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EmpresaInvassão do girassolCidade de Barbacena vai receber primeira usina de girassol do país para produção de biodiesel e ração animal
Texto: Vanessa de Cobucci | Fotos: Marcos Barbacena e Divulgação
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A área rural de Barbacena tem predomínio de minifúndios, conforme apontou pesquisa feita pelo Instituto Conde de Prados, que envolveu 600 unidades produtivas da região. A ideia da Biosóis é estabelecer parcerias, estimular pequenos, médios e grandes produtores rurais, cujas terras estão ociosas ou subaproveitadas, a aderirem ao plantio do girassol. “No nosso planejamento, 30% de toda a produção de grãos virão da agricultura familiar.” Malta explica que está em negociação com bancos para a compra de colheitadeiras e plantadeiras de última geração, pois as safras serão totalmente mecanizadas. Desde fevereiro, a Biosóis faz plantios experimentais na cidade de Antônio Carlos (vizinha a Barbacena), com 12 cultivares de girassol (genótipos). O objetivo é selecionar aquela que melhor se adapte ao clima e solo locais, que apresente altas produtividades e resistência a pragas. A análise agrocientífica, coordenada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vai permitir estabelecer um zoneamento agroecológico do girassol na região. “A média brasileira de produtividade para esse tipo de cultivo é de 600 quilos de óleo por hectare (cuja área corresponde ao tamanho de um campo oficial de futebol). Queremos dobrar essa capacidade, chegando a uma planta de baixo uso de defensivos”, informa o pesquisador da Epamig José Carlos Fialho de Resende, que há um ano atua no projeto da Biosóis. Ele explica que nesse tipo de cultivo a tendência é ter duas safras anuais: em setembro e em fevereiro. |
Antes mesmo de a primeira safra ser colhida, Malta afirma que a Biosóis fechou contrato com a Galp Energia, maior produtor e distribuidor de combustíveis de Portugal, que garante a compra de toda a produção por 10 anos. Ele adianta que irá estabelecer contratos de compra de garantia de safra de sete anos com os produtores barbacenenses. A infraestrutura da cidade também pesou na decisão de escolha da Biosóis, pois será mercado certeiro para a torta de girassol, de alto valor nutritivo, que pode ser destinada a suínos, aves e ao gado de corte e leiteiro. “A torta de girassol é capaz de aumentar em 20% a produção de leite”, diz Malta. Para o diretor-executivo (CEO) da Biosóis, o português Fernando Lopes, o Brasil será a locomotiva do mundo. Embora a área de biocombustíveis esteja ainda no seu início, pois há poucas experiências em andamento, o Brasil é a maior referência. “O país será a locomotiva do mundo nessa área. Temos projetos em andamento no sul de Angola e no norte da Namíbia, mas nosso objetivo número um para esse tipo de investimento é o Brasil”, diz Lopes. Questionado sobre o montante do negócio em Barbacena, ele afirma que ainda é cedo para estipular valores, e faz segredo sobre o total de investimentos que está em andamento, bem como os que fará nos próximos anos. “É uma aposta e é um desafio, pois investir em biocombustíveis é complexo, são projetos de médio e longo prazo e de alta complexidade.” Para a prefeita de Barbacena, Danuza Bias Fortes (PMDB), a escolha da cidade pelos investidores portugueses representa um marco para o progresso e para as necessidades da indústria moderna. “Há anos Barbacena não recebe investimento deste porte. A vinda da Biosóis trará desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda”, diz a prefeita. |