O processo eleitoral será somente em 2010, mas nos bastidores as negociações estão a todo vapor. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, pré-candidato oficial do PMDB ao governo de Minas, recebeu a reportagem da revista Viver Brasil para uma entrevista exclusiva, em que falou sobre sucessão estadual e nacional, a possibilidade de formação das chapas para a disputa, afirmou que o PMDB está com a faca e o queijo nas mãos para formar as alianças, e criticou o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, sem mencionar seu nome. “Não tenho projeto pessoal para governar Minas”.
O senhor será o candidato ao governo de Minas pelo PMDB?
Eu sou candidato a candidato. O meu partido fará a convenção, possivelmente em junho do ano que vem, e nós temos a pretensão de apresentar um nome do PMDB dentro de uma composição, de uma aliança partidária, porque é assim que o partido está tratando a eleição. Não é um projeto pessoal. Não me proponho a ser governador apenas para satisfazer a um projeto pessoal.
O senhor acredita que o candidato apoiado pelo governador Aécio Neves será eleito?
Minas tem três fortes candidatos. O Patrus Ananias tem representação em todo o interior do Estado e na capital. O candidato do governador, seja ele quem for, mas em especial sendo o vice-governador Anastasia, que é um homem inteligente, hábil, competente, certamente será muito forte. Agora, candidato que tem expressão mais local, eu confesso que não tenho grandes expectativas. A nossa candidatura à candidatura tem sido motivo de reflexão no estado. Se o PT vai concorrer, o candidato deles que tem mais viabilidade no estado inteiro chama-se Patrus Ananias.
Na comemoração do Dia da Indústria, o senhor conversou muito com o governador Aécio Neves. A sucessão estadual foi pauta desta conversa? O governador poderá apoiá-lo?
Nós trocamos várias ideias (risos). Mas o que eu posso antecipar é que nossa relação é muito boa, voltada para os interesses de Minas porque eu tenho certeza de que o governador reconhece no PMDB a seriedade com relação à candidatura, que não é uma coisa pessoal, mas um projeto que considera, em primeiro lugar, o estado de Minas Gerais. Conversamos sempre e vamos continuar conversando, ao contrário de outros companheiros aliados, que não gostam de conversa.
Quais companheiros?
Prefiro não citar os nomes, mas nós todos sabemos quem.
Qual o futuro político do governador Aécio?
O futuro do Aécio é muito bonito. Veja bem: se o avô dele (Tancredo Neves) chegou à Presidência da República aos 70 anos, ele ainda tem pelo menos cinco eleições para chegar lá. Neste momento, o principal obstáculo a uma candidatura do Aécio, que poderia ser até vitoriosa, é o seu próprio partido, que fechou questão em torno da candidatura do governador José Serra. Por mais que se fale em prévias, não vejo como elas poderão ser realizadas, a menos que elas tenham outro objetivo, não necessariamente o de apurar quem irá ganhá-las. Podem ter outros objetivos sobre os quais não quero entrar em detalhes, mas podem ter o objetivo da união do partido. Inevitavelmente, agora, ou daqui a quatro anos, a oito, ou a dezesseis, a minha visão é de que o Aécio tem todas as qualidades para ser presidente.
Então, esta não é a hora dele?
É a hora dele, sim.
Sem mudar de partido?
Sem mudar de partido, lamentavelmente, ele não terá esta chance, a menos que ocorram as prévias, que ele vence com certa facilidade.
Ele teria lugar no PMDB?
No meu entender, ele sempre teve lugar no PMDB. Em nível nacional, ele tem ótima relação com o presidente Michel Temer, com as lideranças do PMDB, com o senador Pedro Simon, que é um grande amigo dele. Não vejo a menor dificuldade, mas ele precisa se manifestar. Mas não quero, aqui, ficar fazendo convites ao governador. Eu sei que ele tem o maior respeito por seu partido, por seus companheiros de uma vida inteira e acho muito
difícil ele deixar o PSDB.
O PMDB já está conversando com algum partido para
compor a aliança em Minas?
Nós entendíamos que a aliança é sempre aquela que já existe na base do governo (federal). Os partidos da base do governo seriam, naturalmente os aliados, mas isso não quer dizer que não possamos conversar com os partidos que não são aliados e até entendemos conversar com todos porque a proposta do PMDB, talvez, seja a mais republicana, a mais clara, a mais cristalina. Nós queremos, sim, chegar ao governo de Minas Gerais, mas dentro de uma grande aliança, não apenas como partido.
No caso de Minas, o PT, partido do presidente Lula, também tem a intenção de disputar a eleição. Há possibilidade de entendimento
com o PT? O PMDB abriria mão da candidatura própria?
