprioli afirma que as pessoas ainda imaginam a aviação regional como empresas que apresentam estrutura de capital frágil, com aviões de idade média avançada. O que é um erro. “Hoje operamos para 73 cidades, quando nenhum operador nacional passa perto disso”, diz. De acordo com o presidente da Trip, em 2010 a empresa espera injetar outros 400 milhões no plano de expansão. “No Brasil, 45 milhões de passageiros fazem voos domésticos, 150 milhões de pessoas transitam em ônibus interestaduais e mais de 450 milhões nos intraestaduais. Quanto melhor for a distribuição de renda, haverá uma natural migração dos passageiros para voos. Daí a necessidade de se preparar. Esse mercado precisará de muita infraestrutura”, ressalta Caprioli.