O PMDB não abre mão de nada. O PMDB não está exigindo nada, não tem projetos pessoais. O PMDB é um partido democrático e republicano. Não estamos disputando candidaturas com outros partidos, estamos propondo uma aliança. Quem está propondo candidaturas irreversíveis é que tem de perguntar se abre mão para o PMDB, que hoje está disparadamente na frente nas intenções de votos em Minas.
Então, de acordo com o que o senhor disse, pode não haver aliança entre PMDB e PT em Minas se o PT não abrir mão da candidatura própria.
O que eu posso dizer é que o PMDB, não só eu, o PMDB tem relação de maior respeito e admiração com alguns setores do PT, como os ministros Patrus e Luiz Dulci.
Há grande possibilidade na disputa nacional de o PT e o PMDB formarem chapa única. A tendência é de que isto aconteça também nos estados ou os diretórios do PMDB estão liberados para alianças independentes?
O projeto maior que nós todos da base do governo devemos ter em nível político, exclusivamente político, é a continuidade do governo do presidente Lula. A proposta do presidente Lula, que é a candidatura da ministra Dilma Rousseff atende ao PMDB, ao PT e a vários partidos, até mesmo fora da base de apoio. Se a intransigência estadual vai prejudicar o projeto nacional,
é uma questão que precisa, primeiro, ser pensada pelo PT porque o maior beneficiado com os acordos é o próprio PT com a sua candidatura à Presidência da República. Eu vejo que em alguns lugares é praticamente impossível haver acordo entre o PMDB e o PT.
Em quais lugares?
Por exemplo, no Rio Grande do Sul é impossível, praticamente não tem como, porque são adversários históricos. No Acre a mesma coisa. Mas, se você começa a ver o país de modo geral, verá que em Santa Catarina, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, nos estados do Nordeste é possível. Por outro lado, seria fácil, muito fácil pegar o PMDB e fazer aliança com o PSDB. E isto não está fora de cogitação. Na verdade, o PMDB está em situação privilegiadíssima.
Por quê?
Porque o PMDB tem grande e forte liderança, excelentes bancadas estadual
e federal, nós vamos eleger, possivelmente, as maiores bancadas. Temos prefeitos em cidades importantíssimas em Minas Gerais e o maior número de vereadores. No Brasil inteiro o PMDB tem o maior número de prefeitos, vereadores, deputados, senadores, tem seis governadores importantes em cinco capitais, então, o PMDB é um partido muito forte. Agora, podemos ir para um lado e podemos ir para o outro. Podemos ir para o lado que nos quer.
O senhor disse que os projetos sociais do governo Lula têm de continuar. A ministra Dilma é atualmente, o único nome, no PMDB e no PT, para a sucessão presidencial?
Sem dúvida. Ela é o único nome. Ela é o nome que o presidente da República escolheu para continuar o seu trabalho, a sua obra social.
Ela é unanimidade no PMDB?
Ninguém é unanimidade em lugar nenhum. Acho que nem dentro de seu próprio partido ela não seja unanimidade, mas tem a grande maioria.
O PT já definiu sua candidata. No PSDB as coisas caminham para as prévias entre os governadores Aécio Neves e José Serra. Qual partido leva a melhor nestas circunstâncias?
O que a gente sente é que o crescimento da candidatura da ministra Dilma tem sido muito mais rápido do que o previsto por todos os analistas políticos. Nós tínhamos a pretensão de chegar aos 20% (das intenções de voto) em janeiro do ano que vem, no entanto, não estamos nem no meio de 2009 e ela já está com 21%. Isto quer dizer que a ministra tem todas as chances, está indo muito bem, o crescimento da sua candidatura é vertiginoso e isto é um bom sinal.
É sinal de que o Brasil não é um país machista?
Isto não existe. Pelo contrário. Lugar de mulher agora é na política, não é mais na cozinha, não é só mais ao lado do marido, não é só mais representando; o lugar da mulher é na frente dos acontecimentos políticos. É assim que estamos vendo: temos várias deputadas, senadoras, governadoras. A América Latina tem dado exemplo muito forte da presença da mulher na política na Argentina, no Chile.
A possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Lula sempre vem à tona. O que o senhor acha disso?
Vamos colocar nesse sentido: eu nunca vi o presidente da República dizer que gostaria de um terceiro mandato ou que concordaria com isto. A opinião é minha. Se você fizer uma pesquisa de opinião pública no Brasil, tenho certeza de que mais de 50% da população apoia o presidente Lula no terceiro mandato. O que determina se uma pessoa deve ou não deve permanecer à frente do governo é o instrumento mais extraordinário que a democracia criou: o voto. O dia que você perder a confiança, você não vota. Não precisa de lei para dizer: você só pode ter dois mandatos. Como é que o senador, o deputado podem ter quantos mandatos quiser? Eu não entendo isto: se um pode por que o outro não pode? O que determina se deve ou não continuar no governo é o voto do cidadão.